segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Causa da dislexia é genética, apontam especialistas

Apesar de ainda não haver total consenso entre os cientistas a respeito das causas da dislexia, as pesquisas mais recentes apontam para uma associação de problemas genéticos como fator para o aparecimento do distúrbio.

Os disléxicos teriam sofrido modificações em alguns de seus cromossomos, a estrutura da célula que carrega a informação genética de cada pessoa. Alguns genes atuariam de forma conjunta e determinariam a pouca capacidade de leitura e escrita.

Por ser um distúrbio genético e hereditário, os especialistas recomendam que as crianças que possuem pais ou outros parentes com dislexia sejam analisadas com cuidado.

"Trata-se de uma criança de risco, então é importante que ela passe por uma avaliação. Quando mais cedo a dislexia for diagnosticada, melhor", afirma Maria Ângela Nico, fonoaudióloga e coordenadora técnica e científica da ABD (Associação Brasileira de Dislexia).

O diagnóstico tem de ser realizado por uma equipe clínica multidisciplinar, formada por psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos clínicos e neurologistas.

O processo é feito de maneira excludente. Ou seja, para detectar se alguém é disléxico, elimina-se a possibilidade de ele não apresentar outros problemas neurológicos e psicológicos, como déficit intelectual, deficiências auditivas e visuais ou lesões cerebrais.

Não há uma cura para a dislexia, mas um tratamento pode fazer com que os afetados possam desenvolver habilidades e minimizem os problemas. Trata-se de um trabalho cumulativo e sistemático de estimular o cérebro a compreender melhor os sinais da linguagem.

Segundo a especialista, outro fator associado ao distúrbio é o excesso de testosterona produzida pela mãe durante a gestação. Essa hipótese pode explicar o fato de haver, para cada quatro homens disléxicos, apenas uma mulher, conforme dados da ABD.

Por essa teoria, como a testosterona é um hormônio masculino, sua produção em excesso na gestação de uma menina pode provocar um aborto natural.

FELIPE MAIA
da Folha Online

Dificuldade com números é mais comum que dislexia, diz estudo

A discalculia, dificuldade para aprender termos matemáticos, é mais comum que a sua versão com letras, a dislexia, revela um estudo realizado em Cuba e divulgado em um congresso científico no Reino Unido.

O estudo, dirigido por Brian Butterworth, do Instituto de Neurociência Cognitiva do University College London, junto com o Centro Cubano de Neurociência, descobriu que, de 1.500 crianças examinadas, entre 3% e 6% mostravam sinais de discalculia, enquanto a dislexia foi verificada em 2,5% a 4,3% das crianças.

Da mesma forma que a dislexia, a discalculia, que consiste na dificuldade de aprendizagem de operações matemáticas ou aritméticas, pode ser causada por um déficit de percepção visual ou problemas quanto à orientação seqüencial.
Considera-se que a dislexia é mais freqüente em países que, como os anglo-saxões, têm um idioma com uma ortografia difícil.

Ao apresentar seu trabalho no Festival de Ciência de Cheltenham, Butterworth fez um pedido às autoridades e educadores britânicos para que estejam atentos aos sintomas da discalculia de forma que possam oferecer ajuda para aqueles que a possuem.
"Muitas pessoas talvez ignorem que sofram dessa condição.

Caso descubram essa dificuldade, não existem organizações que possam lhes ajudar como existem para a dislexia", lamentou o professor. A dificuldade com os números tem um impacto "nas oportunidades de trabalho e na saúde", e os estudantes que sofrem dela "são infelizes", enquanto seus professores se sentem impotentes ao não poderem ajudar, prosseguiu o especialista.

da Efe, em Londres

Maioria tem diagnóstico tardio de dislexia

O mundo das letras sempre foi um mistério para a contadora Priscila Felice, 27. "Eu nunca fui preguiçosa, estudava muito, mas não entendia direito o que lia." O aprendizado a duras penas foi uma constante na vida escolar de Priscila, até os 25, quando uma reportagem deu a pista do que ela poderia ter: dislexia. "A descoberta foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida."

