quinta-feira, 11 de junho de 2015

Dislexia: Como ultrapassar barreiras

Dislexia: como ultrapassar barreiras

Albert Einstein se destacou na ciência, Leonardo da Vinci nas artes, Winston Churchill na política, John Lennon na música, Henry Ford nos negócios. Além de geniais e famosas, todas essas personalidades eram disléxicas. Mesmo assim, sobressaíram naquilo que mais gostavam de fazer.
Dislexia: como ultrapassar barreirasProblema que atinge de 10% a 15% da população mundial, a dislexia é diagnosticada, principalmente, no sexo masculino. Originária do grego, a palavra designa a dificuldade na linguagem. Com o tempo, as pesquisas mostraram que o distúrbio se estende para a leitura, escrita, interpretação e matemática.
A explicação para o problema é mais complexa do que se imagina. Não se trata simplesmente da dificuldade de soletrar palavras ou assimilar o conteúdo de um texto. Como em qualquer ação, os atos de ler e escrever percorrem vários caminhos no cérebro. Estímulos, como o visual e o auditivo, seguem vias preestabelecidas. Entretanto, no disléxico não é isso o que ocorre. O percurso no cérebro sofre desvios e acaba por resultar nas dificuldades.
Não é só o grupo que exclui a criança. Muitas vezes, ela própria se afasta por ter a auto-estima comprometida
Até pouco tempo atrás, essa falta de facilidade em aprender tarefas simples para a maioria das pessoas era vista como incapacidade e os disléxicos, por sua vez, eram segregados pelos colegas e professores desavisados. “Não é só o grupo que exclui a criança. Muitas vezes, ela própria se afasta por ter a auto-estima comprometida”, avalia Abram Topczewski, neuropediatra do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), vice-presidente da Associação Brasileira de Dislexia e autor do livroAprendizado e Suas Desabilidades – Como Lidar? (Casa do Psicólogo).

Depois dos 8 anos

É claro que não se exige que uma criança com 3 anos saiba efetuar contas ou escrever textos. Pais e professores devem estar atentos ao período pós-alfabetização, entre 8 e 10 anos. O fato de a criança nessa idade ainda manter uma leitura lenta e difícil, como se estivesse aprendendo as letras (algo que ocorre entre 5 e 7 anos), é um sinal de alerta.
Falhas em estabelecer a relação do som com o símbolo, como na troca das letras “D” e “T”, e na discriminação visual, ou seja, inversões de letras como “sapato” e “satapo”, são dificuldades enfrentadas durante o aprendizado da criança com dislexia.
Há também alguns embaraços nos cálculos matemáticos, como inversão de números, confusão com os símbolos, por exemplo, x e +. E, se a criança for bastante hábil em contas, ainda pode encontrar pedras no caminho, pois não consegue interpretar os enunciados dos problemas.
O disléxico é capaz de estudar quando lê em voz alta ou escreve junto, por exemplo. Há atores que memorizam suas falas depois que gravam o texto e passam a ouvi-lo até decorar
Os adolescentes também enfrentam obstáculos, principalmente às vésperas do tão temido vestibular. Não conseguem memorizar as matérias e continuam com as dificuldades de interpretação e cálculos. Na vida adulta cada um já está munido de alguma estratégia para não ficar para trás.
Embora não tenha cura, a pessoa aprendeu a conviver com o distúrbio e criou atalhos para desenvolver e finalizar as atividades. “O disléxico é capaz de estudar quando lê em voz alta ou escreve junto, por exemplo. Há atores que memorizam suas falas depois que gravam o texto e passam a ouvi-lo até decorar”, explica o dr. Topczewski.
Mesmo que cada um consiga dispor de artifícios para desempenhar as tarefas com sucesso, é aconselhável que a dislexia seja diagnosticada o mais cedo possível. Para isso, o paciente é submetido à avaliação em que diversos especialistas analisam seu histórico e sintomas por meio de testes. O resultado é por exclusão. Isto é, se todos os prováveis distúrbios forem descartados, só pode ser dislexia. Ainda é preciso fazer o levantamento de problemas associados, como depressão, ansiedade, déficit de atenção, entre outros, para saber se é necessário o uso de medicamentos.

