quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Onde tratar gratuitamente o portador de TDAH

Aqui estão relacionados os centros especializados no atendimento a portadores de TDAHI, realizando também pesquisas e treinamento.

Todos os locais indicados declararam experiência e atualização no tratamento de TDAH, conhecendo as recomendações e diretrizes da comunidade científica.
A ABDA apenas indica alguns locais de tratamento, mas não se responsabiliza pelo atendimento de nenhum profissional.


Rio de Janeiro

• PAM – MATOSO (crianças e adolescentes)
Rua do Matoso, 96 - Pça da Bandeira
Rio de Janeiro - RJ
Tel: (21) 2273.0899 (maiores informações com a As. Social Luciana, 5ª de manhã)
Coordenadora: Dra. Katia Beatriz Correa e Silva
As inscrições estão suspensas temporariamente.

• CIPIA
Praça Monte Castelo 18 sala 705 (perto do metrô Uruguaiana)
Rio de Janeiro, RJ
Tel: (21) 2285-6351
Coordenadora: Dra. Maria Antonia Serra Pinheiro

• GEDA - Grupo de Estudos de Déficit de Atenção

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA PESQUISA DE DIAGNÓSTICO DE TDAH
EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE 7 A 16 ANOS
É necessária a participação dos pais biológicos.

ANTES DE DEIXAR UM RECADO PARA A TRIAGEM DA PESQUISA DO GEDA (Grupo de estudos em Déficit de Atenção) leia abaixo e veja se a sua família se encaixa nos critérios de inclusão do estudo.

A UFRJ – UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO está conduzindo um estudo sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Crianças e adolescentes que tenham queixa ou suspeita de TDAH podem participar do estudo, que investiga o perfil de sintomas e a influência genética deste transtorno. Serão realizadas consultas com especialistas e avaliações de aprendizado, além de testes neuropsicológicos para atenção, impulsividade, etc. Esta avaliação é gratuita, sendo seu custo bastante elevado quando realizada em nível privado.

Ao final, é feita uma consulta devolutiva com um médico e fornecido um laudo com o diagnóstico de TDAH e de outros problemas que podem estar associados ou não ao TDAH (Dislexia, Depressão, etc).

Para participar é necessário atender a TODOS os seguintes requisitos:

1) Crianças e adolescentes com idades entre 7 e 16 anos
2) Mãe e pai biológicos precisam participar da pesquisa
3) Irmão ou irmã (dos mesmos pais) precisa participar da pesquisa – acima de 7 anos
4) Pode estar ou não em tratamento para o TDAH
5) Todos devem aceitar colher sangue no dia da avaliação

Toda a família faz a avaliação ao longo de um dia inteiro, no campus da Praia Vermelha (ao lado do hospital Pinnel) começando às 7h30, sendo o exame de sangue também realizado neste dia (OBS: não é feito exame de paternidade neste estudo).

Para marcar ligue para (21) 2543-6970 e deixe um recado na secretária eletrônica, dizendo seu nome e telefone de contato. Informe também que este convite foi feito através do site da ABDA.

Instituto de Psiquiatria - Universidade Federal do Rio de Janeiro

O GEDA é um centro de pesquisa, não é um ambulatório de atendimento regular a pacientes com TDAH.

Assim, como em outras áreas da Medicina, são utilizados protocolos de pesquisa previamente aprovados pelo Comitê de Ética que determinam quais pacientes podem ser incluídos nas pesquisas.


Saiba mais sobre o GEDA

Av. Venceslau Brás 71 – Campus da UFRJ (Ao lado do hospital Pinel)
Ambulatório do IPUB - CIPE NOVO – sala 5
Rio de Janeiro - RJ
CEP 22.290-140
Tels: (21) 2543-6970
Coordenador GEDA: Professor Paulo Mattos

• Santa Casa de Misericórdia (Crianças-adolescentes)
Rua Santa Luzia 206 - Centro
Rio de Janeiro - RJ
Tel: 21 2221 4896
Coordenador Santa Casa: Dr. Fábio Barbirato



São Paulo

• PRODATH - Projeto de Déficit de Atenção e Hiperatividade (adultos)
Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Rua Dr. Ovídio Pires de Campos, 785 - ambulatório térreo - HC - USP
Cerqueira César - SP
CEP: 05403-010
MARCAÇÃO DE CONSULTAS – (Só para Projetos de Pesquisa e que o interessado tenha disponibilidade de tempo para participar do mesmo)
INFORMAÇÕES: às 4ªs feiras das 8:30h até 12h - telefone(11) 3069-6971
Coordenador: Dr. Mário Louzã Neto

• ADHDA - Ambulatório para Distúrbios Hiperativos e Déficit de Atenção (crianças e adolescentes)
Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência - HC - USP
Av. Dr. Ovídio Pires de Campo, s/n - CEP 05403-010
Telefone : (11) 3069-6509 ou 3069-6508
Coordenador: Dr. Ênio Roberto de Andrade



Paraíba
• Serviço de Psiquiatria Infantil (crianças e adolescentes)
Hospital Universitário de João Pessoa, 6º andar
Telefone: (83) 216-7201
Coordenador: Dr. Genário Barbosa




Porto Alegre

• PRODAH - Programa de Déficit de Atenção/Hiperatividade
Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência
Hospital de Clínicas de Porto Alegre - UFRGS
Rua Ramiro Barcelos 2350
Porto Alegre - RS
CEP 90035-003
www.ufrgs.br/prodah
Tel: 51-2101-8094
Coordenador: Dr. Luiz Rohde




Ribeirão Preto

• GEAPHI-Grupo de Estudos Avançados e Pesquisa em Hipercinesia (crianças e adolescentes até 13 anos)
Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP
Serviço de Psiquiatria da Infância - campus - Balcão 4 (rosa)
Coordenador: Dr. José Hércules Golfetto

Depoimento de um TDAH

Minha Vida

Ele era uma criança levada, que não parava no lugar e não se concentrava em nada. Diziam que ele era hiperativo, mas pera aí? Como podia ser hiperativo uma criança que ao jogar videogame ou assistir um jogo do Flamengo na televisão ficava horas e horas parada sem ao menos piscar os olhos?
"Mal educado!!!!" " Sem limites!!!!" "Capeta!!!!" "Disperso!!!!" "Louco!!!" eram frases que ele comumente ouvia.
Ele sofria com isso, porém, sempre se considerou como os outros, pois tinha uma vida parecida com a dos seus amigos, mesmos hábitos, costumes, cultura, mas sempre fazendo as coisas muitas vezes sem pensar. Mesmo assim, ele não era somente defeitos, assim como perdia amigos facilmente, os recuperava com seu carisma e sua inteligência.
Inteligência que incomodava a muitos, pois não o viam estudar muito, se empenhar e mesmo assim colher como frutos, bons resultados... "Mas pera aí, ele nunca pode ser um bom aluno!" "Ele só pode estar colando".
Eis então que ele cresceu, a criança hiperativa mal educada virou um jovem. Ele, agora mais velho, continuava tendo muitos amigos, saía, se divertia e jogava muito bem futebol, algo em que definitivamente se concentrava e parecia até uma pessoa "normal"; ele era o capitão de seu time da escola, exercia toda sua liderança em quadra e se orgulhava muito disso.
Na sala de aula, parecia que sua liderança se tornava algo negativo, o fazia não ter forças para estudar, para prestar atenção, atrapalhava a turma, desconcentrava os professores e criava muitas inimizades. Inimizades essas que não acreditavam como ele podia obter bons resultados. E as vitimas de sua tenebrosa atitude sem limites? Ele não pode corresponder às expectativas.
Ele era o capitão do time, ele era querido.....
Ele era um menino problema; em sala de aula, ele era odiado.

Como sua vida não era feita só de futebol, ele foi campeão no campo, e foi derrotado fora dele; foi perseguido como um bandido sem direito a legítima defesa, afinal foi pego várias vezes em flagrante, com sua maligna hiperatividade e sua temível impulsividade.
Orgulhosamente, foi lhe dado o veredicto final, como um juiz que dá uma sentença a um réu, sua reprovação em matemática foi ovacionada pelos guardiões da boa conduta e da paz escolar, e sua conseqüente saída da escola como um início de um novo ciclo de alegria, sem ele, aquele menino, que jogava bem futebol, mas somente isso.
Ele chorou, perdeu seus amigos, sua escola, mas mais do que tudo isso, perdeu sua auto-confiança.
Ele já estava se tornando um adulto, e por meios do destino sua mãe conheceu um médico que tratava de um tal “déficit de atenção”. Seria tão somente o 445º tipo de tratamento para curar aquele garoto-problema, algo que até o mesmo já estava praticamente convencido que era.
Mandaram-lhe tomar Ritalina, um remédio ruim, que tira fome, e que lhe daria mais atenção e blá blá blá !!! Algo que ele já estava cansado de ouvir. Ele tomou a medicação sem crença nenhuma naquilo.
E o tempo foi passando, ele vivendo sua vida, em uma nova escola, procurando seu lugar no time de futebol do colégio...
Em 4 anos ele se tornou capitão do time. E mais, foi campeão vencendo a sua ex-escola; se formou como um dos melhores alunos da turma, passou para a faculdade que queria, tirando nota 10 na prova de matemática, a matéria que o fez passar um dos seus piores momentos ao ser reprovado.

Hoje ele está na faculdade. Ele ainda tem muito o que viver, com seu jeito hiperativo, desatento, mas agora controlado, sem deixar de ser ele mesmo. Ele vai vivendo, com o intuito de um dia poder mostrar que não era um bandido, um mal educado, nem um “sem limites”; era apenas uma pessoa diferente e, como todas outras pessoas diferentes, pode e deu certo na vida.
Hoje ele é feliz, tem uma namorada, estuda o que gosta, tem muitos amigos, sua família se orgulha dele e, acima de tudo, ele próprio sabe o que tem e vive feliz com a sua realidade.
Ele deseja que o que ele sofreu, outras pessoas não sofram um dia.
Ele?

Sou eu...
Beto

Fonte: www.tdah.org.br – Depoimento do filho da Presidente da ABDA – Associação Brasileira de Déficit de Atenção. Psicóloga Iane Kestelman

sábado, 11 de dezembro de 2010

DISTIMIA

O emburramento, aspecto de prontidão para começar uma briga, mau humorado, irritação intensa, como se fosse um perigo iminente, acontecendo de forma freqüente, por um período de no mínimo dois anos, pode estar aí o famoso mau humorado, conhecido por DISTÍMICO.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde ( OMS ), atinge a 3% da população mundial, o que significa cerca de 180 milhões de pessoas no mundo e que como relata o Dr Fábio Barbirato, chefe do serviço de neuropsiquiatria infanto-juvenil da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, 70 % dos adultos com DEPRESÃO foram DISTÍMICOS na infância ou adolescência.

Separar o distímico do deprimido, nem sempre é fácil, porem o deprimido é triste e o distímico tem o humor irritado. Como a doença é pouco conhecida e cercada de preconceitos, nem sempre é fácil fazer o diagnóstico da distimia, levando as pessoas a sofrerem por anos a fio até que se faça o diagnóstico.

Trabalhos que vem sendo feitos no mundo científico, leva a crer que a DISTIMIA, como os demais Transtornos Neurocomportamentais, tem a sua etiologia GENÉTICA, havendo interferência SÓCIO-AMBIENTAL E PSICOLÓGICA.

Alguns autores estão correlacionando a etipotogenia da distimia a possíveis NEUROTRANSMISSORES ( SEROTONINA E NORADRENALINA), cuja função é fazer a comunicação química nas sinapses de determinadas áreas do sistema nervoso central, envolvidas com o humor.

Ë comum o paciente DISTIMICO, apresentar manifestações somáticas, como cefaléia, dores musculares, dor epigástrica, alteração dos níveis normais da pressão arterial e baixa imunidade.

Outro aspecto importante em relação a DISTIMIA, segundo relatos do Dr. Fábio Barbirato, é a queda do rendimento escolar destas crianças, em torno de 42% dos 78 casos atendidos no Serviço de Psiquiatria infanto-juvenil da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, com idade de 06 a 16 anos. Alem desta dificuldade acadêmica, o Dr Fábio Barbirato relata ainda, que 78 % tinham dificuldade para se divertir, 64% tinham problemas no relacionamento social, 78% apresentavam baixa auto-estima e 64 % apresentavam sinais de DEPRESSÃO, QUE O Dr Barbirato considera grave.

Uma das preocupações que devemos ter com estes pacientes é a possibilidade de abuso de trnquilizantes e álcool, como ponte para a convivência social.

O tratamento com antidepressivos e psicoterapia cognitivo-comportamental, melhora o quadro em 70 % dos casos, contudo, como diz o Dr Barbirato, estes pacientes jamais ANIMADORES DE FESTAS, mas terão uma vida normal.

Na realidade, diagnosticar e tratar a DISTIMIA é prevenir a DEPRESSÃO, uma das patologias que mais incapacitam pessoas no mundo moderno.