De cada dez disléxicos diagnosticados no Brasil nos últimos dois anos, sete eram adultos, segundo a ABD (Associação Brasileira de Dislexia).

Assim como Priscila, são pessoas instruídas que enfrentam problemas de escrita e leitura até descobrir que possuem um transtorno neurológico.

Boa parte carrega a pecha de ser pouco inteligente, lerda e desatenta.
Definido como distúrbio ou transtorno de aprendizagem na leitura, escrita e soletração, a dislexia foi diagnosticada pela primeira vez em 1896, pelo neurologista inglês Pringle Morgan, que a chamou de cegueira verbal. Hoje sabe-se que ocorre em três graus. Leve (pequena dificuldade para ler e escrever), moderado (troca freqüente de palavras lidas e escritas e falhas de memória para fatos imediatos) e severo (quase incapacidade para ler e escrever).

Os disléxicos podem ser doutores, advogados, artistas, engenheiros. Entidades e associações costumam listar famosos supostamente vítimas do distúrbio, como a escritora de suspense Agatha Christie. "Mas eles não foram diagnosticados", alerta o médico neurocientista Cláudio Guimarães dos Santos, 44, da Unifesp (Universidade Federal de SP).

O diagnóstico envolve profissionais das áreas de fonoaudiologia, psicologia e psicopedagogia, e é comum que seja seguido de uma "descarga" emocional. "Esses pacientes sofrem a vida toda com rótulos e preconceitos. Alguns, quando crianças, foram submetidos a castigos e humilhações", diz Maria Angela Nico, 55, coordenadora técnica e científica da ABD.

O assistente social aposentado Antonio Barboza, 59, que descobriu ser portador há dois meses, diz que a dificuldade em interpretar textos rendeu-lhe o apelido de "caranguejo". "Um professor dizia que eu não ia para frente, só andava para os lados. Isso virou um estigma", conta.

Na escola, Antonio diz que se sentia um "peixe fora d'água". "Chegava a ler até quatro vezes o mesmo texto, na quarta linha, já havia esquecido o que tinha escrito nas três anteriores." À custa de muito estudo, só repetiu a primeira série e concluiu a faculdade.

Na maturidade, Antonio viu os mesmos problemas ocorrerem com um de seus três filhos, André, 24, até que no ano passado o rapaz descobriu a dislexia na internet, se identificou com os sintomas e fez os exames. O resultado do filho abriu os olhos do pai, diagnosticado como disléxico moderado. O caso de André, quinto ano de direito, é severo.

"Inverto frases e tenho falhas na memória imediata: esqueço, por exemplo, um número de telefone antes de anotá-lo." André adotou o transtorno como tema de sua monografia de conclusão de curso. "Quero abordar o papel do poder público no auxílio a crianças disléxicas em escolas públicas e privadas."

A escola é a principal vitrine da dislexia. Para tentar frear o número de descobertas tardias, a ABD elaborou uma cartilha para crianças disléxicas em processo de alfabetização. Inicialmente, o material deverá ser distribuído pelo MEC (Ministério da Educação) para a capacitação de professores em 116 municípios brasileiros a partir do segundo semestre.

"É recorrente pais e professores interpretarem o aluno disléxico como desinteressado e imaturo, o que contribui para baixar a auto-estima da criança", diz a psicóloga Clarice Ferreira Barbosa, 45, mãe de Celso, 7, que trocou três vezes de escola antes de ter o diagnóstico de dislexia severa. Há um ano e meio, Celso se trata com fonoaudióloga. Não erra mais a seqüência numérica, tem maior facilidade em associar nomes e objetos e está recuperando a auto-estima.