Passos para viver bem

Conviver com essas dificuldades mal interpretadas por familiares e amigos derruba a auto-estima, deprime, entristece, faz o portador do distúrbio se sentir diferente. Mesmo que não exista uma forma de acabar com a doença, há o tratamento multidisciplinar para amenizar os problemas encontrados no dia-a-dia. Esse acompanhamento médico, realizado por neuropediatras ou neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e pedagogos, é essencial.
Há melhora na atenção, na concentração, no comportamento. “Como consequência, o rendimento na escola ou no trabalho evolui e a pessoa nota seu sucesso e sua capacidade”, diz o médico. Se alguém tem dúvidas da capacidade de um disléxico se destacar, Einstein, da Vinci e tantas outros notáveis comprovam que tudo é possível.
Fonte: http://www.einstein.br/einstein-saude/em-dia-com-a-saude/Paginas/dislexia-como-ultrapassar-barreiras.aspx

sexta-feira, 8 de março de 2013

Você sabe o que é Processamento Auditivo?


Processamento Auditivo Central

O exame do Processamento Auditivo (PA) estuda os processos envolvidos na detecção, análise e interpretação dos eventos sonoros que acontecem desde o ouvido até as áreas do cérebro responsáveis pela audição. O desenvolvimento do PA tem inicio já nos primeiros anos de vida à partir da experiência
sonora oferecida ao bebê. O Déficit no Processamento Auditivo (DPA) traduz-se na dificuldade em analisar e/ou interpretar determinados padrões sonoros. É causa freqüente de dificuldade escolar e pode justificar Distúrbio de Leitura.

Déficit no processamento auditivo (DPA) é diferente de surdez. Geralmente no DPA não há perda na audição. O indivíduo pode ter dificuldade para entender e/ou para interpretar aquilo que ouviu.

Fonte: CRDA - Centro de Referência em Disturbios de Aprendizagem/SP

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Diagnóstico e Tratamento para TDAH

Existe na Cidade de São Paulo, o NANI - Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil , ligado a UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo, que atende crianças na faixa etária de 5 a 15 anos para avaliação neuropsicológica interdisciplinar que auxilia o diagnóstico de crianças em casos de:

Transtorno de aprendizado;
Déficit de atenção e/ou hiperatividade;
Lesões cerebrais adquiridas.

Para agendar uma avaliação, ligue:

(11) 5549-6899, (11) 5549-8476 das 8 hs as 17 hs

Endereço: Rua Embaú, 54 Vila Clementino - São Paulo

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

DISGRAFIA

Letra feia não é só pressa ou preguiça. Pode ser disgrafia

Transtorno de aprendizagem afeta a capacidade de escrever ou copiar letras, palavras e números.