Fonte: site www.tdah.com.br

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

LIVRO - O DOM DA DISLEXIA: O NOVO METODO REVOLUCIONARIO DE CORREÇAO DA DISLEXIA E DE OUTROS TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM




Autor: Ronald D. Davis
Editora: Rocco


O que têm em comum cientistas como Einstein e Darwin; artistas e escritores como Picasso, Leonardo da Vinci e Agatha Christie, um político como Churchill e o general Patton? A essa lista de famosos com um talento especial, porém ainda não reconhecido como tal, podem ser acrescentados John Lennon, Harrison Ford, o jogador de basquete Magic Johnson e empresários como Henry Ford e Ted Turner, o todo-poderoso das comunicações, que criou a primeira rede de TV all news do planeta, a CNN. Além de serem mundialmente famosos, todos são disléxicos. A lista, que inclui vários outros nomes, como o do ator Tom Cruise (que já falou publicamente sobre o problema) está no livro O dom da dislexia – Por que algumas das pessoas mais brilhantes não conseguem ler e como podem aprender", de Ronald D. Davis (com a colaboração de Eldon M. Braun), que a Editora Rocco publica sob o selo Pais, Tais & Profissionais.

Ronald Davis, ele próprio um disléxico, relata no prefácio uma marcante experiência de sua vida. Em 1949, aos 7 anos de idade, estava mais uma vez de castigo no canto da sala de aula, com um lenço branco dobrado sobre sua cabeça, seu "rótulo de demérito". Envergonhado, sem coragem de mover-se para ir ao banheiro, acaba molhando as calças. Tenso, apavorado com a possibilidade de ouvir os meninos gritarem "O retardado fez xixi na calça de novo!", ele permaneceu imóvel até que o sinal tocasse e a sala ficasse vazia. Ainda sem coragem de se mover, ele sussurrou uma prece e então o professor que o havia posto lá o obriga a falar em voz alta o que está dizendo. "Eu pedi para Deus não me fazer sentar no canto nunca mais"

Davis só sentiu que havia finalmente deixado o canto e o castigo muitos anos depois, quando milhares de disléxicos como ele já haviam passado pelo Reading Research Council, um dos programas do Ron Davis´s Research Council. "O tom coloquial com que é escrito promove uma leitura que flui rapidamente. Aparentemente simples e fácil, o livro engana. Na verdade, trata-se de um livro denso: traz muita informação e, principalmente, muita inovação", afirma a psicoterapeuta Ana Lima, que assina o prefácio à edição brasileira. Por isso, é indicado não apenas para os professores e outros profissionais que lidam com o assunto, mas também para os pais que buscam mais informação.

A maior parte das pessoas que conhece o termo "dislexia" o associa a um transtorno de aprendizado que impede os portadores de lerem e compreenderem aquilo que estão lendo e também de escrever apropriadamente. Um distúrbio da leitura e da escrita. O autor mostra, em 34 capítulos divididos em quatro grandes blocos — "O que é realmente a dislexia", "O pequeno D.P. – uma teoria de desenvolvimento da dislexia", "O dom" e "Fazendo algo a respeito" — que, para início de conversa, a leitura e a escrita não são as únicas situações em que os sintomas da dislexia aparecem. E, numa visão que representa um giro de 180 graus em relação às abordagens tradicionais, pródigas em diagnósticos e técnicas paliativas, mas carentes de propostas de solução do problema, mostra que o disléxico, com sua extraordinária habilidade de pensar principalmente em imagens, precisa ter esse dom desenvolvido e não controlado ou reprimido com métodos que cerceiam sua incrível criatividade, como faz a educação tradicional do Ocidente.

No glossário ao final do livro, dislexia é definida como "um tipo de desorientação causada por uma habilidade cognitiva natural que pode substituir percepções sensoriais normais por conceituações; dificuldades com leitura, escrita, fala e direção, que se originam de desorientações desencadeadas por confusões com relação aos símbolos. A dislexia se origina de um talento perceptivo"

Davis mostra que problemas na escola com leitura, escrita, ortografia e matemática, ou ainda troca de letras e palavras, ou lentidão na aprendizagem, são apenas um aspecto da dislexia. "Uma vez, quando fui convidado para uma entrevista na televisão, perguntaram-me pelo ‘lado positivo’ da dislexia. Como parte da resposta, relacionei cerca de uma dúzia de disléxicos famosos. A entrevistadora então comentou: ‘Não é surpreendente que todas essas pessoas tenham sido gênios, apesar de serem disléxicos?’ Ela não percebeu o x da questão. A genialidade deles não ocorreu apesar da dislexia mas por causa dela!

O autor lembra que a palavra dislexia foi o primeiro termo usado genericamente para designar vários problemas de aprendizagem, e por isso ele a classifica de "a mãe do todos os transtornos de aprendizagem". Desde o início do século passado, os pesquisadores apresentaram várias teorias para explicá-la, como algum tipo de lesão cerebral ou nervosa ou ainda uma disfunção congênita. Mas já são mais de 70 os nomes utilizados para descrever seus diferentes aspectos. O fato é que a maioria das teorias foi formulada para explicar sintomas ou características da dislexia, e por que o transtorno ocorreu. A novidade que Davis propõe é a correção da dislexia.

Para Davis, a orientação — compreendida como a capacidade de ver, ouvir ou sentir o mundo exterior a partir de um ponto de vista que faz sentido para a pessoa — é fundamental. Por essa razão ele propõe que as palavras que causam problemas para os disléxicos — que ele chama de palavras-gatilho —, que têm significados e, freqüentemente, vários sentidos diferentes, além de serem comuns na linguagem escrita e falada do dia-a-dia, sejam listadas e trabalhadas com os disléxicos.

Além de dedicar capítulos especialmente aos problemas enfrentados pelos disléxicos com a matemática e a escrita, que tanto preocupam os pais, Davis aborda o Transtorno de Déficit de Atenção (TDA). Ele faz uma dura crítica à freqüência com que escolas vêm utilizando essas palavras para definir um transtorno de aprendizagem, quando, na verdade, se trata de problemas distintos.

"Na maioria dos casos, não se deveria falar em transtorno de aprendizagem, mas em transtorno de ensino. Existe um transtorno médico genuíno chamado TDA que impede a pessoa de manter a atenção. (...) Atualmente, muitos estudantes que não conseguem manter a atenção fixa por muito tempo numa tarefa estão sendo diagnosticados como portadores de TDA. Diz-se a seu respeito que se ‘distraem facilmente’. Levam sua atenção a outras coisas no ambiente em vez de se manterem ligados no que o professor determinou. Às vezes, o problema da TDA é acompanhado de uma segunda condição, a hiperatividade. Ambas têm suas raízes nas diferenças do desenvolvimento das crianças disléxicas durante a primeira infância." Davis sustenta que é natural e fácil para as crianças disléxicas prestar atenção, o difícil para elas é se concentrar. E que, "geralmente, são os disléxicos que são rotulados com a etiqueta hiper por causa dos efeitos físicos da desorientação. Os estudantes, em sua maioria, simplesmente ficam entediados e lutam para permanecer acordados quando estão desinteressados ou confusos. Os disléxicos se tornam também desorientados"

E o autor dá uma alfinetada na porção de culpa das escolas. "Aprender a ficar orientado elimina os sintomas de desorientação, mas nunca tornará um estudante interessado numa matéria que está sendo dada pobremente. É interessante notar que professores muito bons raramente parecem ter estudantes que sofrem de TDA em suas classes, apesar de alguns destes mesmos estudantes serem tachados de portadores de TDA em outras classes.

O livro O dom da dislexia – Por que algumas das pessoas mais brilhantes não conseguem ler e como podem aprender, foi impresso com uma fonte maior do que o habitual e com cuidado de só permitir o aparecimento de palavras divididas no fim de uma linha quando não houvesse alternativa. Isso para fazer com que a leitura do livro se torne mais agradável para algum possível disléxico que desejar lê-lo. Além disso, o livro apresenta uma série de exercícios das técnicas criadas pelo autor para ajudar os disléxicos a desenvolverem seu dom

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Oportunidade de Trabalho para dislexico

Pessoal, meu filho Thiago tem 30 anos é disléxico, discalcúlico e TDA. Possui curso Técnico de Massoterapia e Tecnológico em Gestão Ambiental, mas não consegue trabalho. Devido aos Disturbios que tem, não passa nas entrevistas de emprego. É uma pessoa maravilhosa, educado, lindo, vaidoso e gentil. Se algum leitor deste Blog pode e deseja dar uma oportunidade para ele, por favor entre em contato conosco. Ele aceita qualquer tipo de trabalho desde que seja honesto e sério. Muito obrigada a todos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Depoimento de um disléxico

Nem tudo está perdido!

Com o diagnóstico de dislexia consegui condição especial para o vestibular, sem problemas. Mas sempre ficava a preocupação... E emprego como faço? As empresas vão ter a compreensão adequada sobre as minhas dificuldades? Vai entender que também tenho habilidades?

Mas parece que as coisas estão mudando...

No dia 11.10 houve prova de concurso público para a função de Oficial de Justiça. Me inscrevi e observei que havia condição diferenciada para deficientes. Mas não era o meu caso. Entrei em contato por telefone e expliquei a minha condição de disléxico e informei que gostaria de ter uma pessoa para ler para mim no dia da prova e também tempo a mais para a conclusão da mesma. Me pediram para passar um fax com a solicitação. E assim fiz. Passei uma solicitação explicando o que eu precisava e também passei o relatório da ABD.

Para minha surpresa, no dia da prova, 11.10, minha solicitação havia sido atendida e lá estava uma pessoa para fazer a leitura da prova para mim em uma sala separada dos demais.

Considero uma vitória e gostaria que os outros disléxicos tomassem conhecimento para também solicitarem estas condições quando forem participar de algum concurso público.

Parabéns aos governos por darem oportunidades a todos nós.


Valter Lenadro De Luca - Out 2009
Extraido do site da ABD www.dislexia.org.br

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Fonoaudiologia e o TDAH

A principal característica do TDAH, é um padrão de desatenção e/ ou hiperatividade.

A desatenção,ou falta de concentração, podem manifestar-se em várias situações, sejam elas escolares, profissionais ou sociais.

A hiperatividade e a impulsividade, causam tantos prejuízos quanto a desatenção.

Esses indivíduos, em sua maioria, têm índices de QI acima da média, levando a família a não entender, como é possível ser tão inteligente em certos aspectos e tão desinteressados nos estudos.

Todos os sintomas, certamente estarão presentes antes dos 7 anos de idade ,mas infelizmente quase nunca são diagnosticados precocemente.

É mais comum que isso aconteça ,durante as primeiras séries escolares ,ou quando encaminhados ao médico especialista por algum outro profissional da saúde (fonoaudiólogo, psicólogo ,etc).

Relaciono a seguir, alguns transtornos que poderão acometer o TDAH, tratados por fonoaudiólogos.

DISLALIA—É a troca ,omissão ou simplesmente distorção de fonemas na linguagem falada.

Vale ressaltar que a criança hoje, deve ter a linguagem correta até os 4 anos de idade.(Devido a cobranças sociais e escolares antecipadas na Atualidade).

A dislalia do TDAH ,é exclusivamente funcional ou seja, aquela em que se descarta qualquer alteração ou má formação orgânica.

Para se adquirir padrões corretos de fala ,a criança ,ouve, repara, e se corrige automaticamente, a medida que desenvolve a linguagem. (A compreensão é anterior )

O indivíduo portador de TDAH , com hiperatividade ou não, tem deficiência na atenção ,e , sem a mesma, em alguns casos , a aquisição da fala fica prejudicada.

O dislálico é fluente ,ele fala com desenvoltura ,mesmo que seja incompreensível. A principal queixa da família é que ele parece falar em outra língua.

Na verdade ,ele acredita que fala como ouve.

Daí a necessidade de só falar de forma correta , para que se processe o feedback auditivo.

Dislexia - É um distúrbio específico da linguagem, caracterizado pela dificuldade ou incapacidade de decodificar (compreender) palavras escritas.

A dislexia é uma alteração da leitura ,que certamente estará presente no indivíduo dislálico não tratado até a alfabetização.

Existem maiores e menores graus de comprometimento, em se tratando de dislexia.

Na cabeça do disléxico ,os símbolos gráficos que compõem a leitura ,não fazem nenhum ou pouco sentido.

Acredita-se que isso possa estar também relacionado ao desenvolvimento psicomotor, (Que deveria estar pronto,antes do aprendizado da leitura e da escrita).

Na dislexia ,encontra-se comprometida a consciência do eixo corporal e a lateralidade. Esse indivíduo vai confundir-se eternamente com direita e esquerda por exemplo.

A causa primária da dislexia é a relação espacial alterada, fazendo com que a criança não consiga decifrar satisfatoriamente os códigos da escrita (ler).

Nem todo distúrbio de aprendizagem é dislexia.

Para se ter um diagnóstico de dislexia faz-se necessário uma avaliação cuidadosa ,geralmente por feita por uma equipe multi-disciplinar.

Essa equipe terá a função básica de eliminar ou apontar outras causas responsáveis pela não aquisição da leitura.

O TDAH , pode apresentar dislexia em sua forma total ou simples distúrbio no aprendizado da leitura.

A escrita e a leitura ,estão intimamente ligadas, porém uma , pode estar comprometida e a outra não.

DISGRAFIA- . É uma deficiência na linguagem escrita , mais precisamente na qualidade do traçado gráfico , sem comprometimento neurológico e/ou intelectual.

Nas disgrafias, também encontramos níveis de inteligência acima da média ,mas por vários motivos ,apresentam escrita ilegível ou lenta.

A ‘letra feia’ (disgrafia) está ligada à dificuldades para recordar a grafia correta para representar um determinado som ouvido , ou elaborado mentalmente.

A criança ,escreve devagar ,retocando as letras , e realizando de forma inadequada as uniões entre as mesmas.

Normalmente as amontoa ,com o objetivo de esconder os erros ortográficos.

Assim como a dislexia ,a disgrafia também está relacionada à má organização de espaço temporal, fazendo com que uma organização de caderno, por exemplo, seja ‘inexistente’.(usa espaços inadequados entre as palavras, margens inexistentes, letras deformadas, escrita ascendente ou descendente ,etc).

DISORTOGRAFIA- Tanto a disgrafia ,quanto a disortografia, são alterações da linguagem escrita.

Essas duas alterações, podem estar presentes num mesmo indivíduo, mas não é via de regra.

Na disortografia, a criança escreve nos espaços certos , a caligrafia é clara ,porém cheia de erros ortográficos.

Antes de se fazer um diagnóstico de disortografia, deve-se avaliar com cuidado o grau de escolaridade . No processo educacional, dependendo da série ,vários erros ortográficos serão permitidos.

A disortografia é a incapacidade de aprender a usar os processos gráficos para representar na escrita a linguagem oral.

DISCALCULIA- A discalculia, é a dificuldade ou a incapacidade de realizar atividades aritméticas básicas, tais como quantificação, numeração ou cálculo.

A discalculia é causada por disfunção de áreas têmporo–parietais, muito compatível com o exame clínico do TDAH.

Vale lembrar que alguns indivíduos têm menos aptidão para matemática do que outros, e nem por isso pode-se diagnosticá-los como se tivessem discalculia.

A discalculia está quase sempre associada à quadros de dislexia e do TDAH. (onde se encontram indivíduos com QI acima da média.)

Eliana de Souza Alves Mancini

Fonoaudióloga

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

TESTE PARA SINDROME DE IRLEN

Marque cada resposta em relação a você durante atividades de leitura: SIM NÃO

01. Você salta palavras ou linhas quando lê?

02. Você relê palavras ou linhas?

03. Ao ler um texto, você perde a parte onde estava?

04. Você se desliga do que está lendo com frequência?

05. Quando está lendo, você precisa de fazer intervalos?

06. Você sente que a leitura fica mais difícil na medida em
que você lê?

07. Você fica com dor de cabeça quando lê?

08. Quando você lê, seus olhos ficam ardendo, com sensação de
areia ou lacrimejando?

09. Ler o(a) deixa cansado(a)?

10. Você pisca, aperta os olhos ou franze a testa ao ler?

11. Você prefere ler em ambiente menos iluminado?

12. Você lê com a página muito perto dos olhos?

13. Você usa o dedo ou um objeto para ir marcando onde está no texto enquanto está lendo?

14. Você fica agitado, hiperativo ou mexe muito quando lê?


Obs. A partir de 3 (três) respostas com SIM, há indicação da necessidade do teste completo, com avaliação profissional por um(a) screener certificado(a).

© Irlen 2006 – Traduzido, com permissão, por Lucília Panisset Travassos, Screener Certificada pelo Irlen Institute / Hospital de Olhos de MG
lucilia@irlenbrasil.com.br
ou www.apraconhecimento.com.br

Matéria extraida do site: www.irlenbrasil.com.br

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Teste Dislexia Adultos

1: Tem dificuldade em distinguir o lado esquerdo e o direito?

2: É complicado ler um mapa ou encontrar uma direção para um local desconhecido?

3: Sente-se desconfortável quando tem que ler em voz alta?

4: Demora mais tempo do que era suposto para ler a página de um livro?

5: Sente dificuldade em perceber ou recordar tudo o que leu?

6: Não gosta de ler livros com muitas páginas?

7: Tem dificuldade em soletrar palavras?

8: A sua letra (caligrafia) é difícil de ler?

9: Fica confuso se tiver que falar em público?

10: Acha difícil escrever mensagens no telefone celular?

11: Quando diz uma palavra longa, tem dificuldade em dizer os sons pela ordem correta?

12: Acha difícil somar ou subtrair usando somente a sua mente (sem usar os dedos ou papel)?

13: Confunde os números quando os marca no telefone?

14: Não consegue dizer os meses do ano rapidamente?

15: Não consegue dizer os meses do ano de trás para a frente?

16: Confunde datas e horas e esquece-se de compromissos importantes?

17: Acha que o preenchimento de impressos são algo confusos?

18: Confunde números como 95 e 59?


Se voce é ou se sente conforme descrito acima, voce tem grande chance de ser um disléxico.

Fonte: www.espacoaprendizagem.info/teste-dislexia-adulto/

domingo, 7 de novembro de 2010

Dra Marcia Guimarães (Oftalmologista)

Informo abaixo os dados de contato da Dra. Márcia Guimarães - Oftalmogista especializada em Disturbios de Aprendizagem relacionados à visão.

Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães
Rua da Paisagem, 220 Vila da Serra - Belo Horizonte - MG - Brasil
telefone: (31) 3289-2000
email: holhos@holhos.com.br
site: www.holhos.com.br

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Matéria para o Fantástico

Pessoal, a reportagem sobre discalculia que iria ao ar neste domingo no Fantástico, foi cancelada.
Avisarei a todos quando tiver nova data.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

TDAH ou DDA - DEFINIÇÃO

Distraído, enrolado, esquecido, desorganizado, impulsivo, agitado, inquieto...

Estes são alguns dos adjetivos mais comuns usados para descrever o comportamento de pessoas que injustamente tida como preguiçosas, irresponsáveis e rebeldes, na verdade possuem um funcionamento mental diferente. São os portadores do Distúrbio de Déficit de Atenção, o DDA também conhecido como TDAH e ADD.

DEFINIÇÂO:

De acordo com os psiquiatras Edward Hallo e John Raley, o DDA é :

"Uma síndrome neurológica caracterizada por certa facilidade para distração, baixa tolerância a frustação e ao aborrecimento, uma tendência maior do que a média das pessoas a dizer ou fazer o que quer que vem a mente (impulsividade) e uma predileção por situações de grande intensidade".

Em tempo: O diagnóstico de DDA não se baseia na simples presença dos sintomas, mas em sua gravidade, duração e no nível de interferência na vida coridiana.

O Transtorno de Déficit de Atenção afeta de 3 a 5% das crianças. Este dado já foi confirmado em vários países e também no Brasil.

As crianças com TDAH, em especial os meninos, são agitadas ou inquietas. Frequentemente têm apelido de "bicho carpinteiro" ou coisa parecida. Na idade pré-escolar, estas crianças mostram-se agitadas, movendo-se sem parar pelo ambiente, mexendo em vários objetos como se estivessem
"ligadas" por um motor. Mexem pés e mãos, não param quietas na cadeira, falam muito e constantemente pedem para sair da sala ou da mesa de jantar.

Elas tem dificuldades para manter atenção em atividades muito longas, repetitivas ou que não lhes sejam interessantes. Elas são facilmente distraidas por estimulos do ambiente externo, mas também se distraem com pensamentos "internos", isto é, vivem "voando". Nas provas, são visíveis os erros por distração (erram sinais, vírgulas, acentos, etc). Como a atenção é imprescindível para o bom funcionamento da memória, elas em geral são tidas como "esquecidas": esquecem recados ou material escolar, aquilo que estudaram na véspera da prova, etc. (O "esquecimento" é uma das principais queixas dos pais).

Elas também tendem a ser impulsivas (não esperam a vez, não lêem a pergunta até o final e já respondem, interrompem os outros, agem sem pensar). Frequentemente também apresentam dificuldades em se organizar e planejarem aquilo que querem ou precisam fazer.

Embora possam ser inteligentes e criativas, seu desempenho sempre parece inferior ao esperado para a sua capacidade intelectual. O TDAH não se associa necessariamente a dificuldades na vida escolar, embora esta seja uma queixa frequente dos pais e professores. É mais comum que os problemas na escola sejam de comportamento que de rendimento (notas).

Quando elas se dedicam a fazer algo estimulante ou do seu interesse, conseguem permanecer bem mais tranquilas. Isto ocorre porque os centros de prazer no cérebro são ativados e conseguem dar um "reforço" no centro da atenção que é ligado a ele, passando a funcionar em níveis normais. O fato de uma criança conseguir ficar concentrada em alguma atividade, não exclui o diagnóstico de TDAH. É claro que não fazemos coisas interessantes ou estimulantes desde a hora que acordamos até a hora em que vamos dormir: Os portadores de TDAH vão ter muitas dificuldades em manter a atenção em um monte de coisas.

Um aspecto importante: as meninas tem menos sintomas de hiperatividade-impulsividade que os meninos (embora sejam igualmente desatentas), o que fez com que se acreditasse que o TDAH só ocorresse no sexo masculino. Como as meninas não incomodam tanto, eram menos encaminhadas para diagnóstico e tratamento médicos.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Depoimento de Esposa de Disléxico

Meu nome é Érica, sou professora de espanhol, médica e esposa de um disléxico há 8 anos. Há muito tempo venho pensando em escrever minhas impressões pessoais e profissionais a respeito da dislexia e do aprendizado (que inclusive foi o tema da minha monografia de fim de curso na graduação em Medicina). E acredito que agora seja um bom momento para isso, devido ao fato de que meu marido ingressou no grupo virtual "Amigos da Dislexia".

Percebi que diversas questões são levantadas por pais e por pessoas que convivem com os disléxicos neste grupo, inclusive em relação ao uso de medicamentos, na tentativa de ajudar os disléxicos a se curarem ou pelo menos a melhorarem sua performance acadêmica. Bom, é aí que começa meu depoimento...

Quando estamos emocionalmente envolvidos com pessoas que apresentam algum tipo de padrão fora do "normal", tendemos a ficar angustiados e apreensivos por aqueles que amamos. Tanto faz ser um padrão físico, emocional, comportamental, social ou de qualquer outra natureza. Aqueles que não se encaixam na normalidade do grupo em que estão inseridos tendem a ser marginalizados. E não queremos isso para aqueles que nos são caros. Então tentamos de várias formas fazer com que as pessoas se "encaixem", se "adequem", para que possam ser aceitas e não serem motivo de risadas e chacotas, para que nós, os "normais", fiquemos mais tranqüilos.

É bom saber que nossos entes queridos também são plenamente aceitos, não é? E que sensação boa quando seus males são aliviados ou curados! E que alegria ver que todos estamos trilhando o mesmo caminho para a felicidade e o sucesso! E é muito bom poder ajudar.

Certamente são posturas nobres e que exigem, às vezes, um enorme esforço daqueles que são "normais", porque não é fácil para nós conviver com pessoas que estão constantemente nos surpreendendo com diferenças com as quais nem sempre conseguimos lidar de forma positiva. E de vez em quando nos desesperamos e até mesmo tendemos a desistir, porque é muito desgastante ficar por anos a fio buscando a resolução de um problema que parece insolúvel. Por outro lado, os disléxicos também se esforçam muito para se adaptar ao mundo como ele deve ser, mas nem sempre conseguem ver progressos apesar de todas as exaustivas tentativas. E sofrem. E deste sofrimento vem a irritabilidade, a raiva, a ira, o ódio e a vontade de jogar tudo para o alto.

E o sentimento de inferioridade, de derrota, de fracasso como pessoa e como profissional. Aquele que nunca vai conseguir ser ninguém na vida porque nasceu com um problema no cérebro. E os que são normais não conseguem encontrar a cura para esse mal. E os disléxicos tornam-se um fardo para os outros e um peso morto para si mesmos. Simplesmente chegamos a um beco sem saída...

Até que, num belo dia, alguém que diz ser disléxico aparece com uma história de vida cheia de realizações. Parece normal, adaptado e aceito. Feliz, em suma. E que inveja!!!! Então os normais querem saber a cura, querem saber como ele conseguiu, para poder ajudar os disléxicos que amam e que ainda não conseguiram dar um passo maior. E os disléxicos querem saber como um "igual" conseguiu ser "diferente"... Irônico.

É neste ponto que começo a me fazer algumas perguntas. Em primeiro lugar, por que procuramos uma "cura" para a dislexia? Ela é mesmo uma doença? Em segundo lugar, qual é o problema de sermos diferentes? Não é a diversidade o grande diferencial do ser humano? Em terceiro lugar, se os disléxicos se sentem discriminados por nós, não seríamos nós que deveríamos mudar? E quem disse que todos temos que seguir o mesmo caminho para alcançarmos nossos objetivos? E quem disse que nossos objetivos têm que se iguais? E onde está escrito que ser disléxico é ruim? Por fim, quem somos nós para sairmos por aí julgando uns aos outros? Não paramos para pensar que é nosso julgamento cheio de idéias pré-concebidas que faz com que o sofrimento seja gerado? Afinal, o que nós buscamos?

Dislexia é uma disfunção do cérebro no processamento das informações (principalmente no que tange à palavra escrita e ao cálculo), mas não é uma doença. Por quê? Simplesmente porque se fosse uma doença, aqueles que conseguiram êxito teriam ficado curados. Mas continuam sendo perfeitamente... disléxicos. É só parar para pensar: quem combate uma infecção de garganta e tem sucesso é porque ficou curado, ou seja, não existe mais nenhum traço da doença em seu organismo. A mesma coisa ocorre com quem enfrenta o câncer. Ou seja, em casos simples ou graves, a cura vem da extinção do problema.

Mas alguém já parou para conversar com um disléxico que conseguiu ir adiante? E em algum momento ele disse que deixou de ser disléxico? Se é assim, não foi o remédio ou a terapia ou a "cura" que o fizeram ir além. Claro que suporte é importante, mas muito mais devido ao sentimento de inferioridade e ao preconceito do que por qualquer outro motivo. O disléxico que teve sucesso profissional e acadêmico é, antes de tudo, disléxico. E se assume como tal, sem vergonha ou medo. Só que ele conseguiu um meio próprio, pessoal, de driblar a dislexia e de se encaixar no mundo "normal". Já imaginou o que é isso? Que capacidade imensa de raciocínio e de percepção? Que força de vontade e que perseverança incríveis? Que inteligência fantástica? É só fazermos o raciocínio inverso: será que nós, os normais, conseguiríamos passar um dia na pele de um disléxico? Quem consegue "imitar" um disléxico sem cometer nenhuma falha? Quem consegue se submeter a diversos tipos de avaliações e testes sem se sentir uma cobaia ou sem se sentir deslocado?

Pois é.

Se você ainda não tinha pensado nisso, provavelmente também não percebeu que cada disléxico é diferente do outro (afinal, cada ser humano é diferente do outro) e que o padrão da dislexia só serve para nós tentarmos entendê-los. Porque os disléxicos sabem muito bem quem são e que dificuldades enfrentam. Eles não têm incapacidade mental, não são "retardados" nem "burros". Apenas seu cérebro funciona de outra forma. E somos nós que não conseguimos ver isso. E por nossa dificuldade de entender como um disléxico processa as informações, os taxamos de incapazes. Pense bem: se uma das principais barreiras para o disléxico é a escola, por que a escola não se torna mais ampla e tenta fornecer a essa criança a oportunidade de aprender de forma diferente?

Por que é tão difícil imaginar um sistema educacional novo? Por que nos apegamos tanto ao ensino tradicional se estamos vendo a todo momento que ele não abrange satisfatoriamente as necessidades de um grupo imenso da população? E não estou falando apenas de disléxicos...

De forma geral, temos muita dificuldade em aceitar diferenças. E de nos adaptar a elas. E se a diferença está em um semelhante, aí mesmo é que não queremos vê-la. No final das contas, esse é meu recado: aceitem os disléxicos que vocês amam como eles são. Tentar "curá-los" é tentar fazer com que deixem de ser eles mesmos. E se vocês os amam desse jeito mesmo, por que outras pessoas também não serão capazes de fazê-lo? Cabe a nós perdermos essa necessidade de igualar todas as pessoas.

Claro que queremos que nossos disléxicos tenham sucesso na escola e/ou na profissão, mas não temos que igualá-los aos outros para isso. Temos que perder essa ansiedade, que só atrapalha. Disléxicos não são nem melhores nem piores do que qualquer outra pessoa. Todos nós temos limitações, ninguém pode tudo. Mas o mundo foi adaptado às limitações da maioria, que são as pessoas consideradas normais, e essas limitações são amplamente aceitas. Por isso, caros "normais", não se angustiem com outros tipos de limitações. Isso só gera medo, insegurança e conflitos. Crianças, adolescente ou adultos, todos precisamos nos afirmar como "capazes". E todos somos. Só é preciso encontrar o jeito de cada um.

Abraços a todos,
Érica Ciarlini - Médica e esposa de um disléxico.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

TDAH x CO-MORBIDADES

Segundo o Professor Dr Fábio Barbirato, chefe do serviço de psiquiatra infanto-juvenil, da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, as Co-morbidades em T.D.A.H. são regras e não exceções, pois 51 % dos pacientes infanto-juvenis, portadores de T.D.A.H., ao chegarem ao consultório, apresentam pelo menos mais um diagnóstico psiquiátrico. Esta afirmação é verificada também com os dados de pesquisa do Dr Biederman, que além de confirmarem este fato, mostra que em adultos a situação é mais grave, pois as co-morbidades chegam a 77 % dos pacientes que são portadores de T.D.A.H.

Queremos que entendam, que co-morbidades são outra ou outras patologias que incidem sobre o mesmo paciente, simultaneamente. Pode ser desenvolvida a partir do transtorno básica, o T.D.A.H., ou desenvolvida paralelamente a este, podendo o paciente ter uma, duas ou mais co-morbidades, com graus variados de intensidade.

As co-morbidades mais freqüentes em pacientes portadores de T.D.A.H., são: Transtorno da Ansiedade Generalizada ( 34% ), Depressão ( 20% ), Transtorno Obsessivo Compulsivo ( 11% ), Tics motores ( 11% ), Síndrome de Tourrete (6.5% ), Transtorno do Humor Bipolar ( 20% ), Transtorno Opositor Desafiador ( 40 a 60 % ), Transtorno de Conduta(50%), Transtorno de Aprendizagem (dislexia, dislalia, disfonia, disartria, discalculia, disgrafia, etc ( 10% ), Evasão Escolar ( 60 % ), Abusador de Substancias ou Dependencia Química ( 40 % ) e outros Transtornos como: Enurese Noturna, Jogador Compulsivo, Esbanjador, Comprador Compulsivo, Comer Compulsivo, Falar Compulsivo, Hipersexualidade, Gravidez Precoce, doenças Sexualmente Transmissíveis, etc.

Muitas vezes, as co-morbidades, podem ser mais graves que a própria doença básica. Como exemplo, podemos citar o caso de um paciente T.D.A.H. que apresenta como co-morbidade a dependência química à cocaína, com dificuldades sérias de adaptação social e profissional. Neste caso, a co-morbidade, que é a dependência química, passa a ser prioritária em termos de tratamento. Que deverá ser encaminhado à serviços especializados.

De certa forma, o diagnóstico do T.D.A.H.não é dos mais complexos em medicina, pois um profissional competente, conhecedor dos sintomas do T.D.A.H.e que disponibilize um bom tempo para fazer uma boa anamnese, não terá dificuldades em fazer o diagnóstico, contudo o grande problema encontra-se no diagnóstico diferencial e no diagnóstico das co-morbidades, para instituir um tratamento específico para cada caso, pois muitos pacientes diagnosticados como portadores de T.D.A.H. na realidade não são. Outras vezes, estes pacientes, devem ser submetidos ao tratamento para T.D.A.H. e suas co-morbidades, simultaneamente, caso contrário, não teremos o resultado esperado com o tratamento proposto.

Queremos aqui, alertar para um fato muito importante, que é o modelo de tratamento proposto para o T.D.A.H.e os demais transtornos neurocomportamentais. É comum nos dias atuais encontrarmos pacientes T.D.A.H., em tratamento com vários profissionais, que não só, não apresentam uma qualificação adequada para conduzir o tratamento, bem como, não estão, eticamente autorizado para tal. Deixamos bem claro, que a condução do tratamento de um paciente T.D.A.H., é da competência exclusiva de um profissional médico, onde o modelo proposto a nível internacional é o interdisciplinar, cabendo ao médico coordenar o tratamento, e só o médico poderá dar o diagnóstico, mesmo que para isto venha solicitar pareceres de profissionais de outras áreas afins, como psicólogos, fonoaudiólogos e pedagogos, bem como, só os médicos podem receitar medicamentos, para tratamento do T.D.A.H.

Outro fato importante, é que o modelo padrão ouro, internacional para o tratamento de pacientes T.D.A.H. e co-mórbidos, é aquele que tem como suporte quatro importantes pilares, que são: O ATENDIMENTO A FAMILIA, ORIENTAÇÃO À ESCOLA, TERAPIA DO PACIENTE ( COGNITIVO-COMPORTAMENTAL) E A FARMACOTERAPIA. Com estes quatro suportes no tratamento, os pacientes terão melhora satisfatória do quadro e responderão bem ao tratamento. Por tanto, um médico conhecedor do T.D.A.H., um psicólogo que trabalhe com terapia cognitivo-comportamental como técnica psicoterápica, a orientação à escola de como lidar e manejar esta criança e a orientação aos pais ou cuidadores, a maioria absoluta destes pacientes, responderão de forma adequada ao tratamento.

Quando necessário, a equipe multidisciplinar poderá ser ampliada e os profissionais inerentes à equipe, de áreas afins, poderão ser convidados para avaliar o paciente, emitindo laudos técnicos de seus pareceres, podendo inclusive ser chamado a intervir, dentro do modelo interdiciplinar, como em casos de distúrbios de aprendizagem, como: dislexia, discalculia, disartria, disfonia, dislalia, etc, o fonoaudiólogo deverá ser consultado e o paciente receberá um tratamento interdisciplinar mais amplo. Da mesma forma, caso haja falhas ou lacunas pedagógicas a serem preenchidas, o pedagogo poderá ser incluído na equipe para emissão de pareceres e participação na equipe interdisciplinar.

Freqüentemente, em nosso serviço, atendemos pacientes que estavam em tratamento para T.D.A.H. com profissional não médico, sem a intervensão interdisciplinar, como o modelo proposto nos países desenvolvidos. A maioria das vezes de forma empírica, sem uso adequado de neuroestimulantes, muitas vezes subdosados ou mesmo usando placebo, como os florais, que cientificamente não tem o menor valor no tratamento do T.D.A.H.

Com isto, podemos concluir que nenhum profissional, de forma individual, conseguirá fazer um tratamento adequado do T.D.A.H., por mais competente que seja.

Convidamos aos interessados a manterem contato com o nosso site, para serem informados sobre todas co-morbidades encontradas freqüentemente nos pacientes TDAH, em boletins editados mensalmente pelo serviço do GAETAH (Grupo de Apoio e Estudo do Transtorno de Déficit de Atenção e hiperatividade).

Fiquem atentos a novas informações atualizadas sobre o TDAH e a eventos sobre o assunto.

Irineu Dias
Clínica Médica
Site: www.tdah.com.br

COMO ENTENDER OS 'DIS'

Como entender os DIS?

Dislexia, Disortografia, Disgrafia, Discalculia...Para cada hipótese, temos um entendimento neurológico e evolutivo de cada expressão e seu respectivo significado:

1) Dislexia:


É a incapacidade de processar o conceito de codificar e decodificar a unidade sonora em unidades gráficas, (forma de grafemas) com capacidade cognitiva preservada (nível de inteligência normal). Os disléxicos têm capacidade para aprender todas as funções sociais e até altas habilidades, desde que, bem diagnosticado, seja trabalhado em suas áreas corticais favoráveis e com estratégias e intervenções adequadas. Essa intervenções devem valorizar suas funções viso-motoras, imagens com significado e significante associados a ritmo e memória visual auxiliando sua memória auditiva, para que desenvolva a capacidade por outras rotas (sabido que sua rota fonológica é prejudicada).

2) Disortografia:


Definimos como disortografia, os erros na transformação do som no símbolo gráfico que lhe corresponde. Nem sempre a disortografia faz parte da dislexia e pode surgir nos transtornos ligados á má alfabetização, na dificuldade de atenção sustentada aos sons, na memória auditiva de curto prazo (Déficit de Atenção) e também nas dificuldades visuais que podem interferir na escrita. Quando não estão co-morbidas à Dislexia, o prognóstico é melhor.

3) Disgrafia:


Não se pode confundi-la ou compará-la com disortografia, pois a disgrafia tem características próprias. A criança com disgrafia apresenta uma escrita ilegível decorrente de dificuldades no ato motor de escrever, alterações na coordenação motora fina, ritmo, e velocidade do movimento, sugerindo um transtorno praxico motor (psicomotricidade fina e visual alteradas).

4) Discalculia:


A Discalculia do desenvolvimento é uma dificuldade em aprender matemática, com falhas para adquirir adequada proficiência neste domínio cognitivo, a despeito de inteligência normal, oportunidade escolar, estabilidade emocional e motivação. Não é causada por nenhuma deficiência mental, déficits auditivos e nem pela má escolarização. As crianças que apresentam esse tipo de dificuldade realmente não conseguem entender o que está sendo pedido nos problemas propostos pela professora. Não conseguem descobrir a operação pedida no problema: somar, diminuir, multiplicar ou dividir. Além disso, é muito difícil para elas entenderem as relações de quantidade, ordem, espaço, distância e tamanho.

Aproximadamente de 3 a 6% das crianças em idade escolar tem discalculia do desenvolvimento (dados da Academia Americana de Psiquiatria). De um modo geral, o prognóstico das crianças com discalculia é melhor do que as crianças com dislexia, ou pelo menos, elas tem sucesso em outras atividades que não dependam desta área de calculo numérico.

Conclusão:

Todo trabalho escolar da vida acadêmica de uma criança deve ser investigado precocemente, desde seus primeiros momentos em berçários, creches e escolas infantis, pois a detecção de falhas ou inabilidade no seu D.N.P.M. (desenvolvimento neuropsicomotor) será preciosa para atendê-la melhor até seu inicio ao ensino formal, respeitando seu ritmo, mas oferecendo-lhe oportunidade de uma boa intervenção, caso descubra-se precocemente esta falha ou incapacidade.

O pré-diagnóstico no âmbito escolar é excelente para o aluno, para a escola, para os pais e a sociedade, onde não se atropela o desenvolvimento e nem permite más condutas com gastos desnecessários no futuro.

Todos devem participar desse novo olhar: professores, direção de escola, pais, psicopedagogos, e outros profissionais envolvidos direta ou indiretamente na alfabetização.

Fonte: site www.pedagogia.com.br

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Matemática e Dislexia

Muitas crianças disléxicas têm dificuldade em serem rápidas e fluentes em executar cálculos tão simples como as operações de soma, subtração, multiplicação e divisão, dificuldades essas que também se refletirão na aprendizagem da tabuada.
Não obstante estes entraves, estas crianças poderão adquirir boas competências em Matemática.

Estas dificuldades com a Matemática surgem porque não há áreas do cérebro específicas para a leitura. As áreas usadas para a linguagem escrita são usadas também para outros símbolos, incluindo números, gráficos, etc.
Portanto, se houver um problema nessas áreas do cérebro, será afetado o processamento eficiente de qualquer símbolo, linguagem e Matemática incluídos.

O fato é que tanto a linguagem escrita como a Matemática são representadas por símbolos. Por exemplo: o número três (3), transmite o conceito de três unidades que podem ser representadas por três elementos ou, simplesmente ter a qualidade "três".
Ao considerarmos esses conceitos, não é de surpreender que crianças com dificuldades (dislexia) na linguagem apresentem frequentemente dificuldades em Matemática.

Um indicador muito simples para o diagnóstico destas dificuldades é a incapacidade para contar para trás de dois em dois ou de três em três, começando, por exemplo, no número trinta, ou responder corretamente quando se pergunta que número está quatro "lugares" antes de dezesseis.

A tabuada, cujo principal objetivo é reduzir o tempo de cálculo das operações, funciona frequentemente "ao contrário" para os disléxicos, pois prolonga o tempo que estes levam a fazer os cálculos.

A melhor solução imediata para contornar este problema será oferecer materiais auxiliares como esquadros, linhas numeradas ou calculadoras, em vez de obrigar estas crianças a grandes esforços de cálculo mental.

Há vários outros fatores que dificultam o trabalho matemático para crianças disléxicas, mas os que acima se mencionam são os mais relevantes para um texto que não se quer demasiado exaustivo.

O mais importante é ter consciência de que o problema existe e, assim, tentar ajudar a criança em vez de a recriminar.
Não esquecer, porém, que a dislexia deve ser diagnosticada por profissionais competentes, o que implica a intervenção de uma equipa multidisciplinar.

O cálculo mental sem recurso de calculadoras é muito importante para a aquisição de melhor capacidade de raciocínio, por isso a indicação de uso de tais instrumentos auxiliares fica ao critério de quem lida diretamente com cada situação.

Mesmo que a dislexia não seja curada, conviver com ela é necessário. Os portadores têm, inclusive, direitos assegurados por lei. Crianças com dislexia podem, por exemplo, pedir para fazer provas orais, ter uma hora a mais nas provas escritas e usar livremente uma calculadora.

domingo, 27 de junho de 2010

Como identificar um superdotado?

A presidente da APAHSD (Associação Paulista para Altas Habilidades e Superdotação), Ada Cristina Garcia Toscanini, explica que é simples identificar um indivíduo com altas habilidades.

Em geral, ele apresenta características que facilitam a detecção tais como: curiosidade, gosto por desafios e hiperatividade. Muitas vezes, os superdotados são rotulados como alunos com déficit de atenção e também como crianças-problema por adquirirem comportamentos influenciados pelo ambiente onde estão inseridos.

No entanto, a avaliação de um aluno com altas habilidades costuma ser criteriosa. Na APAHSD são aplicados testes com duração média de até seis horas.

Uma equipe de oito profissionais avalia as áreas das múltiplas inteligências descritas pelo psicólogo Howard Gardner: musical, lógico matemático, lingüística, espacial, cinestésica, interpessoal e intrapessoal. "O resultado da avaliação foge do questionário de certo e errado como é o teste de Q.I (Coeficiente de Inteligência).

Este teste, aliás, é muito subjetivo porque a qualidade das respostas depende de como o sujeito está se sentindo naquele momento e como se sente em relação ao avaliador", explica Ada.

50 dicas para administração do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) em Sala de Aula

Elaborado por: Edward M. Hallowell & John J. Ratey em 1992

Aqui apresentamos algumas dicas para o trato de crianças com TDAH na escola. As sugestões a seguir visam o professor na sala de aula para crianças de qualquer idade. Algumas sugestões vão ser evidentemente mais adequadas às crianças menores, outras às mais velhas, mas, em termos de estrutura, educação e encorajamento, são pertinentes a qualquer um.

01 - Antes de tudo, tenha certeza de que o que você está lidando é TDAH. Definitivamente não é tarefa dos professores diagnosticar a TDAH, mas você pode e deve questionar. Especificamente tenha certeza de alguém tenha testado a audição e a visão da criança recentemente e tenha certeza também de que outros problemas médicos tenham sido resolvidos. Tenha certeza de que uma avaliação adequada foi feita. Continue questionando até que se sinta convencido. A responsabilidade disso tudo é dos pais e não dos professores, mas o professor pode contribuir para o processo.

02 - Prepare-se para suportar. Ser uma professora na sala de aula onde há duas ou três crianças com TDAH pode ser extremamente cansativo. Tenha certeza de que você pode ter o apoio da escola e dos pais. Tenha certeza de que há uma pessoa com conhecimento á qual você possa consultar quando tiver um problema (pedagogo, psicólogo infantil, assistente social, psicólogo da escola ou pediatra), mas a formação da pessoa não é realmente importante. O que importa é que ele ou ela conheça muito sobre TDAH, conheça os recursos de uma sala de aula e possa falar com clareza. Tenha certeza de que os pais estão trabalhando com você. Tenha certeza de que os colegas podem ajudar você.

03 - Conheça seus limites. Não tenha medo de pedir ajuda. Você, como professor, não pode querer ser uma especialista em TDAH. Você deve sentir-se confortável em pedir ajuda quando achar necessário.

04 - PERGUNTE À CRIANÇA O QUE PODE AJUDAR
Estas crianças são sempre muito intuitivas. Elas sabem dizer a forma mais fácil de aprender, se você perguntar. Elas ficam normalmente temerosas em oferecer informação voluntariamente porque isto pode ser algo muito ousado ou extravagante. Mas tente sentar sozinho com a criança e perguntar a ela como ela pode aprender melhor. O melhor especialista para dizer como a criança aprende é a própria criança. É assustadora a freqüência com que suas opiniões são ignoradas ou não são solicitadas. Além do mais, especialmente com crianças mais velhas, tenha certeza de que ela entende o que é TDAH. Isto vai ajudar muito a vocês dois.

05 - Lembre-se de que as crianças com TDAH necessitam de estruturação. Elas precisam estruturar o ambiente externo, já que não podem se estruturar internamente por isso mesmo. Faça listas. Crianças com TDAH se beneficiam enormemente quando têm uma tabela ou lista para consultar quando se perdem no que estão fazendo. Elas necessitam de algo para fazê-las lembrar das coisas. Eles necessitam de previsões. Eles necessitam de repetições. Elas necessitam de diretrizes. Elas precisam de limites. Elas precisam de organização.

06 - LEMBRE-SE DA PARTE EMOCIONAL DO APRENDIZADO
Estas crianças necessitam de um apoio especial para encontrar prazer na sala de aula. Domínio ao invés de falhas e frustrações. Excitação ao invés de tédio e medo. É essencial prestar atenção ás emoções envolvidas no processo de aprendizagem.

07 - Estabeleça regras. Tenha-as por escrito e fáceis de serem lidas. As crianças se sentirão seguras sabendo o que é esperado delas.

08 - Repita as diretrizes. Escreva as diretrizes. Fale das diretrizes. Repita as diretrizes. Pessoas com TDAH necessitam ouvir as coisas mais de uma vez.

09 - Olhe sempre nos olhos. Você pode "trazer de volta" uma criança TDAH através dos olhos nos olhos. Faça isto sempre. Um olhar pode tirar uma criança do seu devaneio ou dar-lhe liberdade para fazer uma pergunta ou apenas dar-lhe segurança silenciosamente.

10 - Na sala de aula coloque a criança sentada próxima à sua mesa ou próxima de onde você fica a maior parte do tempo. Isto ajuda a evitar a distração que prejudica tanto estas crianças.

11 - Estabeleça limites, fronteiras. Isto deve ser devagar e com calma, não de modo punitivo. Faça isto consistentemente, previamente, imediatamente e honestamente. Não seja complicado, falando sem parar. Estas discussões longas são apenas diversão. Seja firme.

12 - Preveja o máximo que puder. Coloque o plano no quadro ou na mesa da criança. Fale dele frequentemente. Se você for alterá-lo, como fazem os melhores professores, faça muitos avisos e prepare a criança. Alterações e mudanças sem aviso prévio são muito difíceis para estas crianças. Elas perdem a noção das coisas. Tenha um cuidado especial e prepare as mudanças com a maior antecedência possível. Avise o que vai acontecer e repita os avisos na medida em que a hora for se aproximando.

13 - Tente ajudar às crianças a fazerem a própria programação para depois da aula, esforçando-se para evitar um dos maiores problemas do TDAH: a procrastinação.

14 - Elimine ou reduza a freqüência dos testes de tempo. Não há grande valor educacional nos testes de tempo e eles definitivamente não possibilitam às crianças TDAH mostrarem o que sabem.

15 - Propicie uma espécie de válvula de escape como, por exemplo, sair da sala de aula por alguns instantes. Se isto puder ser feito dentro das regras da escola, poderá permitir à criança deixar a sala de aula ao invés de se desligar dela e, fazendo isto, começa a aprender importantes meios de auto-observação automonitoramento.

16 - Procure a qualidade ao invés de quantidade dos deveres de casa. Crianças TDAH freqüentemente necessitam de uma carga reduzida. Enquanto estão aprendendo os conceitos, elas deverem ser livres. Elas vão utilizar o mesmo tempo de estudo e não vão produzir nem mais nem menos do que elas podem.

17 - Monitore o progresso freqüentemente. Crianças TDAH se beneficiam enormemente com o freqüente retorno do seu resultado. Isto ajuda a mantê-los na linha, possibilita a eles saber o que é esperado e se eles estão atingindo as suas metas, e pode ser muito encorajador.

18 - Divida as grandes tarefas em tarefas menores. Esta é uma das mais importantes técnicas de ensino das crianças TDAH. Grandes tarefas abafam rapidamente as crianças e elas recuam a uma resposta emocional do tipo eu nunca vou ser capaz de fazer isto. Através da divisão de tarefas em tarefas mais simples, cada parte pequena o suficiente para ser facilmente trabalhada, a criança foge da sensação de abafado. Em geral estas crianças podem fazer muito mais do que elas pensam. Pela divisão de tarefas o professor pode permitir à criança que demonstre a si mesma a sua capacidade. Com as crianças menores isto pode ajudar muito a evitar acessos de fúria pela frustração antecipada. E com os mais velhos, pode ajudar as atitudes provocadoras que elas têm freqüentemente. E isto vai ajudar de muitas outras maneiras também. Você deve fazer isto durante todo o tempo.

19 - Permita-se brincar, divertir. Seja extravagante, não seja normal. Faça do seu dia uma novidade. Crianças TDAH adoram novidades. Elas respondem às novidades com entusiasmo. Isto ajuda a manter a atenção - tanto a delas quanto a sua. Estas crianças são cheias de vida, elas adoram brincar. E acima de tudo, elas detestam ser molestada. Muitos dos tratamentos para elas envolvem coisas chatas como estruturas, programas, listas e regras. Você deve  mostrar a elas que estas coisas não estão necessariamente ligadas às pessoas, professores ou aulas chatas. Se você, às vezes, se fizer de bobo poderá ajudar muito.

20 - Novamente, cuidado com a superestimulação. Como um barro de vaso no forno, a criança pode ser queimada. Você tem que estar preparado para reduzir o calor. A melhor maneira de lidar com o caos na sala de aula é, em primeiro lugar, a prevenção.

21 - Esforce-se e não se dê satisfeito, tanto quanto puder. Estas crianças convivem com o fracasso, e precisam de tudo de positivo que você puder oferecer. O fracasso não pode ser superenfatizado: estas crianças precisam e se beneficiam com os elogios. Elas adoram o encorajamento. Elas absorvem e crescem com isto. E sem isto elas retrocedem e murcham. Freqüentemente o mais devastador aspecto da TDAH não é TDAH propriamente dita e sim o prejuízo à auto-estima. Então, alimente estas crianças com encorajamento e elogios.

22 - A memória é freqüentemente um problema para eles. Ensine a eles pequenas coisas como neumônicos, cartão de lembretes, etc. Eles normalmente têm problemas com o que Mel Levine chama de Memória do Trabalho Ativa, o espaço disponível no quadro da sua mente, por assim dizer. Qualquer coisa que você inventar - rimas, códigos, dicas - pode ajudar muita a aumentar a memória.

23 - Use resumos. Ensine resumindo. Ensine sem profundidade. Estas técnicas não são fáceis para crianças TDAH, mas, uma vez aprendidas, podem ajudar muitas as crianças a estruturar e moldar o que está sendo ensinado, do jeito que é ensinado. Isto vai ajudar a dar à criança o sentimento de domínio durante o processo de aprendizagem, que é o que elas precisam, e não a pobre sensação de futilidade que muitas vezes definem a emoção do processo de aprendizagem destas crianças.

24 - Avise sobre o que vai falar antes de falar. Fale. Então fale sobre o que já falou. Já que muitas crianças com TDAH aprendem melhor visualmente do que pela voz, se você puder escrever o que será falado e como será falado, isto poderá ser de muita ajuda. Este tipo de estruturação põe as idéias no lugar.

25 - Simplifique as instruções. Simplifique as opções. Simplifique a programação. O palavreado mais simples será mais facilmente compreendido. E use uma linguagem colorida. Assim como as cores, a linguagem colorida prende atenção.

26 - Acostume-se a dar retorno, o que vai ajudar a criança a se tornar auto-observadora. Crianças com TDAH tendem a não ser auto-observadora. Elas normalmente não têm idéia de como vão ou como têm se comportado. Tente informá-las de modo construtivo. Faça perguntas como: Você sabe o que fez? Ou Como você acha que poderia ter dito isto de maneira diferente? Ou Você acha que aquela menina ficou triste quando você disse o que disse? Faça perguntas que promovam a auto-observação.

27 - Mostre as expectativas explicitamente.

28 - Um sistema de pontos é uma possibilidade de mudar parte do comportamento (sistema de recompensa para as crianças menores).
Crianças com TDAH respondem muito bem às recompensas e incentivos. Muitas delas são pequenos empreendedores.

29 - Se a crianças parece ter problemas com as dicas sociais - linguagem do corpo, tom de voz, etc - tente discretamente oferecer sinais específicos e explícitos, como uma espécie de treinamento social. Por exemplo, diga antes de contar a sua história, procure ouvir primeiro a de outros ou olhe para a pessoa enquanto ela está falando. Muitas crianças com TDAH são vistas como indiferentes ou egocêntricas, quando de fato elas apenas não aprenderam a interagir. Esta habilidade não vem naturalmente em todas as crianças, mas pode ser ensinada ou treinada.

30 - Aplique testes de habilidades.

31 - Faça a criança se sentir envolvida nas coisas. Isto vai motivá-la e a motivação ajuda o TDAH.

32 - Separe pares ou trios ou até mesmos grupos inteiros de crianças que não se dão bem juntas. Você deverá fazer muitos arranjos.

33 - Fique atento à integração. Estas crianças precisam se sentir enturmadas, integradas. Tão logo se sintam enturmadas, se sentirão motivadas e ficarão mais sintonizadas.

34 - Sempre que possível, devolva as responsabilidades à criança.

35 - Experimente um caderno escola - casa - escola. Isto pode contribuir realmente para a comunicação pais - professores e evitar reuniões de crises. Isto ajuda ainda o freqüente retorno de informação que a criança precisa.

36 - Tente utilizar relatórios diários de avaliação.

37 - Incentive uma estrutura do tipo auto-avaliação. Troca de idéias depois da aula pode ajudar. Utilize também os intervalos de aula.

38 - Prepare-se para imprevistos. Estas crianças necessitam saber com antecedência o que vai acontecer, de modo que elas possam se preparar. Se elas, de repente, se encontram num imprevisto, isto pode evitar excitação e inquietos.

39 - Elogios, firmeza, aprovação, encorajamento e suprimento de sentimentos positivos.

40 - Com as crianças mais velhas, faça com que escrevam pequenas notas para eles mesmos, para lembrá-los das coisas. Essencialmente, eles anotam não apenas o que é dito a eles mais também o que eles pensam. Isto pode ajudá-los a ouvir melhor.

41 - Escrever à mão às vezes é muito difícil paras estas crianças. Desenvolva alternativas. Ensine como utilizar teclados. Faça ditados. Aplique testes orais.

42 - Seja como um maestro: tenha a atenção da orquestra antes de começar. Você pode utilizar o silêncio ou bater o seu giz ou régua para fazer isto. Mantenha a turma atenta, apontando diferentes partes da sala como se precisasse da ajuda deles.

43 - Sempre que possível, prepare para que cada aluno tenha um companheiro de estudo para cada tema, se possível com o número do telefone (adaptado de Gary Smith).

44 - Explique e dê o tratamento normal a fim de evitar um estigma.

45 - Reúna com os pais freqüentemente. Evite o velho sistema de se reunir apenas para resolver crises ou problemas.

46 - Incentive a leitura em voz alta em casa. Ler em voz alta na sala de aula tanto quanto for possível. Faça a criança recontar estórias. Ajude a criança a falar por tópicos.

47 - Repetir, repetir, repetir.

48 - Exercícios físicos. Um dos melhores tratamentos para TDAH, adultos ou crianças, é o exercício físico. Exercícios pesados, de preferência. Ginástica ajuda a liberar o excesso de energia, ajuda a concentrar a atenção, estimula certos hormônios e neurônios que são benéficos. E ainda é divertido. Assegure-se de que o exercício seja realmente divertido, porque deste modo à criança continuará fazendo para o resto da vida.

49 - Com os mais velhos a preparação para a aula deve ser feita antes de entrar na sala. A melhor idéia é que a criança já saiba o que vai ser discutido em um certo dia e o material que provavelmente será utilizado.

50 - Esteja sempre atento às dicas do momento. Estas crianças são muitos mais talentosos e artísticos do que parecem. Elas são cheias de criatividade, alegria, espontaneidade e bom humor. Elas tendem a ser resistentes, sempre agarradas ao passado. Elas tendem a ser generosas de espírito, felizes de poder ajudar alguém. Elas normalmente têm algo especial que engrandece qualquer coisa em que estão envolvidas.

Lembre-se de que no meio do barulho existe uma sinfonia, uma sinfonia que precisa ser escrita.

Texto adaptado por Cléber Canabrava Amaral e copilado por Kátya Godinho.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Classe de Gênios

Dislexia não tem nada a ver com burrice

Albert Einstein

Quem foi: O maior físico do século 20, pai da teoria da relatividade
Efeitos da dislexia: Começou a falar tarde, tinha raciocínio lento e baixo rendimento escolar. Só foi alfabetizado aos 9 anos.

Leonardo da Vinci

Quem foi: Um dos pintores mais famosos do mundo, autor da Mona Lisa
Efeitos da dislexia: Manuscritos acusam o distúrbio. Ele escrevia de trás para frente – traço característico de disléxicos canhotos.

Thomas Edison

Quem foi: Cientista do século 19, inventou a lâmpada incandescente
Efeitos da dislexia: Era tido como mentalmente atrasado pelos professores. Sua mãe passou a educá-lo sozinha.

Agatha Christie

Quem foi: A mais famosa escritora policial de todos os tempos, autora de mais de 80 livros.
Efeitos da dislexia: Agatha não escrevia seus livros diretamente. Ela ditava as histórias para uma secretária ou usava um gravador.

Fonte: Eduardo Petrossi - Super Interessente

Ler ou não Ler

O que é dislexia?

Dificuldades de ler, soletrar ou até mesmo identificar as palavras mais simples. Muito mais do que preguiça, falta de atenção ou má alfabetização, pessoas com esses sintomas podem ter dislexia.

Apesar da assustadora impressão do termo, dislexia não é uma doença. Ela é um distúrbio genético e neurobiológico de funcionamento do cérebro para todo processamento lingüístico relacionado à leitura.

O que ocorre são falhas nas conexões cerebrais. Assim, a pessoa disléxica tem dificuldade para associar o símbolo gráfico e as letras ao som que elas representam e não consegue organizá-los mentalmente numa seqüência coerente.

Por exemplo, a palavra “superinteressante” pode ser vista e entendida por um disléxico como “suprinteressãmt”.

“Os mesmos sintomas da dislexia podem aparecer para vários outros quadros, como hiperatividade ou lesões cerebrais. Assim, um diagnóstico preciso deve ser feito por uma equipe multidisciplinar”, diz Maria Ângela Nogueira Nico, coordenadora científica da Associação Brasileira de Dislexia.

O distúrbio pode ser tratado com exercícios de assimilação de fonemas, desenvolvimento de vocabulário e acompanhamento de psicólogos e fonoaudiólogos. Estudos sugerem que, se tratada ainda cedo na vida escolar, uma criança pode corrigir as falhas nas conexões cerebrais a ponto de elas quase desaparecerem.


Fonte: Eduardo Petrossi - Super Interessente

Vestibulares permitem tempo extra e acompanhante para disléxicos em prova

Distúrbio compromete leitura, escrita e preenchimento de gabaritos pequenos; portador precisa provar distúrbio com laudo médico.

As letras se embaralham, os números se invertem e nenhuma pergunta faz sentido. Escrever redação?
As ideias parecem não querer se fixar no papel. Esse é o retrato do nervosismo na hora da prova para muitos vestibulandos. Mas para os disléxicos, isso é o que acontece sempre que precisam escrever ou ler algo, por mais simples que seja o texto, ou por mais que dominem o assunto. Para compensar essas dificuldades, muitos vestibulares oferecem a eles condições especiais de exame como tempo extra para responder às questões.

O disléxico normalmente:

Demora para se alfabetizar e mesmo adulto, lê com erros;

Confunde letras e números de formato parecido (b, p e d, por exemplo);

Escreve com dificuldade, ‘come’ ou inverte letras ou palavras;

Tem problemas de memória e concentração;

Vê dificuldade em conceitos abstratos;

Confunde esquerda e direita e se perde;

Tem talentos especiais (música, artes plásticas, ciências);

Tem dificuldade com línguas estrangeiras.

“Não é justo que o candidato esteja bem preparado, domine o assunto, mas não consiga fazer a prova por ter dificuldade para preencher o gabarito”, diz Maria Angela Nico, coordenadora científica da Associação Brasileira de Dislexia.

Ela explica que os portadores do distúrbio encontram dificuldades para realizar tarefas que, para os outros, são simples. “O candidato pode saber tudo de história, mas não conseguir pôr no papel.”, explica.

Para Maria Angela, escolas e universidades deveriam aplicar avaliações alternativas aos candidatos – o que não significam provas mais fáceis. “Eles podem realizar exames orais, por exemplo. O disléxico compreende perfeitamente bem, a dificuldade é com a escrita”, explica.

Aprovado no vestibular da Universidade de Brasília (UnB) na quarta tentativa, Darby Lima, diagnosticado com dislexia, conta que “embaralha” letras e números. “Queria escrever 41 e acabava escrevendo 4i, por exemplo”, diz.

Para esses candidatos, os principais vestibulares do país oferecem condições especiais na prova. Na Fuvest, que seleciona alunos para a Universidade de São Paulo (USP), os candidatos disléxicos têm 20% a mais de tempo extra para realizar a prova.


Nos vestibulares da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além do tempo extra os candidatos têm ajuda de profissional capacitado para ler o exame ou transcrever as respostas – o vestibulando dita, o auxiliar escreve.

Na Universidade de Brasília (UnB), essas condições não se limitam ao vestibular. Programa de apoio ao portador de necessidades especiais garante aos estudantes com dislexia auxílio nas provas e trabalhos durante toda a graduação.

É preciso se informar das condições especiais de exame já no ato de inscrição. As instituições pedem laudos médicos com o diagnóstico da dislexia para conceder os benefícios. Associações de apoio ao disléxico fazem os exames de maneira gratuita para pessoas de baixa renda.

O diagnóstico e o tratamento são complexos e exigem equipes multidisciplinares – normalmente, formadas por neurologistas, pedagogos, fonoaudiólogos, psicólogos e oftalmologistas. Pessoas de baixa renda podem fazê-lo gratuitamente em ONGs e associações de apoio ao disléxico, como a ABD.

Fonte: Bruno Aragaki - Guia do Estudante

terça-feira, 18 de maio de 2010

Como funciona nosso cérebro?

O cérebro é um sistema ultra-organizado e supercomplexo. Existem milhares de interconexões entre as diferentes regiões, a maioria ainda desconhecida pelos cientistas. Este esquema ilustra uma versão simplificada dessas conexões.