ROBERTO DE OLIVEIRA
da Revista da Folha de S.Paulo

terça-feira, 23 de setembro de 2008

ALGUNS SINAIS DA DISLEXIA

Quando seu aluno ou filho apresentar todos ou alguns dos sinais abaixo, fique em alerta pois pode ser dislexia:

Falta de interesse por livros;
Dificuldade de memorização e ou entendimento;
Desorganização;
Imaturidade;
Dificuldade em entender o relógio analógico;
Dificuldade em copiar do quadro negro;
Dificuldade para usar dicionário.

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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A INCLUSÃO DO DISLÉXICO NA ESCOLA

Mudanças na Escola

A inclusão do aluno disléxico na escola, como pessoa portadora de necessidade educacional, está garantida e orientada por diversos textos legais e normativos.
A Lei 9.394, de 20/12/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), por exemplo, prevê que a escola o faça a partir do artigo 12, inciso I, no que diz respeito à elaboração e à execução da sua Proposta Pedagógica;
O inciso V, do mesmo artigo, diz que a escola deve prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento;
O artigo 23 permite à escola organizar a educação básica em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização;
O artigo 24, inciso V, alínea a), prevê que a avaliação seja contínua e cumulativa, com a prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período.

LEGISLAÇÃO NACIONAL

Lei 10.172 de 9 de janeiro de 2001 - Plano Nacional de Educação - Capítulo 8 - Da Educação Especial

8.2 - Diretrizes
A educação especial se destina a pessoas com necessidades especiais no campo da aprendizagem, originadas quer de deficiência física, sensorial, mental ou múltipla, quer de características como de altas habilidades, superdotação ou talentos.
(...)
A integração dessas pessoas no sistema de ensino regular é uma diretriz constitucional (art. 208, III), fazendo parte da política governamental há pelo menos uma década. Mas, apesar desse relativamente longo período, tal diretriz ainda não produziu a mudança necessária na realidade escolar, de sorte que todas as crianças, jovens e adultos com necessidades especiais sejam atendidos em escolas regulares, sempre que for recomendado pela avaliação de suas condições pessoais. Uma política explícita e vigorosa de acesso à educação, de responsabilidade da União, dos Estados e Distrito Federal e dos Municípios, é uma condição para que às pessoas especiais sejam assegurados seus direitos à educação. Tal política abrange: o âmbito social, do reconhecimento das crianças, jovens e adultos especiais como cidadãos e de seu direito de estarem integrados na sociedade o mais plenamente possível; e o âmbito educacional, tanto nos aspectos administrativos (adequação do espaço escolar, de seus equipamentos e materiais pedagógicos), quanto na qualificação dos professores e demais profissionais envolvidos. O ambiente escolar como um todo deve ser sensibilizado para uma perfeita integração. Propõe-se uma escola integradora, inclusiva, aberta à diversidade dos alunos, no que a participação da comunidade é fator essencial. Quanto às escolas especiais, a política de inclusão as reorienta para prestarem apoio aos programas de integração.
(...)
Requer-se um esforço determinado das autoridades educacionais para valorizar a permanência dos alunos nas classes regulares, eliminando a nociva prática de encaminhamento para classes especiais daqueles que apresentam dificuldades comuns de aprendizagem, problemas de dispersão de atenção ou de disciplina. A esses deve ser dado maior apoio pedagógico nas suas próprias classes, e não separá-los como se precisassem de atendimento especial.

LEGISLAÇÃO NACIONAL

Lei 9.394/96 (LDB)

Art. 12 - Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
I - elaborar e executar sua Proposta Pedagógica;
V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento.
Art. 13 - Os docentes incumbir-se-ão de:
III, zelar pela aprendizagem dos alunos;
IV, estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento.
Art. 23 - A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.
Art. 24, V, a) avaliação contínua e cumulativa; prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período.

LEGISLAÇÃO NACIONAL

Lei 8.069 de 13 de Julho de 1990 (ECA)artigo 53, incisos I, II e III

“a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II – direito de ser respeitado pelos seus educadores; III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores”