sexta-feira, 18 de novembro de 2011

DISGRAFIA

Letra feia não é só pressa ou preguiça. Pode ser disgrafia

Transtorno de aprendizagem afeta a capacidade de escrever ou copiar letras, palavras e números.

Com os cadernos de caligrafia fora de moda nas escolas, a letra ilegível deixou de ser marca registrada apenas de médicos e apressados. Atraídos pelo computadores, crianças e jovens tendem a exercitar pouco a letra cursiva - antes treinada à exaustão nas folhas milimetricamente pautadas. Assim, a hora da escrita pode virar um tormento: tanto para quem escreve quanto para quem lê. Nas crianças em idade de alfabetização, no entanto, a atenção de pais e professores deve ser redobrada. Letra feia no caderno pode não ser apenas falta de jeito com o lápis ou caneta, mas, sim, um transtorno de aprendizagem conhecido como disgrafia, que afeta a capacidade de escrever ou copiar letras, palavras e números. O centro do problema está no sistema nervoso, mais precisamente nos circuitos neurológicos responsáveis pela escrita.
“A disgrafia pura ocorre ainda durante a gestação e já nasce com a criança. Ela não é adquirida”, explica Rubens Wajnsztejn, neurologista especializado em infância e adolescência. De acordo com Marco Antônio Arruda, neurologista do Instituto Glia de Cognição e Desenvolvimento, estudos apontam que a disgrafia é mais comum em meninos e é detectada ainda na infância, depois que o processo de alfabetização é consolidado, por volta dos oito ou nove anos. “A disgrafia pode ocorrer em adultos também, mas somente quando ocorre uma lesão, como um derrame, que pode comprometer a coordenação motora de mãos e braços”, afirma o médico. “Mas, nesse caso, já não se trata mais de disgrafia pura”.
Ainda na infância, a dúvida é saber quando a letra ilegível vai além da preguiça ou pressa e deve ser tratada como transtorno. Um teste eficiente é pedir que a criança escreva algumas frases em uma folha sem linhas, conta Raquel Caruso, psicomotricista e coordenadora da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (Edac). Se o resultado for uma escrita lenta, com letras irregulares, retocadas e fora das margens, é hora de preocupar-se. Além disso, os disgráficos têm dificuldades em organização espacial: daí, a escrita em que as palavras parecem “subir e descer o morro”.
Os sintomas da disgrafia não se referem exclusivamente à escrita. Alguns outros sinais de alerta podem ajudar os pais antes mesmo da alfabetização dos filhos. “Se você leva a criança a uma festa junina, por exemplo, observe se ela tem ritmo para acompanhar as músicas, memória para fixar os passos e atenção aos movimentos”, diz Raquel Caruso. Se observada alguma dificuldade nesse sentido, é hora de estimular a prática de exercícios físicos como correr e nadar, além de brincadeiras como amarelinha, pintura e recorte para estimular a parte motora dos pequenos. A falta dessas atividades pode comprometer o tônus muscular, piorando a já difícil situação dos disgráficos.
Rendimento escolar – É importante ressaltar que a disgrafia não compromete o desenvolvimento intelectual da criança nem é um indicador de que o Q.I. (quociente de inteligência) dela é baixo. Silvana Leporace, coordenadora do serviço de orientação educacional do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, reforça: “Geralmente, os disgráficos são alunos muito inteligentes. A comunicação oral deles é muito boa, mas, na hora de colocar as ideias no papel, eles têm muita dificuldade”, conta.
É esse desdobramento do problema que pode prejudizar o rendimento do aluno. Devido à dificuldade no ato motor, a criança demora mais a realizar algumas atividades, em comparação a seus colegas. É o caso de tarefas simples como copiar a lição da lousa. Outra situação típica: a professora pede que os estudantes redijam um texto, e o disgráfico, envergonhado pela a letra feia, conclui que nem vale a pena escrever. “Isso abala a autoestima da criança”, diz Sônia das Dores Rodrigues, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Diante do obstáculo, ele deixa de aprender.
Sem o treinamento exaustivo da caligrafia, a atenção na escola deve ser redobrada. “Se o treinamento da letra cursiva existe desde cedo, é possível encontrar os disgráficos. Com a prática em desuso, os professores e pais podem confundir digrafia com preguiça”, alerta Marco Antônio Arruda. “Mas a letra feia pode ser treinada e as crianças tidas como preguiçosas têm as habilidades necessárias para escrever bem. Já as digráficas, não: elas não tem habilidade e precisam de tratamento.”
Como tratar – Assim como em outros transtornos de aprendizagem, o tratamento da disgrafia é multidisciplinar e envolve neurologistas, psicopedadogos, fonoaudiólogos e terapeutas. Medicamentos só são indicados quando existem outros transtornos envolvidos, como déficit de atenção (DDA) ou hiperatividade.
Em relação à parte motora, Raquel Caruso, do Edac, afirma que é necessária uma preparação prévia do paciente, com exercícios mais amplos, para depois chegar à escrita. “O ponto principal é trabalhar com o corpo, com exercícios como manusear a argila e massagens, e depois partir para o específico, que é a escrita e outros problemas, como o de memória”, explica. “Vemos apenas o produto final, que é a letra ilegível, mas existe muita coisa por trás disso”. O tratamento pode levar meses e até anos, variando conforme o caso. O objetivo não é atingir a letra bonita, mas, sim, legível. E dar uma forcinha para o processo de aprendizado das crianças
Assim como em outros transtornos de aprendizado, o tratamento da disgrafia é multidisciplinar e envolve neurologistas, psicopedadogos, fonoaudiólogos e terapeutas.



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

DPA - Desordem de Processamento Auditivo

Conversando sobre Desordem de Processamento Auditivo (DPA)
Dra. Denise Menezes
www.dradenisemenezes.com

"Eu não entendo. Parece que meu filho não ouve, mas ele já fez audiometria várias vezes e sempre dá normal. Meu marido acha que ele 'ouve quando interessa'. Isso tem atrapalhado muito sua convivência em casa e na escola."

"Meu filho não presta atenção às aulas, conversa demais, brinca com a borracha em vez de fazer o que a professora pede, vive no 'mundo da lua'! Será que ele tem 'Déficit de Atenção e Hiperatividade'?"

"Meu filho se isola de todo o mundo. A professora diz que os coleguinhas o chamam para brincar, mas ele prefere brincar sozinho. Demorou a falar e tem muita dificuldade para comunicar o que pensa. Já me perguntaram se ele é autista, mas ele é muito afetivo e carinhoso. Pode ser um autismo leve?"

"Ah! Meu filho parece tão infantil para a idade! Eu fico com o coração pequeno quando o vejo brincando com os outros do grupo. Ele adora fazer graça, é o palhaço da turma, mas ele não percebe que os outros riem dele. Ele se dá melhor com crianças mais novas do que ele."

"A professora do meu filho perguntou se ele tem alguma deficiência, porque ele não aprende como os outros, não entende as regras dos jogos e se perde nas brincadeiras. Eu confesso que já pensei nessa possibilidade."

Estas e outras questões me são apresentadas com frequência. A criança parece ter algo errado, alguma coisa que não funciona normalmente e que gera dificuldades escolares ou de socialização, mas não preenche todos os pré-requisitos para os diagnósticos aventados acima. Isso pode ser Desordem de Processamento Auditivo (DPA)? Sim, pode. Vamos conversar sobre esse quadro que já existe formalmente há tantos anos, mas ainda é tão sub-diagnosticado?

Leia matéria completa no link :
http://migre.me/5Wx65

Tudo sobre TDAH

Quer saber tudo sobre Transtorno de Deficit de Atenção com ou sem Hiperatividade - Diagnóstico, Tratamento Alopático, Homeopático e etc... clique no link abaixo:

www.migre.me/5Wwsk


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ruim de matemática? Você pode ter discalculia

A discalculia é considerada o equivalente da dislexia quando se trata de pessoas que têm dificuldade fora do comum em aprender matemática. Enquanto os disléxicos tem problemas com a leitura e a escrita, aqueles que sofrem de discalculia não conseguem resolver problemas simples de aritmética e até mesmo entender o conceito de numeral. Este distúrbio afeta entre 5 e 7% da população.

Tanto as crianças e os adultos que apresentam o problema têm dificuldade em entender o valor relativo aos números e suas diferentes grandezas, e acabam tendo notas muito baixas em provas. “Geralmente, eles não trocam a ordem dos números quando leem, como os disléxicos, mas qualquer coisa que se relacione a numerais causa ansiedade e até pânico”, disse o autor do estudo e professor de neurociência, Brian Butterworth, da University College London.

Por exemplo, se fosse mostrada duas cartas de baralho numeradas, uma com um 5 e outra com um 8, para uma pessoa com discalculia e ela fosse indagada qual número é maior, elas teriam que contar quantos símbolos aparecem em cada carta antes de responder.
Se fosse pedido que elas contassem, regressivamente, de 10 a 1, a pessoa contaria de 1 a 10, depois de 1 a 9, depois de 1 a 8, e assim por diante (e provavelmente teriam que usar os dedos, independente da idade).

Lidar com dinheiro, então, é um grande desafio. As pessoas com discalculia também não conseguem estimar o tamanho de um quarto, ou entender o conceito de horas para estimar quanto tempo uma viagem duraria.

De acordo com os pesquisadores, o distúrbio aparenta ser genético e algumas mudanças no cérebro podem ser responsáveis pela causa. “Contudo, é importante que essas pessoas saibam que esta dificuldade não significa que elas são burras”, disse Butterworth. Mas, se não for diagnosticada de maneira correta, pode trazer muitos traumas.

Butterworth diz que seu trabalho serviu para chamar atenção ao problema e desenvolver métodos especiais de ensino para fortalecer o processamento de números pela pessoa, usando materiais concretos como contas ou blocos, ou ainda softwares de computador. “O importante é não avançar para conceitos mais complexos enquanto o básico não estiver bem fixado”

Fonte: http://hypescience.com/ruim-de-matematica-voce-pode-ter-discalculia/

Entenda a Síndrome de Irlen

terça-feira, 24 de maio de 2011

DISLEXIA DO DESENVOLVIMENTO OU DE PROPRIOCEPÇÃO

Prof.Dr.Paulo Ricardo Souza Sampaio
Prof.Assistente de Oftalmologia da FMABC
Médico Oftalmologista

A Dislexia de Propriocepção, também chamada de Síndrome do Déficit Postural, é definida como uma “perturbação da aprendizagem da leitura que surge apesar de inteligência normal, ausência de perturbações sensoriais ou neurológicas, de instrução escolar adequada e de oportunidades socioculturais suficientes. È, portanto, uma perturbação das aptidões cognitivas fundamentais, freqüentemente de origem constitucional” (Federação Mundial de Neurologia).

Por propriocepção entendemos como a apreciação da posição, do equilíbrio e das suas modificações pelo sistema muscular (não confundir com somestesia, termo que designa a sensibilidade dos diversos estímulos sofridos pelo corpo com exceção dos provenientes dos órgãos sensoriais).

O sistema visual permite a colocação em pratica de mecanismos dos quais um dos papéis essenciais é tornar conscientes as imagens que nos rodeiam e nos interessam.

Entre milhares de informações que o conjunto dos nossos sentidos fornece ao cérebro, este último não deve reter senão as que nos são úteis. Para tal utiliza mecanismos de supressão e as imagens representam senão uma ínfima parcela do que nosso cérebro recebe e interpreta. O restante das imagens é tratado ao nível “infraliminar” e não vem perturbar a nossa consciência.

Esta noção é fundamental para compreender a relação que existe entre postura e visão e, por essa via, propriocepção e dislexia.

Utilizamos essas imagens “inconscientes ou pouco conscientes” para regular a nossa postura, nos situar no ambiente e situar os objetos no espaço.

Quando uma imagem entra no nosso campo de visão somos capazes de procurar ou evitar um objeto existente nessa imagem por modificação espontânea de nossa postura. Para tal não necessitamos identificar a imagem a um nível elevado de consciência. Isso é facilmente percebido quando um objeto em movimento entra em nosso campo de visão e interpretamos como ameaçador.

Estes mecanismos, que lidam com estruturas neurológicas bastante primitivas na filogênese, podem não estar perfeitamente regulados. Por conta disso surge um conjunto de perturbações, sem relação aparente entre si, fazendo com que o paciente migre entre diversas especialidades médicas, odontológicas e pedagógicas, até que seja avaliado por profissional alerta para essa anormalidade.

É importante compreender e lembrar que o olho não serve somente para ver mas que também faz parte do complexo sistema que permite manter uma pessoa em postura adequada e situar-se no espaço.

Para diagnosticar a Dislexia da Propriocepção o Oftalmologista especializado analisa o Processamento Visual ou seja, analisa a relação existente entre a Visão, os demais órgãos dos sentidos e a Postura. Quando constata a existência de perturbações nessa relação fecha o diagnóstico de Síndrome do Déficit Postural e inicia o tratamento global do paciente.


A LEITURA E A ESCRITA NA SINDORME DO DEFICIT POSTURAL


Durante o processo de leitura a imagem da palavra a ser lida entra no campo de visão antes de ser lida e interpretada. Esta imagem provoca uma adaptação da posição relativa dos olhos e da cabeça, adaptação essa controlada pelo nosso sistema postural. O indivíduo irá “procurar a palavra a ser lida” para coloca-la em um “campo visual de interesse”, antes de colocá-la sobre a porção principal da retina (fóvea) para decodifica-la.

Essa procura supõe a existência de um equilíbrio perfeito no posicionamento relativo dos olhos e da cabeça, sejam elementos a serem lidos móveis ou imóveis. Supõe também a localização perfeita da palavra a ser lida.

A propriocepção ocular é, portanto, dependente da propriocepção geral.

Estudos recentes mostram, também, que a dislexia não se resume a um problema de posicionamento do olhar. As alterações encontradas na propriocepção visual acontecem também nas vias auditivas, gustativas, táteis e olfativas.


TRATAMENTO DA DISLEXIA DA PROPRIOCEPÇÃO


O tratamento da dislexia da propriocepção envolve todo o sistema postural e dos órgãos dos sentidos.

Estudos realizados com disléxicos na França, Portugal, Finlândia, Suécia, Alemanha, Inglaterra e Brasil mostram que o tratamento multiprofissional é o mais indicado.

Na especialidade da Oftalmologia o uso de lentes prismáticas de baixo grau (1 até 4 prismas), com a base posicionada para o lado onde a avaliação postural global mostra maior contração muscular, promove o realinhamento deste complexo sistema.

Cada paciente apresenta um desalinho proprioceptivo diferente. Isso obriga uma avaliação médica demorada e cuidadosa. Sabemos que uma interpretação inadequada das informações que o corpo do paciente expõe, poderá implicar na prescrição errada das lentes prismáticas e, piorar mais ainda o quadro.

As lentes prismáticas nada tem a ver as lentes para tratamento do astigmatismo, da miopia ou da hipermetropia. Estes vícios de refração devem ser concomitantemente corrigidos.

Uma vez prescrita a lente prismática os óculos devem ser cuidadosamente confeccionados e mantidos. Armações frouxas, tortas ou mal posicionadas também pioram o quadro. São óculos, portanto, que exigem atenção constante dos pais, do próprio paciente e, do óptico para que estejam sempre em excelente estado de conservação.

São lentes que devem ser usadas constantemente, durante todo o dia. Não são óculos “para descanso ou para leitura”.

O paciente necessita reavaliações freqüentes para que se possa verificar se o sistema postural está sendo devidamente ajustado. Muitos pacientes, após algum tempo, necessitam reduzir o prisma prescrito ou até mesmo elimina-lo. Estas reavaliações também devem ser realizadas com atenção e pelo tempo de exame que for necessário para que a prescrição não seja alterada de forma intempestiva ou demasiadamente lenta.

Alguns pais não conseguem valorizar o tempo de exame e o esforço do profissional no estudo do caso de seus filhos e chegam a considerar “injustas” a cobrança dos honorários dispendidos nas avaliações e reavaliações necessárias. Cabe lembra-los sempre que o custo social e profissional de um mau leitor e as conseqüências futuras pelo mal posicionamento postural terão custo muito mais elevado no futuro. A boa relação médico-familia-paciente-equipe multiprofissional é fundamental para o sucesso de qualquer tratamento. Se essa relação for afetada é preferível que o paciente nem use as lentes prismáticas necessárias. É importante também que o paciente seja acompanhado por Oftalmologista que conheça a Síndrome do Déficit Postural a fundo. Prescrições mal orientadas trazem conseqüências desastrosas.


A EQUIPE MULTIPROFISSIONAL


O trabalho do Oftalmologista não é único. O professor de Educação Física, o Visopedagogo, o Fonoaudiólogo, o Psicopedagogo (e também o Psicólogo, quando necessário) participam ativamente do tratamento. A prescrição dos prismas é importante mas, não deve nunca ser usada de maneira isolada.

Dislexia não compromete a inteligência

Definida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, a dislexia é genética e hereditária e atinge cerca de 5% a 17% da população mundial. De acordo com a Associação Internacional de Dislexia, o distúrbio “é uma das várias distintas inabilidades de aprendizagem. É uma desordem específica da linguagem, de origem constitucional e caracterizada por dificuldades na decodificação de palavras isoladas”.

Para a professora titular do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ângela Maria Vieira Pinheiro, são consideradas disléxicas as crianças com extrema dificuldade na aprendizagem da leitura e da escrita, embora apresentem pelo menos inteligência média e ausência de problemas gerais de aprendizagem. Além disso, suas dificuldades de leitura não devem estar associadas a fatores tais como deficiências sensoriais não tratadas, desvantagem socioeconômica, problemas emocionais, oportunidades educacionais inadequadas ou faltas freqüentes à escola.

Psicóloga, com doutorado em psicologia cognitiva pela Universidade de Dundee, na Escócia e pós-doutorado pela Universidade de Educação de Ludwigsburg, na Alemanha, Ângela Pinheiro tem experiência na área de Processos Cognitivos Básicos. Sua atuação se dá, principalmente, na área da linguagem escrita: reconhecimento de palavras, desenvolvimento da leitura e da escrita, construção de medidas de reconhecimento de palavras e dislexia do desenvolvimento.

Ela explica que a dislexia é um profundo déficit fonológico que se manifesta – mas não exclusivamente – na leitura e na escrita, e pode existir até mesmo em culturas não letradas. Segundo a psicóloga, a descoberta mais consistente, tanto na pesquisa psicológica como na neurociência, é que o principal problema de leitura dos disléxicos é um vagaroso e impreciso reconhecimento de palavras. “Nessa área, a dificuldade reside no processo de decodificação fonológica: a transformação de letras e de seus padrões em um código fonológico. Esse código é que permite o acesso à pronúncia da palavra e também ao seu significado,” argumenta.

Ângela Pinheiro adianta que a dislexia não compromete a inteligência e uma vez tratado, o disléxico pode vir a se destacar inclusive na carreira acadêmica. O tratamento é feito por meio de intervenções explícitas e intensivas em leitura, que diferem de acordo com o tipo de dislexia. Ela diz que, devido ao distanciamento entre o meio acadêmico e as escolas, é de se esperar que as professoras, por desconhecerem os avanços da ciência da leitura, não estejam preparadas para a inclusão de alunos disléxicos. A questão, destaca, é até que ponto deve ser possível fazer intervenções de alta qualidade para todas as crianças que precisam de assistência.

Transformar em prática todo o conhecimento adquirido seria um desafio para os pesquisadores, acredita a psicóloga. De acordo com ela, é necessário dispor de condições de financiamento para o treinamento de professores de forma a garantir que todas as crianças recebam o tipo de instrução em leitura que as transformarão em bons leitores.

Matéria extraida do http://portaldoprofessor.mec.gov.br

Discalculia

A discalculia é um distúrbio neurológico que afeta a habilidade com números. É um problema de aprendizado independente, mas pode estar também associado à dislexia. Tal distúrbio faz com que a pessoa se confunda em operações matemáticas, conceitos matemáticos, fórmulas, seqüência numéricas, ao realizar contagens, sinais numéricos e até na utilização da matemática no dia-a-dia.

Pode ocorrer como resultado de distúrbios na memória auditiva, quando a pessoa não consegue entender o que é falado e conseqüentemente não entende o que é proposto a ser feito, distúrbio de leitura quando o problema está ligado à dislexia e distúrbio de escrita quando a pessoa tem dificuldade em escrever o que é pedido (disgrafia).

É muito importante buscar auxílio para descobrir a discalculia ou não no período escolar quando alguns sinais são apresentados, pois alguns alunos que são discalcúlicos são chamados de desatentos e preguiçosos quando possuem problemas quanto à assimilação e compreensão do que é pedido.

Também é de grande importância ressaltar que o distúrbio neurológico que provoca a discalculia não causa deficiências mentais como algumas pessoas questionam. O discalcúlico pode ser auxiliado no seu dia-a-dia por uma calculadora, uma tabuada, um caderno quadriculado, com questões diretas e se ainda tiver muita dificuldade, o professor ou colega de trabalho pode fazer seus questionamentos oralmente para que o problema seja resolvido. O discalcúlico necessita da compreensão de todas as pessoas que convivem próximas a ele, pois encontra grandes dificuldades nas coisas que parecem óbvias.

Por Gabriela Cabral
Equipe Brasil Escola

segunda-feira, 7 de março de 2011

Universidades já tem vestibular diferenciado

Universidades já têm vestibular diferenciado.

Se antes os dislexos eram considerados preguiçosos e indisciplinados na escola, hoje eles podem ter uma vida intelectual tranquila e oportunidades graças ao entendimento melhor do que é o distúrbio. A universidade Mackenzie, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e a Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, já possuem vestibular diferenciado para os disléxicos.

"Uma pessoa lê a prova e depois passa o resultado para o gabarito. Como também há uma dificuldade com a escrita, o candidato dita a redação porque oralmente ele não tem problema nenhum. São coisas simples de fazer, mas que fazem muita diferença para um disléxico", diz Rosemari Marquette de Melo, presidente da Associação Brasileira de Dislexia.

Segundo ela, na Europa e Estados Unidos, todos os alunos disléxicos têm, por lei, o direito a um computador com corretor ortográfico e mais tempo para fazer os exames, além de poderem optar pelo exame oral.

"É isso que queremos que seja adotado no Brasil. Que a escola dê o suporte para a aprendizagem. Existe a Lei da Inclusão, mas ela é insuficiente nesses casos", aponta. Outra demanda da Associação Brasileira de Dislexos é que os concursos e a prova para obter a carteira de habilitação de motorista levem em conta as especificidades dos disléxicos. "A pessoa pode fazer a mesma prova, só precisa de um pouco mais de tempo e uma assistência que não comprometa o processo de seleção", afirma.

Segundo ela, o Ministério da Educação (MEC) criou um grupo de trabalho para debater o assunto e a expectativa da Associação Brasileira de Dislexia é que em 2010 um projeto de lei seja encaminhado ao Congresso Nacional. "A dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócioeconômica ou baixa inteligência. Os disléxicos só precisam de apoio". (ACB)


FONTE DE CONSULTA: http://www.otempo.com.br/jornalpampulha/noticias/?IdEdicao=208&IdCanal=20&IdSubCanal=&IdNoticia=6452&IdTipoNoticia=1#Nem toda dificuldade é dislexia

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A utilidade das medidas de inteligência

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São utilizadas a escala de inteligência de adultos (WAIS) e a escala de inteligência de crianças de Weschler (WISC) são os testes mais tradicionais, mais amplamente utilizados em todo o mundo, e também os mais cientificamente comprovados dos testes existentes hoje em dia. amplamente há 50 anos, e as versões utilizadas pela Unidade de Neurologia Clínica são recentes e atualizadas. Nós utilizamos este tipo de testagem desde 1983, a adquirimos grande experiência com os testes e a equipe atual com o Programa de Cirurugia de Epilepsia do Hospital Nossa Senhora das Graças, quando os resultados da fonoaudióloga Rosana Lenzi em mais de 200 pacientes foram checados extensamente por neurologistas, neurocirurgiões, repetidos depois de cirurgias, comparados com EEGs prolongados, ressonâncias, SPECTS, etc.

Diferente de muitos outros grupos, nós utilizamos adaptações diretas do inglês, feitas sob minha supervisão por psicólogas e fonoaudiólogas que trabalham ou trabalharam na UNC. O mais comum no Brasil é que sejam utilizadas adaptações de versões em espanhol de originais americanos com mais de 30 anos. Este fato é relevante, porque uma das principais críticas que se faz a estes testes é que não seriam culturalmente adaptados, fora de uma sociedade ocidental burguesa como a americana branca ou a européia. Este fato poderia ser verdade para os testes da década de 50 ou 60, mas é notório que a sociedade americana atual é até mais multicultural que, por exemplo, a brasileira. As únicas pessoas hoje em dia que estariam fora da amplitude destes testes seriam aqueles sem uma educação escolar ocidental, por exemplo índios amazônicos ou esquimós.

A crítica que se faz a estes testes no sentido de que não incluem a inteligência emocional é verdadeira. Estes testes não se preocupam mesmo com este aspecto. Eles não ajudam a compreender se uma pessoa vai ser segura, insegura, criminosa, um santo, um predador dos negócios.

O que os testes medem é o desempenho, a performance intelectual. Tanto o de crianças quanto o de adultos dividem o intelecto em duas áreas, a verbal e a não verbal. A não verbal também é chamada de executiva, ou ainda de espacial. A capacidade verbal é a utilizada para as habilidades ligadas à linguagem, palavra escrita e falada, matemática, e grande parte do raciocínio lógico, inclusive geométrico. A capacidade não-verbal tem a ver com habilidades espaciais. O QI verbal prevê o desempenho acadêmico. O QI não verbal prevê a habilidade no campo de imagens, desenho principalmente não-geométrico, ritmo musical, dança, e grande parte dos esportes. O QI verbal mede a performance do hemisfério cerebral esquerdo. O não-verbal mede o direito. É claro que para certos tipos de desempenho não basta o intelecto, por exemplo, nos esportes é preciso a estrutura física apropriada, que é uma para hipismo e outra para lançamento de peso!

O normal nos dois testes é 100, e os limites do normal estão entre 90 e 100, ou entre 80 e 120, como queiramos definir. Com menos de 80 é difícil terminar o primeiro grau. Com 90 dá para terminar o segundo grau. Com 100 uma faculdade fácil. Com 110 uma média. Com 120 uma difícil e talvez uma pós-graduação. De 130 para cima a pessoa pode fazer o que quiser na vida, dependendo do intelecto, é claro. Ali pelos 140, 150 começam os gênios. Os 3 ou 4 maiores Qis medidos na UNC, em quase 20 anos, estiveram entre 130 e 150. Um aspecto muito interessante do QI pelos testes de Weschler é a lateralidade. Grande parte dos bons jogadores de futebol, principalmente atacantes, são canhotos. Pode-se prever que terão um QI verbal médio e um não verbal alto. O mesmo deve valer para bailarinos e músicos. O maior gênio da música popular do século XX, Paul Mc Cartney, é canhoto. Já os que vão bem de notas devem ser, em geral, destros.

Quando alguém é bom dos dois lados, como Pelé ou Bill Clinton, vai mais longe ainda. Quando testamos algumas crianças utilizamos ainda um método chamado DAP, de draw a person, no qual a criança desenha uma pessoa, e dependendo dos detalhes, pode-se prever o QI, baseado em escalas muito bem trabalhadas e comprovadas cientificamente pela Psychological Corporation, a ONG americana que controla a distribuição destes testes com mão de ferro. A UNC é credenciada pela Psychological Corporation. O DAP é especialmente útil quando a criança ainda não foi alfabetizada, pois tanto o WISC quanto o WAIS dependem de alfabetização. E assim existem outros testes que permitem uma avaliação intelectual mais grosseira mesmo de crianças pré-escolares, como o WIPSI. O nosso folheto “Projeto Saúde Intelectual” contém outras informações sobre o assunto.

Prof. Dr.Paulo R M de Bittencourt PhD, agosto de 2001

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

DISCALCULIA

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM EM MATEMÁTICA - DISCALCULIA

Ivonete Sacramento

Resumo

As dificuldades que os alunos tem em Matemática, algumas de suas causas e caminhos que podem contribuir para que pais, professores e a equipe escolar possam identificar as dificuldades dos alunos e contribuir para seu êxito. A discalculia, suas características e diagnóstico.

AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM EM MATEMÁTICA

Como uma criança pode ler um parágrafo em voz em voz alta impecavelmente e não recordar seu conteúdo cinco minutos depois? Como um aluno que lê três anos à frente do nível de sua série apresenta um trabalho por escrito completamente incompreensível? Como um adolescente se sai muito bem em geometria e tem um desempenho inferior em álgebra?
O que esses três estudantes têm em comum?
O que as crianças, adolescentes e adultos com dificuldades de aprendizagem (DA) 1 têm em comum é o baixo desempenho inesperado.
De acordo com o National Joint Committee on Learning Disabilities –NJCLD2 , “Dificuldades de aprendizagem” é um termo genérico que diz respeito a um grupo heterogêneo de desordens manifestadas por problemas significativos na aquisição e uso das capacidades de escuta, fala, leitura, escrita, raciocínio ou matemáticas.
As dificuldades de aprendizagem raramente têm uma única causa. Supostamente têm base biológica (Lesão cerebral, alterações no desenvolvimento cerebral, desequilíbrios químicos, hereditariedade). Mas é o ambiente-família, escola, comunidade - que determina a gravidade do impacto da dificuldade.
Vários autores, como Sara Pain, Alicia Fernández, Maria Lucia Weiss, chamam atenção para o fato de que a maior percentual de fracasso na produção escolar, de crianças encaminhadas a consultórios e clínicas, encontram-se no âmbito do problema de aprendizagem reativo, produzido e incrementado pelo próprio ambiente escolar.
Na pessoa com dificuldade, o desempenho não é compatível com a capacidade cognitiva; a dificuldade ultrapassa a enfrentada por seus colegas de turma sendo, geralmente, resistente ao seu esforço pessoal e ao de seus professores em superá-la, gerando uma auto estima negativa podendo também surgir comportamento que causam problemas de aprendizagem, complicando as dificuldades na escola.
Os problemas na aprendizagem de Matemática que são apontados em todos os níveis de ensino não são novos: De geração a geração a Matemática ocupa o posto de disciplina mais difícil e odiada, o que torna difícil sua assimilação pelos estudantes. Por isso, antes de falar em dificuldades de aprendizagem em Matemática é necessário verificar se o problema não está no currículo ou na metodologia utilizada.

Algumas causas das dificuldades de aprendizagem em matemática

§ Ansiedade e medo de fracassar dos estudantes em conseqüência de atitudes transmitidas por pais e professores e da metodologia e dos conteúdos muitas vezes inadequados.
§ A falta de motivação, que pode ter sua origem na relação da própria família com os estudos (falta de importância dada pelos pais ao conhecimento em si; na ligação da escola com castigos ou a algum tipo de pressão; questões emocionais - ansiedade e agitação gerados por acontecimentos novos; ansiedade exagerada causada pelos efeitos de medicamentos que interferem no ânimo ou causam problemas de memória ou concentração; problemas de maturação do Sistema Nervoso Central; Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade – TDAH.
§ Distúrbios de memória auditiva:
a. A criança não consegue ouvir os enunciados que lhes são passados oralmente, sendo assim, não conseguem guardar os fatos, isto lhe incapacitaria para resolver os problemas matemáticos.
b. Problemas de reorganização auditiva: a criança reconhece o numero quando ouve, mas tem dificuldade de lembrar-se do número com rapidez.
§ Distúrbios de percepção visual: A criança pode trocar 6 por 9, ou 3 por 8 ou 2 por 5 por exemplo. Por não conseguirem se lembrar da aparência elas têm dificuldade em realizar cálculos.
§ Distúrbios de escrita: Crianças com disgrafia têm dificuldade de escrever letras e números.
§ Distúrbios de leitura: Os disléxicos3 e outras crianças com distúrbios de leitura apresentam dificuldade em ler o enunciado do problema, mas podem fazer cálculos quando o problema é lido em voz alta. É bom lembrar que os disléxicos podem ser excelentes matemáticos, tendo habilidade de visualização em três dimensões, que as ajudam a assimilar conceitos, podendo resolver cálculos mentalmente mesmo sem decompor o cálculo. Podem apresentar dificuldade na leitura do problema, mas não na interpretação.

A DISCALCULIA

Confusões com os sinais matemáticos e dificuldades para fazer simples continhas podem estar ligadas a um distúrbio neurológico.
Semelhante à dislexia - dificuldade com o aprendizado da leitura e da escrita -, a discalculia infantil ocorre em razão de uma falha na formação dos circuitos neuronais, ou seja, na rede por onde passam os impulsos nervosos. Normalmente os neurônios - células do sistema nervoso - transmitem informações quimicamente através de uma rede. A falha de quem sofre de discalculia está na conexão dos neurônios localizados na parte superior do cérebro, área responsável pelo reconhecimento dos símbolos.
Não é uma doença e não é, necessariamente, uma condição crônica. Em geral é encontrada em combinação com o Transtorno da Leitura, Transtorno da Expressão Escrita, do TDHA. Não é relacionada à ausência de habilidades matemáticas básicas, como contagem, mas na forma com que a criança associa essas habilidades com o mundo que a cerca. Estima-se que apenas 1% das crianças em idade escolar tem Transtorno da Matemática isoladamente.

Requisitos necessários para o aprendizado de matemática e as dificuldades causadas pela discalculia:

APTIDÕES ESPERADAS
DIFICULDADES
3 a 6 anos

Ter compreensão dos conceitos de igual e diferente, curto e longo, grande e pequeno, menos que e mais que. Classificar objetos pelo tamanho, cor e forma Reconhecer números de 0 a 9 e contar até 10. Nomear formas. Reproduzir formas e figuras.
Problemas em nomear quantidades matemáticas, números, termos, símbolos
Insucesso ao enumerar, comparar, manipular objetos reais ou em imagens

6 a 12 anos

Agrupar objetos de 10 em 10. Ler e escrever de 0 a 99. Nomear o valor do dinheiro. Dizer a hora. Realizar operações matemáticas como soma e subtração. Começar a usar mapas. Compreender metades, quartas partes e números ordinais.
Leitura e escrita incorreta dos símbolos matemáticos

12 a 16 anos

Capacidade para usar números na vida cotidiana. Uso de calculadoras. Leitura de quadros, gráficos e mapas. Entendimento do conceito de probabilidade. Desenvolvimento de problemas.
Falta de compreensão dos conceitos matemáticos
Dificuldade na execução mental e concreta de cálculos numéricos

Fonte: http://crescer.globo.com/edic/ed77/rep_discalculia.htm

Na discalculia, a capacidade matemática para a realização de operações aritméticas, cálculo e raciocínio matemático, encontra-se substancialmente inferior à média esperada para a idade cronológica, capacidade intelectual e nível de escolaridade do indivíduo.
As dificuldades da capacidade matemática apresentadas pelo indivíduo trazem prejuízos significativos em tarefas da vida diária que exigem tal habilidade. Em caso de presença de algum déficit sensorial, as dificuldades matemáticas excedem aquelas geralmente a este associadas.

Diversas habilidades podem estar prejudicadas na discalculia:

§ Lingüísticas (compreensão e nomeação de termos, operações ou conceitos matemáticos, e transposição de problemas escritos em símbolos matemáticos).
§ Perceptuais (reconhecimento de símbolos numéricos ou aritméticos, ou agrupamento de objetos em conjuntos).
§ De atenção (copiar números ou cifras, observar sinais de operação).
§ Matemáticas (dar seqüência a etapas matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação).

• Dificuldade na leitura, escrita e compreensão de números; em realizar operações matemáticas, classificar números e colocá-los em seqüência; na compreensão de conceitos matemáticos; em lidar com dinheiro e em aprender a ver as horas, etc.

O diagnóstico

Na pré-escola, já é possível notar algum sinal do distúrbio, quando a criança apresenta dificuldade em responder às relações matemáticas propostas - como igual e diferente, pequeno e grande. Mas ainda é cedo para um diagnóstico preciso. É só a partir dos 7 ou 8 anos, com a introdução dos símbolos específicos da matemática e das operações básicas, que os sintomas se tornam mais visíveis.

É importante chegar a um diagnóstico o mais rapidamente para iniciar as intervenções adequadas. O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar - Neurologista, Psicopedagogo, Fonoaudiólogo, Psicólogo - para um encaminhamento correto. Não devemos ignorar que a participação da família e da escola é fundamental no reconhecimento dos sinais de dificuldades.
Porém, devemos ter muita cautela quanto ao diagnóstico da discalculia ou qualquer DA. Apesar de o professor dizer que não faz um diagnóstico da criança, ele estabelece que as dificuldades de aprendizagem são possíveis transtornos específicos de aprendizagem, tendo como causas a imaturidade, problemas psicológicos e sociais, justificado assim o por quê da criança não aprender.
Antes de diagnosticar a discalculia, devem ser eliminadas outras causas de dificuldades, como o ensino inadequado ou incorreto; os problemas com visão; audição ou os danos ou doenças neurológicas e doenças psiquiátricas.

Devemos eliminar também a possibilidade de a criança apresentar acalculia ou pseudo discalculia.

A acalculia é a total falta de habilidade para desenvolver qualquer tarefa matemática, que geralmente indica um dano cerebral. O problema aparece quando a criança é incapaz de aprender os princípios básicos de contagem. A falta de habilidade se torna mais evidente quando vai aprender a ordem dos números de 1 -10 ou quando vai resolver uma simples adição de 4 + 2 = 6. O grupo de pessoas com acalculia representa menos de 1% da população.

A pseudo discalculia apresenta características semelhantes às da discalculia, mas é resultado de bloqueios emocionais. O estudante tem habilidade cognitiva para ter êxito em matemática. As meninas são a maioria esmagadora de estudantes com pseudo discalculia. Os comentários negativos dos meninos levam à falta de confiança. Para superar esta dificuldade o caminho são conversas com pais, professores e Orientador(a) Educacional; trabalho psicopedagógico para elevar auto estima da criança e, nos casos mais difíceis, acompanhamento de Psicólogo.

Efeitos

O desconhecimento dos pais, professores e até colegas podem abalar ainda mais a auto-estima do estudante com críticas e punições.
A discalculia pode comprometer o desenvolvimento escolar de maneira mais ampla.
Inseguro devido à sua limitação, o estudante geralmente tem medo de enfrentar novas experiências de aprendizagem por acreditar que não é capaz de evoluir. Pode também adotar comportamentos inadequados tornando-se agressiva, apática ou desinteressada.

Alguns caminhos

A intervenção psicopedagógica propõe melhorar a imagem que a criança tem de si mesma, valorizando as atividades nas quais ela se sai bem; descobrir como é o seu próprio processo de aprendizagem - às vezes, ela tem um modo de raciocinar que não é o padrão, estabelecendo uma lógica particular que foge ao usual - e a partir daí trabalhar uma série de exercícios neuromotores e gráficos que vão ajudá-la a trabalhar melhor com os símbolos e com os jogos, que irão ajudar na seriação, classificação, habilidades psicomotoras, habilidades espaciais, contagem.

Quanto à gestão, é necessário que dê aos professores condições para que desenvolvam atividades específicas com este aluno, sem necessidade de isolá-lo do resto da turma nas outras disciplinas. Para isso, é importante disponibilizar:

§ Desenvolvimento profissional para a equipe de professores.
§ Tempo adequado para planejamento e colaboração entre eles.
§ Turmas com um tamanho adequado para o desenvolvimento do trabalho.
§ Profissionais e auxílio técnico apropriado.

As atividades interdisciplinares e transdisciplinares de cultura matemática são muitas. A tarefa central do professor é saber sistematizar a informação recolhida, organizar os tempos e os espaços adequados, tendo sempre presente os interesses, as motivações, as dificuldades, as potencialidades intelectuais relacionadas com a faixa etária dos alunos. Com o apoio necessário, o professor tem a incumbência de:

§ Planejar atividades que facilitem o sucesso do aluno, a fim de melhorar seu auto conceito e aumentar sua auto-estima.
§ Utilizar métodos variados.
§ Explicar ao aluno suas dificuldades e diga que está ali para ajudá-lo sempre que precisar.
§ Não forçar o aluno a fazer as lições quando estiver nervoso por não ter conseguido.
§ Propor jogos na sala.
§ Procurar usar situações concretas, nos problemas.
§ Permitir o uso de uma calculadora.
§ Oferecer fácil acesso às tabelas e listas de fórmulas (não exija que o aluno memorize).
§ Dar mais tempo para o aluno fazer a tarefa.
§ Utilizar recursos tecnológicos disponíveis.

Possibilidades

A discalculia pode ser curada?

Sim. O diagnóstico discalculia é sempre apenas uma descrição do atual estágio de desenvolvimento, aplicável por um período máximo de um ano. Como a criança desenvolve, as dificuldades que existiam no ano anterior podem ter minimizado ou quase desaparecem. Se a criança está recebendo tratamento adequado, a possibilidade de desenvolvimento da capacidade matemática é grande. No entanto, muitas vezes algumas partes das dificuldades permanecem de uma forma suave. Por exemplo, as dificuldades em recordar fatos numéricos. É comum que os estudantes continuem a ter características destas dificuldades, de uma forma suave, em toda a vida adulta. A capacidade de concentração, no entanto, geralmente melhora consideravelmente, e muitas vezes vem com a compreensão de conceitos matemáticos e símbolos.
As avaliações são somente válidas por um tempo relativamente curto: Um ano para crianças e adolescente e menos de dois anos para adultos. Muitas vezes algumas partes das dificuldades permanecem de uma forma suave, por exemplo, as dificuldades em recordar fatos numéricos. É habitual que os estudantes irão continuar a ter características destas dificuldades, de uma forma suave, em toda a vida adulta. Capacidade de concentração, no entanto, geralmente melhora consideravelmente, e que muitas vezes vem com a compreensão de conceitos matemáticos e símbolos.

CONCLUSÃO

É um grande desafio identificar, diagnosticar e fazer as intervenções necessárias para que a aprendizagem do aluno seja satisfatória, para sua vida acadêmica e para sua auto estima. É necessário atenção para não rotular, condenando um aluno para o resto de sua vida.
As dificuldades de aprendizagem ainda são assunto pouco explorado nas escolas. O diagnóstico equivocado leva a encaminhamento para tratamentos desnecessários e à exclusão, tirando a oportunidade do aluno de superar suas dificuldades.
É preciso levar o tema para dentro da escola - não como assunto pontual, mas numa discussão permanente -, contemplando as diversas dimensões da vida do aluno, como mais um instrumento para seu desenvolvimento integral, visto que as dificuldades de aprendizagem não têm como causa apenas um fator.

Notas

1- No conceito de DA incluem-se quaisquer obstáculos, intrínsecos ou
extrínsecos, que impedem um indivíduo de realizar uma determinada
aprendizagem.

2- Conjunto de 10 organizações profissionais americanas, todas elas interessadas no estudo das dificuldades de aprendizagem.

3- A dislexia é definida como um déficit no desenvolvimento do reconhecimento e compreensão dos textos escritos. A criança disléxica possui uma inabilidade para contar para trás de dois em dois ou três em três, ela não tem compreensão da ordem e estrutura do sistema numérico, dificuldade para aprender tabuada.

4- Alguns comportamentos que causam problemas de aprendizagem complicando as dificuldades na escola:

Falta de controle dos impulsos - toca tudo ou todos que despertam seu interesse, verbaliza suas observações sem pensar, interrompe ou muda abruptamente de assunto em conversas, tem dificuldade para esperar ou revezar com outras pessoas.

Dificuldade para seguir instruções - pede ajuda repetidamente mesmo nas tarefas mais simples (os enganos são cometidos porque as instruções não são completamente entendidas.

Dificuldade de conversação - dificuldade em encontrar as palavras certas, ou perambula sem cessar tentando encontrá-las

Distração - freqüentemente perde a lição, as roupas e outros objetos seus, esquece de fazer as tarefas e trabalhos, tem dificuldade em lembrar compromissos ou ocasiões sociais.

Inflexibilidade - teima em fazer as coisas à sua maneira, mesmo que esta não funcione, resiste a sugestões e a ofertas de ajuda.

Fraco planejamento e habilidades organizacionais - parece não ter noção de tempo e com freqüência chega atrasada ou despreparada, não tem idéia de como começar ou de como dividir o trabalho em segmentos manejáveis quando lhe são dadas várias tarefas ou uma tarefa complexa com várias partes.

Falta de destreza - parece desajeitada e sem coordenação – geralmente deixa cair as coisas ou as derrama – ou apalpa e derruba os objetos, pode ter uma caligrafia péssima, é vista como completamente inepta em esportes e jogos.

Imaturidade social - age como se fosse mais jovem que sua idade cronológica e pode preferir brincar com crianças menores.

FONTE:

http://www.artigonal.com/educacao-artigos/dificuldades-de-aprendizagem-em-matematica-discalculia-860624.html

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Programa Febraban de Capacitação Profissional e Inclusão de Pessoas com Deficiência no Setor Bancário

Transformando obstáculos em oportunidades.

Mais informações acesse: www.febraban.org.br/oportunidade

Oportunidade imperdível para 444 pessoas com deficiência. Participe do Programa já empregado! A FEBRABAN - Federação Brasileira de Bancos está oferecendo 444 vagas para pessoas com deficiência que atendam aos critérios do Decreto 5.296/04. Os selecionados participarão de um Programa de Capacitação e Qualificação Profissional de 640 horas em 06 meses, a partir de abril de 2011, voltado inteiramente ao setor bancário.
Público: 444 pessoas com todos os tipos de deficiência, que atendam aos critérios do Decreto 5.296/04.
Escolaridade: Ensino Médio Completo.
Idade: Maiores de 18 anos.
Função: Auxiliar Bancário.
Salário: inicial de R$ 760,09 para jornadas de 4h e, após 90 dias, R$ 833,33.
Benefícios: vale-refeição, cesta-alimentação, participação nos lucros e resultados; vale-transporte; seguro de vida; planos de saúde.

Não perca essa oportunidade! Multiplique essa informação!

Desde o início do Programa de Capacitação todos os selecionados já serão contratados pelas instituições financeiras participantes do Programa.

Inscreva-se Já!
www.febraban.org.br/oportunidade ou pelo telefone (11) 4362-9368. Se preferir, envie seu currículo para oportunidade@avape.org.br ou visite um dos Centros de Apoio ao Trabalho (CATs) da Prefeitura de São Paulo, nos seguintes endereços:
Avenida Interlagos, 6122 - Interlagos
Rua Barão do Rio Branco, 864 - Santo Amaro
Rua Gregório Ramalho, 12 - Itaquera
Rua Catão, 312 - Lapa
Rua Voluntários da Pátria, 1553 - Santana
Rua Galvão Bueno, 782 - Liberdade
Avenida Prestes Maia, 913 - Centro

O período de inscrições vai de 16/01 a 28/02/11.
Realização: Febraban - Federação Brasileira de Bancos.

Instituições Financeiras Participantes: Banco Cruzeiro do Sul, Banco Votorantin, Banif Banco, Bicbanco, Bradesco, Carrefour Soluções Financeiras, Citi, HSBC, Itaú, Safra e Santander.

Apoio: Prefeitura de São Paulo - Secretaria de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho - Secretaria de Acessibilidade e Inclusão.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Dislexia - Como os Pais podem Ajudar?

Seu filho não está indo bem na escola. Ele é o primeiro a saber, mas não sabe o que fazer e como explicar o que acontece. Quanto mais o tempo passar sem que ele tenha ajuda, maiores serão suas dificuldades.


SEJA POSITIVO

•Descubra tudo que você puder sobre o desempenho de seu filho e os melhores caminhos para ele.
•Procure o profissional adequado para ajuda-lo. Pai e mãe devem participar juntos desta tarefa.

SEJA PACIENTE E PERSEVERANTE

•Tente desenvolver um bom relacionamento com seus professores e discuta se possível o problema com eles.
•Sempre se pergunte: “O que eu estou fazendo: estou ajudando meu filho ou somente estou dando vazão à minha frustração?”
•Tente ficar calmo ao receber alguma notificação escolar.
•Ensine seu filho a fazer coisas por si próprio, dando-lhe autonomia.
•Ensine a ele como se organizar, usando seu tempo da melhor maneira.
•Seja paciente com os progressos que ele fizer, quando estiver tendo atendimento apropriado. Não vão acontecer milagres. Tudo isto leva tempo. É necessário muita determinação e esforço.

SEJA ATENTO

•Ele poderá ter muitos desapontamentos como: ser chamado de bobo ou preguiçoso, chegar atrasado em compromissos, ter frustrações nos trabalhos escolares. Mas vocês como pais podem ajudá-lo a vencer a maioria deles, desde que percebam a tempo. Preste atenção nos sinais de stress, como enurese ou introversão. Não pense que necessariamente todos esses sinais são por causa da dislexia. Seu filho está crescendo e pode ter problemas como qualquer adolescente. Tem que haver uma intervenção gentil, mas com firmeza.
•Vários professores, psicólogos, clínicos e outros profissionais, de alguma maneira compreendem e são solidários aos disléxicos.
•Não o deixe desistir.
•Ele poderá ficar tão cansado com o esforço que faz na escola, que precisará, eventualmente, ter um dia mais folgado.
•Sua criança é disléxica e depende muito de sua atenção. Mas não dê mais atenção a ela do que aos outros membros da família.
•Nunca compare crianças.
•Você pode se tornar neurótico(a) ou super protetor(a), o que é um perigo.

SEJA PRÁTICO

•Qualquer que seja a idade de seu filho, leia para ele. Muitos disléxicos não compreendem o que estão lendo e é quando você deve agir.
•Digite suas anotações escolares.
•Algumas matérias podem ser gravadas em fita cassete.
•Desenvolva o interesse dele por arte de um modo geral ( teatro, música, arte e música ).
•Assista TV, vídeos com ele e depois converse sobre o que viram.
•Incentive as atividades livres.
•Elogie, motive, informe e estimule sua auto confiança e sua auto-estima.

BOTÕES E LAÇOS

•Não é simples ensiná-los a amarrar cordões em sapatos e a abotoar.
•Sapatos sem cadarços com elástico, ou velcro, podem diminuir o problema, apesar não o resolver.
•Uma pessoa canhota, exercita tarefas de maneira diferente da pessoa destra. Por isso se você e seu filho não usam o mesmo lado das mãos (a mesma lateralidade), você deve ensinar essas tarefas em frente a ele. Caso vocês usem o mesmo lado, isto é, ambos são destros ou ambos são canhotos, você deve ficar atrás dele para ensiná-lo.
•Para ensinar a abotoar, sempre comece da parte inferior do botão e não em cima, pois fica embaixo de seu queixo e ele não poderá ver bem.
•Explique à criança o que você está fazendo, enquanto está executando a tarefa.

Fonte: www.andislexia.org.br