1- Córtex pré-frontal

Comanda a capacidade da raciocinar, de resolver problemas e determina as respostas do comportamento do indivíduo ao estímulo recebido. Esta área é uma das últimas a amadurecer na adolescência. Talvez seja a razão por que o jovem toma decisões rapidamente, sem pensar nas conseqüências. É aqui também que os neurônios envolvidos em algumas atividades que exigem concentração, como fazer palavras cruzadas, são estimulados.

2- Lóbulo frontal

Região onde estão armazenadas informações que permitem o discernimento social e a capacidade de prever as conseqüências de uma atitude. Quando a pessoa toma um drinque, o álcool atinge o lóbulo frontal, levando-a a sentir-se mais alegre e relaxada.

3- Córtex motor primário

Principal região do cérebro, responsável por movimentos como andar, correr. Os neurônios dessa área estão diretamente conectados com o cerebelo, que auxilia no "ajuste fino" do exercício. Durante qualquer atividade, diversos hormônios e substâncias são produzidos e liberados na corrente sanguínea, atingindo outras regiões do cérebro.

4- Lóbulo parietal

É a região do cérebro que processa as reações somato-sensoriais. É ativado quando o indivíduo ouve uma música (audição) ou lê um livro (memorização).

5- Sistema límbico

Regula a sede, o impulso sexual, a fome. Este sistema emocional é ativado quando, por exemplo, um executivo tem de decidir onde aplicar o dinheiro de sua empresa. É aquilo que se convencionou chamar de "ouvir as emoções". Esta área é acionada quando se faz algo que dê prazer - tanto comer como ingerir drogas.

6- Lóbulo occipital

Onde se processam basicamente os estímulos visuais captados pelos olhos, que interpretam informações por meio de comparações, seleção e integração. Está ligado também à memória visual, quando se lê um livro.

7- Lóbulo temporal

Agrega principalmente os estímulos auditivos - como quando se ouvem as sonatas de Mozart, por exemplo.

8- Amígdala

É a área da expressão das emoções, como a tristeza e o medo. Aciona-se a amígdala quando se treme de medo ao ver um assalto. É como se tivesse sido disparado um alarme dentro do cérebro. Todo o organismo fica em estado de alerta.

9- Hipocampo

É a conhecida "região da memória", de curto e médio prazo - torna o indivíduo capaz de se lembrar, por exemplo, do quaprendizado e vestiu ontem. O sono REM, fase em que acontecem os sonhos, estimula o hipocampo. Quando a pessoa dorme, surgem fragmentos dessa memória. A memória de trabalho está ligada a esta região, onde também ocorre o aprendizado de novas informações.

10- Cerebelo

É aqui que acontece o da música, das operações matemáticas e a coordenação motora fina. O cerebelo comanda o equilíbrio e a musculatura de todo o corpo. Um distúrbio aqui pode gerar paralisia das cordas vocais, de braços e pernas. Fazer tricô, por exemplo, envolve o córtex motor, mas é uma tarefa impossível sem o precioso auxílio do cerebelo - de onde saem os "comandos" para digitar ou tocar violão.

Fonte: Alysson Renato Muotri, pesquisador associado do Salk Institute, na Califórnia

sábado, 13 de março de 2010

Transtorno de Déficit de Atenção em Adultos

Incluído em 22/02/2005
O Transtorno de Déficit de Atenção e/ou Hiperatividade é uma das condições neurológica e de desenvolvimento mais estudadas. Em termos gerais, desatenção, impulsividade e hiperatividade são os sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e/ou Hiperatividade, o qual, acreditava-se anteriormente, acometia apenas as crianças. Hoje já se reconhece que o Transtorno de Déficit de Atenção e/ou Hiperatividade é uma condição crônica, que persiste na vida adulta.
Entre a infância, adolescência e fase adulta há uma mudança no quadro clínico e nos sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção e/ou Hiperatividade e, embora a hiperatividade e a impulsividade diminuam com o passar dos anos, as dificuldades de atenção persistem ao longo do tempo.
É comum as crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e/ou Hiperatividade terem também um dos pais com esse problema. Isso ocorre porque, infelizmente, como tantas outras características, também essa é uma condição genética em cerca de 80% dos casos.
Desde a primeira descrição desse distúrbio de atenção, no início do Século XX, essa condição clínica recebeu diversas denominações ao longo do tempo. Já foi chamada de Lesão Cerebral Mínima, Disfunção Cerebral Mínima, Síndrome da Criança Hiperativa, Distúrbio Primário da Atenção, e Distúrbio do Déficit de Atenção com ou sem hiperatividade.
Desde o início de sua observação até hoje, os estudos sobre o Distúrbio de Déficit de Atenção se referem às crianças em sua expressiva maioria. Isso porque os critérios diagnósticos para Distúrbio de Déficit de Atenção, de acordo com o DSM-IV, referem características mais comumente observáveis em crianças. Por essa razão os adultos com o diagnóstico de Distúrbio de Déficit de Atenção acabam não preenchendo tais critérios.
Em 1980 o DSM-III (classificação norte-americana de transtornos mentais) passou a utilizar a denominação Distúrbio do Déficit de Atenção e, com essa mudança, o transtorno não foi mais obrigatoriamente associado à hiperatividade, mas sim, às dificuldades de atenção. Hoje, parece mais consensual que nas meninas o tipo clínico mais comum é sem hiperatividade (Tipo Predominantemente Desatento) e nos homens, mais freqüente os quadros com hiperatividade.
Durante muitos anos acreditou-se também que os sintomas de TDAH geralmente desaparecessem espontaneamente no final da adolescência. De fato, existe uma tendência da hiperatividade declinar com o passar dos anos, mas os sintomas de desatenção tendem a persistir. Na verdade também a hiperatividade nem sempre a desaparece, ela apenas evolui de acordo com a idade, havendo uma “domesticação” do comportamento hiperativo. O comportamento hiperativo é substituído por atitudes de estar sempre andando de um lado para outro, de fazer tudo como se estivesse com muita pressa, de não conseguir deixar as mãos paradas e assim por diante.
Hoje em dia alguns autores acreditam que o Distúrbio de Déficit de Atenção persiste em aproximadamente 50 a 70% dos casos na idade adulta, embora o quadro clínico sofra algumas modificações com o passar do tempo (Wender, 1995).
Apesar do Distúrbio de Déficit de Atenção acometer entre 3 e 5 % das crianças, sendo considerada uma das patologias psiquiátricas mais freqüentes nesse grupo etário, pouco se sabe de sua real prevalência em adultos. Embora esse transtorno tenha sido raramente diagnosticado até recentemente em adultos, estima-se que 30 a 60% dos casos tenha seus sintomas persistidos na idade adulta, sendo sua prevalência estimada em 1 a 2%.

Quadro Clínico

O Adolescente com TDA/H

As diferenças do adolescente com TDA/H decorrentes do próprio amadurecimento, da faixa etária e da fase da vida. O adolescente com déficit de atenção têm dificuldade de ficar concentrado nas aulas, em leituras, principalmente se não tiver nenhum interesse pelos temas das aulas.
Outra característica é a grande dificuldade em completar tarefas. Alguns desses adolescentes iniciam várias atividades, mas persistem poucas. Habitualmente eles são desorganizados, esquecem compromissos, trabalhos, vivem sempre à procura das coisas que não sabe onde deixou, não se lembram onde deixaram seus óculos, chaves, etc.
É muito marcante a tendência que os pacientes com TDA/H têm em fazer várias coisas ao mesmo tempo, muito embora dificilmente completem alguma dessas coisas. São, concomitantemente, impacientes e inquietos, em constante busca de novidades e fortes emoções, como esportes radicais e outros desafios.
A ousadia também pode estar presente na forma de conduzirem motos ou carros de forma perigosa, expondo-se freqüentemente a acidentes. Além disso, podem fazer uso abusivo de álcool ou drogas. Em geral os adolescentes com TDA/H procuram as drogas porque se sentem passageiramente melhor sob o efeito delas, embora sejam inadequadas como tratamento. Normalmente existe o mesmo distúrbio entre familiares do paciente com TDA/H, uma vez que esse problema tem um forte componente genético.
O quadro sintomático do Distúrbio de Déficit de Atenção pode ser dividido em 3 áreas: a atenção, o controle dos impulsos e a atividade motora. O sintoma mais exuberante, notadamente nas crianças, é o comportamental, ou seja, o descontrole impulsivo e a hiperatividade, mas o déficit da atenção costuma ser a manifestação mais duradoura e mais relacionada aos prejuízos sócio-ocupacionais. Como vivemos num mundo onde a produção é o passaporte para a vida em sociedade, os prejuízos sócio-ocupacionais acabam sempre sendo determinantes na busca de ajuda médica.

O Adulto com TDA/H

O adulto com TDA/H se caracteriza por um comportamento desatento, desconcentrado e facilmente distraído. Normalmente ele é pouco persistente no que faz, tendo dificuldade em completar suas tarefas, a ponto de alguns deles nunca terem conseguido ler um livro até o final.
Com um estilo de vida bastante desorganizado, normalmente esses pacientes esquecem de pagar contas em dia, são confusos e caóticos no trabalho, esquecem compromissos, não conseguem estabelecer prioridades. Isso tudo acaba ajudando esses pacientes a se atrasarem com muita freqüência aos compromissos.
Em geral eles são impacientes, tomam decisões precipitadas e, muitas vezes, se arrependem daquilo que fazem impulsivamente, são também inquietos, têm dificuldade em ficar quietos e quase sempre estão procurando coisas para fazer. São extrovertidos e falantes, monopolizam as conversas e a atenção dos demais, mas, por outro lado, costumam ser péssimos ouvintes.
Tal como os adolescentes, esses adultos são também impulsivos para dirigir. No trabalho têm um rendimento abaixo do que seriam capazes, mudam freqüentemente de emprego, de relacionamentos e/ou de residência. São muito emotivos, têm freqüentes oscilações do humor e se irritam com facilidade.

Atenção

Para entendermos as alterações na atenção temos de rever a questão da vigilância e da tenacidade (veja Psicopatologia da Atenção). A tenacidade é a propriedade de manter a Atenção orientada de modo permanente em determinado sentido. A vigilância é a possibilidade de desviar a Atenção para um novo objeto, especialmente para um estímulo do meio exterior. Essas duas qualidades da Atenção se comportam, geralmente, de maneira antagônica, ou seja, quanto mais tenacidade sobre um determinado objeto está se dedicando, menos vigilante estamos em relação à eventuais estímulos a serem apreendidos.
Em adultos as alterações da Atenção aparecem na forma dos sinais abaixo listados. Esses sinais também podem aparecer em pessoas sadias, mas nos portadores de Distúrbio de Déficit de Atenção são exagerados:
A pessoa comete erros por puro descuido, não presta muita atenção nos detalhes, negligencia nos deveres escolares, no trabalho, ou em outras atividades;
- Mostra dificuldade em atividades que exijam uma atenção prolongada, tal como nas tarefas ou nos jogos;
- Mostra dificuldade em manter a atenção com a fala das outras pessoas, parece não escutar o que lhe falam;
- A pessoa é pouco persistente, não completa tarefa, não obedece às instruções passo a passo e não completa deveres, ou tarefas no trabalho, por impaciência ou falta de persistência;
- Apresenta um estilo de vida desorganizado, tem dificuldade em ser organizado em trabalhos ou outras atividades, em controlar o talão de cheques, contas, etc;
- Costumeiramente perde objetos ou pertences, como chaves, canetas, óculos, etc;
- Qualquer estímulo desvia sua atenção do que está fazendo, evita e se mostra relutante a envolver-se em tarefas que exigem um esforço mental prolongado, tais como deveres escolares ou trabalhos de casa;
- Muda freqüentemente de uma atividade para outra, quase sempre sem completar a anterior;
- Vive freqüentemente atrasada;
- Sofre a ocorrência de "brancos" durante uma leitura, conversa ou conferência.