Com os cadernos de caligrafia fora de moda nas escolas, a letra ilegível deixou de ser marca registrada apenas de médicos e apressados. Atraídos pelo computadores, crianças e jovens tendem a exercitar pouco a letra cursiva - antes treinada à exaustão nas folhas milimetricamente pautadas. Assim, a hora da escrita pode virar um tormento: tanto para quem escreve quanto para quem lê. Nas crianças em idade de alfabetização, no entanto, a atenção de pais e professores deve ser redobrada. Letra feia no caderno pode não ser apenas falta de jeito com o lápis ou caneta, mas, sim, um transtorno de aprendizagem conhecido como disgrafia, que afeta a capacidade de escrever ou copiar letras, palavras e números. O centro do problema está no sistema nervoso, mais precisamente nos circuitos neurológicos responsáveis pela escrita.
“A disgrafia pura ocorre ainda durante a gestação e já nasce com a criança. Ela não é adquirida”, explica Rubens Wajnsztejn, neurologista especializado em infância e adolescência. De acordo com Marco Antônio Arruda, neurologista do Instituto Glia de Cognição e Desenvolvimento, estudos apontam que a disgrafia é mais comum em meninos e é detectada ainda na infância, depois que o processo de alfabetização é consolidado, por volta dos oito ou nove anos. “A disgrafia pode ocorrer em adultos também, mas somente quando ocorre uma lesão, como um derrame, que pode comprometer a coordenação motora de mãos e braços”, afirma o médico. “Mas, nesse caso, já não se trata mais de disgrafia pura”.
Ainda na infância, a dúvida é saber quando a letra ilegível vai além da preguiça ou pressa e deve ser tratada como transtorno. Um teste eficiente é pedir que a criança escreva algumas frases em uma folha sem linhas, conta Raquel Caruso, psicomotricista e coordenadora da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (Edac). Se o resultado for uma escrita lenta, com letras irregulares, retocadas e fora das margens, é hora de preocupar-se. Além disso, os disgráficos têm dificuldades em organização espacial: daí, a escrita em que as palavras parecem “subir e descer o morro”.
Os sintomas da disgrafia não se referem exclusivamente à escrita. Alguns outros sinais de alerta podem ajudar os pais antes mesmo da alfabetização dos filhos. “Se você leva a criança a uma festa junina, por exemplo, observe se ela tem ritmo para acompanhar as músicas, memória para fixar os passos e atenção aos movimentos”, diz Raquel Caruso. Se observada alguma dificuldade nesse sentido, é hora de estimular a prática de exercícios físicos como correr e nadar, além de brincadeiras como amarelinha, pintura e recorte para estimular a parte motora dos pequenos. A falta dessas atividades pode comprometer o tônus muscular, piorando a já difícil situação dos disgráficos.
Rendimento escolar – É importante ressaltar que a disgrafia não compromete o desenvolvimento intelectual da criança nem é um indicador de que o Q.I. (quociente de inteligência) dela é baixo. Silvana Leporace, coordenadora do serviço de orientação educacional do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, reforça: “Geralmente, os disgráficos são alunos muito inteligentes. A comunicação oral deles é muito boa, mas, na hora de colocar as ideias no papel, eles têm muita dificuldade”, conta.
É esse desdobramento do problema que pode prejudizar o rendimento do aluno. Devido à dificuldade no ato motor, a criança demora mais a realizar algumas atividades, em comparação a seus colegas. É o caso de tarefas simples como copiar a lição da lousa. Outra situação típica: a professora pede que os estudantes redijam um texto, e o disgráfico, envergonhado pela a letra feia, conclui que nem vale a pena escrever. “Isso abala a autoestima da criança”, diz Sônia das Dores Rodrigues, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Diante do obstáculo, ele deixa de aprender.
Sem o treinamento exaustivo da caligrafia, a atenção na escola deve ser redobrada. “Se o treinamento da letra cursiva existe desde cedo, é possível encontrar os disgráficos. Com a prática em desuso, os professores e pais podem confundir digrafia com preguiça”, alerta Marco Antônio Arruda. “Mas a letra feia pode ser treinada e as crianças tidas como preguiçosas têm as habilidades necessárias para escrever bem. Já as digráficas, não: elas não tem habilidade e precisam de tratamento.”
Como tratar – Assim como em outros transtornos de aprendizagem, o tratamento da disgrafia é multidisciplinar e envolve neurologistas, psicopedadogos, fonoaudiólogos e terapeutas. Medicamentos só são indicados quando existem outros transtornos envolvidos, como déficit de atenção (DDA) ou hiperatividade.
Em relação à parte motora, Raquel Caruso, do Edac, afirma que é necessária uma preparação prévia do paciente, com exercícios mais amplos, para depois chegar à escrita. “O ponto principal é trabalhar com o corpo, com exercícios como manusear a argila e massagens, e depois partir para o específico, que é a escrita e outros problemas, como o de memória”, explica. “Vemos apenas o produto final, que é a letra ilegível, mas existe muita coisa por trás disso”. O tratamento pode levar meses e até anos, variando conforme o caso. O objetivo não é atingir a letra bonita, mas, sim, legível. E dar uma forcinha para o processo de aprendizado das crianças
Assim como em outros transtornos de aprendizado, o tratamento da disgrafia é multidisciplinar e envolve neurologistas, psicopedadogos, fonoaudiólogos e terapeutas.



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

DPA - Desordem de Processamento Auditivo

Conversando sobre Desordem de Processamento Auditivo (DPA)
Dra. Denise Menezes
www.dradenisemenezes.com

"Eu não entendo. Parece que meu filho não ouve, mas ele já fez audiometria várias vezes e sempre dá normal. Meu marido acha que ele 'ouve quando interessa'. Isso tem atrapalhado muito sua convivência em casa e na escola."

"Meu filho não presta atenção às aulas, conversa demais, brinca com a borracha em vez de fazer o que a professora pede, vive no 'mundo da lua'! Será que ele tem 'Déficit de Atenção e Hiperatividade'?"

"Meu filho se isola de todo o mundo. A professora diz que os coleguinhas o chamam para brincar, mas ele prefere brincar sozinho. Demorou a falar e tem muita dificuldade para comunicar o que pensa. Já me perguntaram se ele é autista, mas ele é muito afetivo e carinhoso. Pode ser um autismo leve?"

"Ah! Meu filho parece tão infantil para a idade! Eu fico com o coração pequeno quando o vejo brincando com os outros do grupo. Ele adora fazer graça, é o palhaço da turma, mas ele não percebe que os outros riem dele. Ele se dá melhor com crianças mais novas do que ele."

"A professora do meu filho perguntou se ele tem alguma deficiência, porque ele não aprende como os outros, não entende as regras dos jogos e se perde nas brincadeiras. Eu confesso que já pensei nessa possibilidade."

Estas e outras questões me são apresentadas com frequência. A criança parece ter algo errado, alguma coisa que não funciona normalmente e que gera dificuldades escolares ou de socialização, mas não preenche todos os pré-requisitos para os diagnósticos aventados acima. Isso pode ser Desordem de Processamento Auditivo (DPA)? Sim, pode. Vamos conversar sobre esse quadro que já existe formalmente há tantos anos, mas ainda é tão sub-diagnosticado?

Leia matéria completa no link :
http://migre.me/5Wx65

Tudo sobre TDAH

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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ruim de matemática? Você pode ter discalculia

A discalculia é considerada o equivalente da dislexia quando se trata de pessoas que têm dificuldade fora do comum em aprender matemática. Enquanto os disléxicos tem problemas com a leitura e a escrita, aqueles que sofrem de discalculia não conseguem resolver problemas simples de aritmética e até mesmo entender o conceito de numeral. Este distúrbio afeta entre 5 e 7% da população.

Tanto as crianças e os adultos que apresentam o problema têm dificuldade em entender o valor relativo aos números e suas diferentes grandezas, e acabam tendo notas muito baixas em provas. “Geralmente, eles não trocam a ordem dos números quando leem, como os disléxicos, mas qualquer coisa que se relacione a numerais causa ansiedade e até pânico”, disse o autor do estudo e professor de neurociência, Brian Butterworth, da University College London.

Por exemplo, se fosse mostrada duas cartas de baralho numeradas, uma com um 5 e outra com um 8, para uma pessoa com discalculia e ela fosse indagada qual número é maior, elas teriam que contar quantos símbolos aparecem em cada carta antes de responder.
Se fosse pedido que elas contassem, regressivamente, de 10 a 1, a pessoa contaria de 1 a 10, depois de 1 a 9, depois de 1 a 8, e assim por diante (e provavelmente teriam que usar os dedos, independente da idade).

Lidar com dinheiro, então, é um grande desafio. As pessoas com discalculia também não conseguem estimar o tamanho de um quarto, ou entender o conceito de horas para estimar quanto tempo uma viagem duraria.

De acordo com os pesquisadores, o distúrbio aparenta ser genético e algumas mudanças no cérebro podem ser responsáveis pela causa. “Contudo, é importante que essas pessoas saibam que esta dificuldade não significa que elas são burras”, disse Butterworth. Mas, se não for diagnosticada de maneira correta, pode trazer muitos traumas.

Butterworth diz que seu trabalho serviu para chamar atenção ao problema e desenvolver métodos especiais de ensino para fortalecer o processamento de números pela pessoa, usando materiais concretos como contas ou blocos, ou ainda softwares de computador. “O importante é não avançar para conceitos mais complexos enquanto o básico não estiver bem fixado”

Fonte: http://hypescience.com/ruim-de-matematica-voce-pode-ter-discalculia/

Entenda a Síndrome de Irlen

terça-feira, 24 de maio de 2011

DISLEXIA DO DESENVOLVIMENTO OU DE PROPRIOCEPÇÃO

Prof.Dr.Paulo Ricardo Souza Sampaio
Prof.Assistente de Oftalmologia da FMABC
Médico Oftalmologista

A Dislexia de Propriocepção, também chamada de Síndrome do Déficit Postural, é definida como uma “perturbação da aprendizagem da leitura que surge apesar de inteligência normal, ausência de perturbações sensoriais ou neurológicas, de instrução escolar adequada e de oportunidades socioculturais suficientes. È, portanto, uma perturbação das aptidões cognitivas fundamentais, freqüentemente de origem constitucional” (Federação Mundial de Neurologia).

Por propriocepção entendemos como a apreciação da posição, do equilíbrio e das suas modificações pelo sistema muscular (não confundir com somestesia, termo que designa a sensibilidade dos diversos estímulos sofridos pelo corpo com exceção dos provenientes dos órgãos sensoriais).

O sistema visual permite a colocação em pratica de mecanismos dos quais um dos papéis essenciais é tornar conscientes as imagens que nos rodeiam e nos interessam.

Entre milhares de informações que o conjunto dos nossos sentidos fornece ao cérebro, este último não deve reter senão as que nos são úteis. Para tal utiliza mecanismos de supressão e as imagens representam senão uma ínfima parcela do que nosso cérebro recebe e interpreta. O restante das imagens é tratado ao nível “infraliminar” e não vem perturbar a nossa consciência.

Esta noção é fundamental para compreender a relação que existe entre postura e visão e, por essa via, propriocepção e dislexia.

Utilizamos essas imagens “inconscientes ou pouco conscientes” para regular a nossa postura, nos situar no ambiente e situar os objetos no espaço.

Quando uma imagem entra no nosso campo de visão somos capazes de procurar ou evitar um objeto existente nessa imagem por modificação espontânea de nossa postura. Para tal não necessitamos identificar a imagem a um nível elevado de consciência. Isso é facilmente percebido quando um objeto em movimento entra em nosso campo de visão e interpretamos como ameaçador.

Estes mecanismos, que lidam com estruturas neurológicas bastante primitivas na filogênese, podem não estar perfeitamente regulados. Por conta disso surge um conjunto de perturbações, sem relação aparente entre si, fazendo com que o paciente migre entre diversas especialidades médicas, odontológicas e pedagógicas, até que seja avaliado por profissional alerta para essa anormalidade.

É importante compreender e lembrar que o olho não serve somente para ver mas que também faz parte do complexo sistema que permite manter uma pessoa em postura adequada e situar-se no espaço.

Para diagnosticar a Dislexia da Propriocepção o Oftalmologista especializado analisa o Processamento Visual ou seja, analisa a relação existente entre a Visão, os demais órgãos dos sentidos e a Postura. Quando constata a existência de perturbações nessa relação fecha o diagnóstico de Síndrome do Déficit Postural e inicia o tratamento global do paciente.


A LEITURA E A ESCRITA NA SINDORME DO DEFICIT POSTURAL


Durante o processo de leitura a imagem da palavra a ser lida entra no campo de visão antes de ser lida e interpretada. Esta imagem provoca uma adaptação da posição relativa dos olhos e da cabeça, adaptação essa controlada pelo nosso sistema postural. O indivíduo irá “procurar a palavra a ser lida” para coloca-la em um “campo visual de interesse”, antes de colocá-la sobre a porção principal da retina (fóvea) para decodifica-la.

Essa procura supõe a existência de um equilíbrio perfeito no posicionamento relativo dos olhos e da cabeça, sejam elementos a serem lidos móveis ou imóveis. Supõe também a localização perfeita da palavra a ser lida.

A propriocepção ocular é, portanto, dependente da propriocepção geral.

Estudos recentes mostram, também, que a dislexia não se resume a um problema de posicionamento do olhar. As alterações encontradas na propriocepção visual acontecem também nas vias auditivas, gustativas, táteis e olfativas.


TRATAMENTO DA DISLEXIA DA PROPRIOCEPÇÃO


O tratamento da dislexia da propriocepção envolve todo o sistema postural e dos órgãos dos sentidos.

Estudos realizados com disléxicos na França, Portugal, Finlândia, Suécia, Alemanha, Inglaterra e Brasil mostram que o tratamento multiprofissional é o mais indicado.

Na especialidade da Oftalmologia o uso de lentes prismáticas de baixo grau (1 até 4 prismas), com a base posicionada para o lado onde a avaliação postural global mostra maior contração muscular, promove o realinhamento deste complexo sistema.

Cada paciente apresenta um desalinho proprioceptivo diferente. Isso obriga uma avaliação médica demorada e cuidadosa. Sabemos que uma interpretação inadequada das informações que o corpo do paciente expõe, poderá implicar na prescrição errada das lentes prismáticas e, piorar mais ainda o quadro.

As lentes prismáticas nada tem a ver as lentes para tratamento do astigmatismo, da miopia ou da hipermetropia. Estes vícios de refração devem ser concomitantemente corrigidos.

Uma vez prescrita a lente prismática os óculos devem ser cuidadosamente confeccionados e mantidos. Armações frouxas, tortas ou mal posicionadas também pioram o quadro. São óculos, portanto, que exigem atenção constante dos pais, do próprio paciente e, do óptico para que estejam sempre em excelente estado de conservação.

São lentes que devem ser usadas constantemente, durante todo o dia. Não são óculos “para descanso ou para leitura”.

O paciente necessita reavaliações freqüentes para que se possa verificar se o sistema postural está sendo devidamente ajustado. Muitos pacientes, após algum tempo, necessitam reduzir o prisma prescrito ou até mesmo elimina-lo. Estas reavaliações também devem ser realizadas com atenção e pelo tempo de exame que for necessário para que a prescrição não seja alterada de forma intempestiva ou demasiadamente lenta.

Alguns pais não conseguem valorizar o tempo de exame e o esforço do profissional no estudo do caso de seus filhos e chegam a considerar “injustas” a cobrança dos honorários dispendidos nas avaliações e reavaliações necessárias. Cabe lembra-los sempre que o custo social e profissional de um mau leitor e as conseqüências futuras pelo mal posicionamento postural terão custo muito mais elevado no futuro. A boa relação médico-familia-paciente-equipe multiprofissional é fundamental para o sucesso de qualquer tratamento. Se essa relação for afetada é preferível que o paciente nem use as lentes prismáticas necessárias. É importante também que o paciente seja acompanhado por Oftalmologista que conheça a Síndrome do Déficit Postural a fundo. Prescrições mal orientadas trazem conseqüências desastrosas.


A EQUIPE MULTIPROFISSIONAL


O trabalho do Oftalmologista não é único. O professor de Educação Física, o Visopedagogo, o Fonoaudiólogo, o Psicopedagogo (e também o Psicólogo, quando necessário) participam ativamente do tratamento. A prescrição dos prismas é importante mas, não deve nunca ser usada de maneira isolada.