Hiperatividade

Quanto à hiperatividade, esta se manifesta como uma espécie de reatividade psicomotora exagerada aos estímulos, uma desinibição da resposta motora, ou uma deficiência no controle da psicomotricidade. Nos adultos a hiperatividade pode ser bem menos marcante que nas crianças. Na adolescência, a hiperatividade diminui, enquanto que o déficit de atenção, a impulsividade e a desorganização permanecem como os sintomas predominantes.
Os sinais da hiperatividade observados em adultos e em grau capaz de comprometer a adaptação e o desenvolvimento costumam ser os seguintes:
- Apresenta uma sensação subjetiva constante de inquietação ou ansiedade, com dificuldade em brincar ou praticar qualquer atividade de lazer sossegadamente;
- Busca freqüentemente situações estimulantes, muitas vezes que implicam risco, podendo correr ou subir em locais inadequados.
- Costuma fazer diversas coisas ao mesmo tempo, como, por exemplo, ler vários livros;
- Está sempre mexendo com os pés ou as mãos ou se revira na cadeira;
- Fala quase sem parar, e tem tendência a monopolizar as conversas;
- Mostra necessidade de estar sempre ocupado com alguma coisa, com freqüência está preocupado com algum problema seu ou de outra pessoa, freqüentemente está muito ocupado ou freqüentemente age como se estivesse "elétrico";
-Não permanece sentado por muito tempo, levanta-se da cadeira na sala de aula ou em outras situações nas quais o esperado é que ficasse sentado;

Impulsos

Em relação ao controle dos impulsos, o que parece acontecer é uma dificuldade na manutenção da inibição social e comportamental normais, uma alteração neurobiológica do autocontrole.
As características do déficit de controle dos impulsos em adultos com Distúrbio de Déficit de Atenção se apresentam da seguinte forma:
- A pessoa responde antes de ouvir a pergunta toda;
- Age por impulso em relação a compras, decisões em assuntos importantes, em rompimento de relacionamentos, e por vezes se arrepende logo depois;
- Apresenta reações em curto-circuito, com rápidas e passageiras explosões de raiva, tipo "pavio curto";
- Dirige perigosamente;
- É de uma espontaneidade excessiva, chegando às raias da falta de tato e de cerimônia.
- É hiper-sensível à provocação, crítica ou rejeição;
- É impaciente e tem grande dificuldade de esperar;
- Mostra baixa tolerância à frustração;
- Não consegue se conter, reagindo mesmo quando a situação não o atinge diretamente ou quando sua reação pode prejudicá-lo;
- Sofre oscilações bruscas e repentinas do humor, quase sempre de curta duração;
- Tem tendência a explosões histéricas;
- Tem um mau humor fácil;
Com essas características comportamentais justifica-se o estresse das famílias desses pacientes, principalmente levando-se em conta o prejuízo nas atividades escolares, ocupacionais, vocacionais e sociais. Isso sem contar, considerando o próprio paciente, os efeitos negativos em sua auto-estima, normalmente muito rebaixada.
As conseqüências existenciais do com Distúrbio de Déficit de Atenção, principalmente em adultos, seriam:
- Adiamento crônico de qualquer tarefa ou compromisso, ou seja, dificuldade de dar a partida;
- Alcoolismo e abuso de drogas;
- Baixa auto-estima e um sentimento crônico de incapacidade e pessimismo;
- Demora tempo excessivo na execução de algum trabalho, devido em parte ao sentimento de insuficiência.
- Difícil sociabilidade, dificuldade em manter os relacionamentos duradouros;
- Tendência a culpar as outras pessoas;
Além disso, são muitos os estudos que mostram um risco aumentado de desenvolverem outros transtornos psiquiátricos na infância nas crianças com essa síndrome, juntamente com a comorbidade (concomitância) de outros transtornos também nos adolescentes e nos adultos. Entre essas eventuais alterações psíquicas as mais temerárias seriam o comportamento anti-social, abuso ou dependência de álcool e drogas, transtornos sérios do humor e de ansiedade.
Outros traços podem fazer parte da personalidade do portador de Distúrbio de Déficit de Atenção. Entre esses traços estaria presente a tendência à caligrafia ruim, dificuldades de coordenação motora, dificuldades no adormecer e de despertar, sendo pessoas que adormecem e despertam tarde, maior sensibilidade a ruídos e ao tato, síndrome pré-menstrual mais acentuada, dificuldade de orientação espacial e na leitura de mapas, deficiência na avaliação do tempo.

Diagnóstico

O diagnóstico do Distúrbio de Déficit de Atenção, como sempre deveria ser em medicina, repousa em dois grandes aspectos: o quadro clínico, com a observação de sintomas na idade adulta, juntamente com a história de eventuais sintomas apresentados na infância. Portanto, o diagnóstico é fundamentalmente clínico.
Para o diagnóstico de Distúrbio de Déficit de Atenção na idade adulta alguns autores têm sugerido o seguinte:
História infantil compatível com o transtorno do adulto;
Ausência de transtorno de personalidade anti-social, esquizotípica ou borderline,
Ausência de transtornos do humor, esquizofrenia e transtornos esquizoafetivos;
Dois dos seguintes sintomas:
4.1 - déficit de atenção,
4.2 - hiperatividade,
4.3 - labilidade emocional,
4.4 - incapacidade de cumprir uma tarefa inteira,
4.5 - temperamento explosivo,
4.6 - impulsividade,
4.7 - intolerância ao estresse
Para o diagnóstico no adulto Brown (1995) propôs critérios baseados nos aspectos nucleares do transtorno, que seriam cognitivos e emocionais:
- Ativação e organização no trabalho: dificuldade em iniciar tarefas, organizar-se, estimular-se sozinho para rotinas diárias.
- Sustentação da atenção: dificuldades para manter a atenção nas tarefas, distração ou "sonhos acordados" excessivos durante o dia, em especial enquanto está ouvindo ou lendo por obrigação.
- Manutenção da energia e do esforço: dificuldades em manter um nível consistente de energia e esforço nas tarefas, sonolência diurna, cansaço mental.
- Labilidade do humor e hipersensibilidade à crítica: irritabilidade variável e não desencadeada por fatores externos, aparente falta de motivação, rancor exagerado.
- Dificuldades de memória: dificuldades na recuperação de material recente (nomes, datas, fatos) e remoto.

Devido (também) a esses problemas, os portadores de Distúrbio de Déficit de Atenção têm baixa auto-estima, sentem-se desmoralizados, fracassados e superados pelos seus pares. A comorbidade com esse transtorno ocorre com dificuldade no aprendizado, depressão, irritabilidade e abuso de substâncias.
De qualquer forma, existe um consenso de que o diagnóstico de Distúrbio de Déficit de Atenção deva ser clínico, ou seja, fundamentalmente baseado na observação dos sinais e sintomas e na importância da história clínica. Em relação à essa última, devem ser entrevistados membros da família, ou pessoas que convivam de perto do paciente (professores, chefes no serviço...), tendo em vista o fato comum da falta de insight desses pacientes.

A performance escolar desses pacientes deve ser sempre investigada com atenção, tendo-se em mente que, embora possa haver baixo rendimento escolar, não é raro que essas pessoas sejam bem dotadas intelectualmente. Também devemos levar em consideração que, como em qualquer outro transtorno médico, existe a possibilidade de uma gama variável de intensidade do quadro clínico, de casos bastante leves ou discretos, até os mais graves e com profundo comprometimento funcional.

O diagnóstico atual de Distúrbio de Déficit de Atenção pelo DSM-IV enfatiza a possibilidade de haver uma forma predominantemente (a) - desatenta, uma predominantemente (b) - hiperativa e uma forma (c) - mista, reconhecendo que os sintomas estão presentes antes dos sete anos de idade. Mas há ainda a possibilidade do diagnóstico de Distúrbio de Déficit de Atenção "em remissão parcial" para adolescentes e adultos que não preenchem os critérios plenos, devido a uma atenuação da sintomatologia. Os sintomas encontrados nos adultos são, geralmente, bem menos floridos que em crianças.

Comorbidade

Num trabalho de Millstein, Wilens, Biederman e Spencer em 1998, foram examinados 149 adultos com Distúrbio de Déficit de Atenção. Em 97% deles foram assinaladas de uma a quatro condições psiquiátricas comórbidas (concomitantes). Esses dados são extremamente importantes, na medida em que permitem deduzir que o tratamento exclusivo da outra condição psiquiátrica comórbida sem o adequado tratamento para o Distúrbio de Déficit de Atenção resultará em resultados insatisfatórios.
Com freqüência se associam ao Distúrbio de Déficit de Atenção os seguintes transtonos emocionais:
a - Distúrbios depressivos, geralmente a distimia ou quadros depressivos intermitentes
b - Distúrbios ansiosos, comumente o distúrbio da ansiedade generalizada, o distúrbio do pânico, quadros
fóbicos, obsessivos e o distúrbio de Tourette.
c - Alcoolismo e abuso de drogas.
d - Distúrbios anti-sociais.
e - Distúrbios delirantes.

Etiologia

Importante para o diagnóstico lembrar que o Distúrbio de Déficit de Atenção é uma condição que acompanha a pessoa desde sempre, é constitucional e inerente à biologia da pessoa, portanto, ninguém adquire Distúrbio de Déficit de Atenção. A pessoa É portadora de Distúrbio de Déficit de Atenção, ela não ESTÁ com Distúrbio de Déficit de Atenção.

A maioria dos trabalhos recentes sobre Distúrbio de Déficit de Atenção encontra evidências de que se trata de um distúrbio neurobiológico. Alguns apontam para um eventual déficit de neurotransmissores, e outros dão ênfase ao déficit funcional do lobo frontal, mais precisamente do córtex pré-frontal.

Entre os neurotransmissores envolvidos no Distúrbio de Déficit de Atenção a dopamina (DA) e a noradrenalina (NA) teriam papel de destaque. Não parece haver participação da serotonina no Distúrbio de Déficit de Atenção.

A favor dessa hipótese está o fato dos medicamentos que aumentam as quantidades de DA e NA no cérebro serem capazes atenuar os sintomas do Distúrbio de Déficit de Atenção, enquanto os antidepressivos que aumentam a serotonina (como a fluoxetina) não parecem ter bom efeito sobre esses sintomas.

Quanto ao eventual comprometimento do lobo frontal e de estruturas subcorticais (núcleo caudado e putamen) com ele relacionadas no Distúrbio de Déficit de Atenção, as técnicas especiais de neuro-imagem têm revelado alguns resultados promissores.

Acredita-se que os lobos frontais tenham uma função executiva, importantes para a capacidade de iniciar, manter, inibir e desviar a atenção.

Portanto, seria tarefa dos lobos frontais o gerenciamento das informações recebidas, a integração da experiência atual com a experiência passada, o monitoramento do comportamento presente, a inibição das respostas inadequadas, e a organização e planejar de metas futuras. Podemos compreender dessa forma muitas das manifestações de Distúrbio de Déficit de Atenção como resultado de uma deficiência funcional do lobo frontal.

Evidenciou-se ainda, uma simetria anormal do córtex pré-frontal de pacientes com Distúrbio de Déficit de Atenção. Normalmente o córtex pré-frontal direito é ligeiramente maior que o esquerdo mas, nesses pacientes, haveria uma redução do córtex pré-frontal direito (Barkley, 1997).

Estudos diversos com gêmeos e com crianças adotadas sugerem fortemente que o Distúrbio de Déficit de Atenção é um distúrbio genético ou, no mínimo, constitucional. Tem sido extremamente comum vermos pacientes com Distúrbio de Déficit de Atenção e histórias familiares com ocorrência do mesmo distúrbio em pais ou irmãos. Recentemente acredita-se que o uso de álcool, fumo e drogas durante a gestação sejam fatores peri-natais importantes para o desenvolvimento de Distúrbio de Déficit de Atenção.

Curso

A maioria dos pais observa pela primeira vez o excesso de atividade motora quando as crianças ainda estão engatinhando, freqüentemente coincidindo com o desenvolvimento da locomoção independente, mas o transtorno é mais comumente diagnosticado pela primeira vez durante as primeiras séries escolares, quando o ajustamento à escola está comprometido.

Um traço marcante do Distúrbio de Déficit de Atenção em adultos é sua evolução cambiante e inconstante, ou seja, ao longo dos anos o quadro clínico muda sua aparência, embora em segundo plano persistam sempre os sinais da tríade mencionada (desatenção, hiperatividade e impulsividade).

Na maioria dos casos observados nos contextos clínicos, o transtorno é relativamente estável durante o início da adolescência. Na maioria dos indivíduos, os sintomas atenuam-se durante o final da adolescência e idade adulta.

Assim sendo, tomando-se por base o Distúrbio de Déficit de Atenção em crianças, que é sua situação mais típica, com o passar do tempo costuma haver uma redução de 50% dos sintomas a cada 5 anos e, finalmente, apenas 8% das crianças se manterão sintomáticas (Hill e Schoener, 1996) na idade adulta. Mannuza (1998) encontrou dados semelhantes, constatando 4% para pacientes sintomáticos aos 25 anos de idade.

Outros adultos podem reter alguns dos sintomas, aplicando-se nestes casos um diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção, Em Remissão Parcial ou Residual, como preferem alguns autores. Weiss e Hechtman (1993) examinaram 25 pacientes aos 25 anos de idade e concluíram que 2/3 deles permanecia com um sintoma de Distúrbio de Déficit de Atenção, pelo menos. Esses achados sugerem fortemente que, embora possa ocorrer atenuação dos sintomas com o passar da idade, muitos adultos ainda permanecem sintomáticos.

O diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção em adulto aplica-se aos pacientes que não têm mais o transtorno com todos os seus aspectos clínicos característicos, mas que ainda retêm alguns sintomas suficientes para causarem prejuízo funcional.

Adultos portadores de Transtorno de Déficit de Atenção costumam ter sérios problemas com o trabalho, performance escolar bastante prejudicada e dificuldades nos relacionamentos interpessoais. Freqüentemente eles ficam entediados com as tarefas que exigem organização e planejamento.
Texto baseado predominantemente nos artigos:
Hiperatividade Déficit de Atenção Adultos de Sérgio Bourbon Cabral
Associação Brasileira de Déficit de Atenção
Transtornos de Déficit de Atenção em Adultos de Kátia Petribú, Alexandre Martins Valença, Irismar Reis de Oliveira

Fonte: http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=318&sec=35