terça-feira, 20 de julho de 2010

Depoimento de Esposa de Disléxico

Meu nome é Érica, sou professora de espanhol, médica e esposa de um disléxico há 8 anos. Há muito tempo venho pensando em escrever minhas impressões pessoais e profissionais a respeito da dislexia e do aprendizado (que inclusive foi o tema da minha monografia de fim de curso na graduação em Medicina). E acredito que agora seja um bom momento para isso, devido ao fato de que meu marido ingressou no grupo virtual "Amigos da Dislexia".

Percebi que diversas questões são levantadas por pais e por pessoas que convivem com os disléxicos neste grupo, inclusive em relação ao uso de medicamentos, na tentativa de ajudar os disléxicos a se curarem ou pelo menos a melhorarem sua performance acadêmica. Bom, é aí que começa meu depoimento...

Quando estamos emocionalmente envolvidos com pessoas que apresentam algum tipo de padrão fora do "normal", tendemos a ficar angustiados e apreensivos por aqueles que amamos. Tanto faz ser um padrão físico, emocional, comportamental, social ou de qualquer outra natureza. Aqueles que não se encaixam na normalidade do grupo em que estão inseridos tendem a ser marginalizados. E não queremos isso para aqueles que nos são caros. Então tentamos de várias formas fazer com que as pessoas se "encaixem", se "adequem", para que possam ser aceitas e não serem motivo de risadas e chacotas, para que nós, os "normais", fiquemos mais tranqüilos.

É bom saber que nossos entes queridos também são plenamente aceitos, não é? E que sensação boa quando seus males são aliviados ou curados! E que alegria ver que todos estamos trilhando o mesmo caminho para a felicidade e o sucesso! E é muito bom poder ajudar.

Certamente são posturas nobres e que exigem, às vezes, um enorme esforço daqueles que são "normais", porque não é fácil para nós conviver com pessoas que estão constantemente nos surpreendendo com diferenças com as quais nem sempre conseguimos lidar de forma positiva. E de vez em quando nos desesperamos e até mesmo tendemos a desistir, porque é muito desgastante ficar por anos a fio buscando a resolução de um problema que parece insolúvel. Por outro lado, os disléxicos também se esforçam muito para se adaptar ao mundo como ele deve ser, mas nem sempre conseguem ver progressos apesar de todas as exaustivas tentativas. E sofrem. E deste sofrimento vem a irritabilidade, a raiva, a ira, o ódio e a vontade de jogar tudo para o alto.

E o sentimento de inferioridade, de derrota, de fracasso como pessoa e como profissional. Aquele que nunca vai conseguir ser ninguém na vida porque nasceu com um problema no cérebro. E os que são normais não conseguem encontrar a cura para esse mal. E os disléxicos tornam-se um fardo para os outros e um peso morto para si mesmos. Simplesmente chegamos a um beco sem saída...

Até que, num belo dia, alguém que diz ser disléxico aparece com uma história de vida cheia de realizações. Parece normal, adaptado e aceito. Feliz, em suma. E que inveja!!!! Então os normais querem saber a cura, querem saber como ele conseguiu, para poder ajudar os disléxicos que amam e que ainda não conseguiram dar um passo maior. E os disléxicos querem saber como um "igual" conseguiu ser "diferente"... Irônico.

É neste ponto que começo a me fazer algumas perguntas. Em primeiro lugar, por que procuramos uma "cura" para a dislexia? Ela é mesmo uma doença? Em segundo lugar, qual é o problema de sermos diferentes? Não é a diversidade o grande diferencial do ser humano? Em terceiro lugar, se os disléxicos se sentem discriminados por nós, não seríamos nós que deveríamos mudar? E quem disse que todos temos que seguir o mesmo caminho para alcançarmos nossos objetivos? E quem disse que nossos objetivos têm que se iguais? E onde está escrito que ser disléxico é ruim? Por fim, quem somos nós para sairmos por aí julgando uns aos outros? Não paramos para pensar que é nosso julgamento cheio de idéias pré-concebidas que faz com que o sofrimento seja gerado? Afinal, o que nós buscamos?

Dislexia é uma disfunção do cérebro no processamento das informações (principalmente no que tange à palavra escrita e ao cálculo), mas não é uma doença. Por quê? Simplesmente porque se fosse uma doença, aqueles que conseguiram êxito teriam ficado curados. Mas continuam sendo perfeitamente... disléxicos. É só parar para pensar: quem combate uma infecção de garganta e tem sucesso é porque ficou curado, ou seja, não existe mais nenhum traço da doença em seu organismo. A mesma coisa ocorre com quem enfrenta o câncer. Ou seja, em casos simples ou graves, a cura vem da extinção do problema.

Mas alguém já parou para conversar com um disléxico que conseguiu ir adiante? E em algum momento ele disse que deixou de ser disléxico? Se é assim, não foi o remédio ou a terapia ou a "cura" que o fizeram ir além. Claro que suporte é importante, mas muito mais devido ao sentimento de inferioridade e ao preconceito do que por qualquer outro motivo. O disléxico que teve sucesso profissional e acadêmico é, antes de tudo, disléxico. E se assume como tal, sem vergonha ou medo. Só que ele conseguiu um meio próprio, pessoal, de driblar a dislexia e de se encaixar no mundo "normal". Já imaginou o que é isso? Que capacidade imensa de raciocínio e de percepção? Que força de vontade e que perseverança incríveis? Que inteligência fantástica? É só fazermos o raciocínio inverso: será que nós, os normais, conseguiríamos passar um dia na pele de um disléxico? Quem consegue "imitar" um disléxico sem cometer nenhuma falha? Quem consegue se submeter a diversos tipos de avaliações e testes sem se sentir uma cobaia ou sem se sentir deslocado?

Pois é.

Se você ainda não tinha pensado nisso, provavelmente também não percebeu que cada disléxico é diferente do outro (afinal, cada ser humano é diferente do outro) e que o padrão da dislexia só serve para nós tentarmos entendê-los. Porque os disléxicos sabem muito bem quem são e que dificuldades enfrentam. Eles não têm incapacidade mental, não são "retardados" nem "burros". Apenas seu cérebro funciona de outra forma. E somos nós que não conseguimos ver isso. E por nossa dificuldade de entender como um disléxico processa as informações, os taxamos de incapazes. Pense bem: se uma das principais barreiras para o disléxico é a escola, por que a escola não se torna mais ampla e tenta fornecer a essa criança a oportunidade de aprender de forma diferente?

Por que é tão difícil imaginar um sistema educacional novo? Por que nos apegamos tanto ao ensino tradicional se estamos vendo a todo momento que ele não abrange satisfatoriamente as necessidades de um grupo imenso da população? E não estou falando apenas de disléxicos...

De forma geral, temos muita dificuldade em aceitar diferenças. E de nos adaptar a elas. E se a diferença está em um semelhante, aí mesmo é que não queremos vê-la. No final das contas, esse é meu recado: aceitem os disléxicos que vocês amam como eles são. Tentar "curá-los" é tentar fazer com que deixem de ser eles mesmos. E se vocês os amam desse jeito mesmo, por que outras pessoas também não serão capazes de fazê-lo? Cabe a nós perdermos essa necessidade de igualar todas as pessoas.

Claro que queremos que nossos disléxicos tenham sucesso na escola e/ou na profissão, mas não temos que igualá-los aos outros para isso. Temos que perder essa ansiedade, que só atrapalha. Disléxicos não são nem melhores nem piores do que qualquer outra pessoa. Todos nós temos limitações, ninguém pode tudo. Mas o mundo foi adaptado às limitações da maioria, que são as pessoas consideradas normais, e essas limitações são amplamente aceitas. Por isso, caros "normais", não se angustiem com outros tipos de limitações. Isso só gera medo, insegurança e conflitos. Crianças, adolescente ou adultos, todos precisamos nos afirmar como "capazes". E todos somos. Só é preciso encontrar o jeito de cada um.

Abraços a todos,
Érica Ciarlini - Médica e esposa de um disléxico.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

TDAH x CO-MORBIDADES

Segundo o Professor Dr Fábio Barbirato, chefe do serviço de psiquiatra infanto-juvenil, da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, as Co-morbidades em T.D.A.H. são regras e não exceções, pois 51 % dos pacientes infanto-juvenis, portadores de T.D.A.H., ao chegarem ao consultório, apresentam pelo menos mais um diagnóstico psiquiátrico. Esta afirmação é verificada também com os dados de pesquisa do Dr Biederman, que além de confirmarem este fato, mostra que em adultos a situação é mais grave, pois as co-morbidades chegam a 77 % dos pacientes que são portadores de T.D.A.H.

Queremos que entendam, que co-morbidades são outra ou outras patologias que incidem sobre o mesmo paciente, simultaneamente. Pode ser desenvolvida a partir do transtorno básica, o T.D.A.H., ou desenvolvida paralelamente a este, podendo o paciente ter uma, duas ou mais co-morbidades, com graus variados de intensidade.

As co-morbidades mais freqüentes em pacientes portadores de T.D.A.H., são: Transtorno da Ansiedade Generalizada ( 34% ), Depressão ( 20% ), Transtorno Obsessivo Compulsivo ( 11% ), Tics motores ( 11% ), Síndrome de Tourrete (6.5% ), Transtorno do Humor Bipolar ( 20% ), Transtorno Opositor Desafiador ( 40 a 60 % ), Transtorno de Conduta(50%), Transtorno de Aprendizagem (dislexia, dislalia, disfonia, disartria, discalculia, disgrafia, etc ( 10% ), Evasão Escolar ( 60 % ), Abusador de Substancias ou Dependencia Química ( 40 % ) e outros Transtornos como: Enurese Noturna, Jogador Compulsivo, Esbanjador, Comprador Compulsivo, Comer Compulsivo, Falar Compulsivo, Hipersexualidade, Gravidez Precoce, doenças Sexualmente Transmissíveis, etc.

Muitas vezes, as co-morbidades, podem ser mais graves que a própria doença básica. Como exemplo, podemos citar o caso de um paciente T.D.A.H. que apresenta como co-morbidade a dependência química à cocaína, com dificuldades sérias de adaptação social e profissional. Neste caso, a co-morbidade, que é a dependência química, passa a ser prioritária em termos de tratamento. Que deverá ser encaminhado à serviços especializados.

De certa forma, o diagnóstico do T.D.A.H.não é dos mais complexos em medicina, pois um profissional competente, conhecedor dos sintomas do T.D.A.H.e que disponibilize um bom tempo para fazer uma boa anamnese, não terá dificuldades em fazer o diagnóstico, contudo o grande problema encontra-se no diagnóstico diferencial e no diagnóstico das co-morbidades, para instituir um tratamento específico para cada caso, pois muitos pacientes diagnosticados como portadores de T.D.A.H. na realidade não são. Outras vezes, estes pacientes, devem ser submetidos ao tratamento para T.D.A.H. e suas co-morbidades, simultaneamente, caso contrário, não teremos o resultado esperado com o tratamento proposto.

Queremos aqui, alertar para um fato muito importante, que é o modelo de tratamento proposto para o T.D.A.H.e os demais transtornos neurocomportamentais. É comum nos dias atuais encontrarmos pacientes T.D.A.H., em tratamento com vários profissionais, que não só, não apresentam uma qualificação adequada para conduzir o tratamento, bem como, não estão, eticamente autorizado para tal. Deixamos bem claro, que a condução do tratamento de um paciente T.D.A.H., é da competência exclusiva de um profissional médico, onde o modelo proposto a nível internacional é o interdisciplinar, cabendo ao médico coordenar o tratamento, e só o médico poderá dar o diagnóstico, mesmo que para isto venha solicitar pareceres de profissionais de outras áreas afins, como psicólogos, fonoaudiólogos e pedagogos, bem como, só os médicos podem receitar medicamentos, para tratamento do T.D.A.H.

Outro fato importante, é que o modelo padrão ouro, internacional para o tratamento de pacientes T.D.A.H. e co-mórbidos, é aquele que tem como suporte quatro importantes pilares, que são: O ATENDIMENTO A FAMILIA, ORIENTAÇÃO À ESCOLA, TERAPIA DO PACIENTE ( COGNITIVO-COMPORTAMENTAL) E A FARMACOTERAPIA. Com estes quatro suportes no tratamento, os pacientes terão melhora satisfatória do quadro e responderão bem ao tratamento. Por tanto, um médico conhecedor do T.D.A.H., um psicólogo que trabalhe com terapia cognitivo-comportamental como técnica psicoterápica, a orientação à escola de como lidar e manejar esta criança e a orientação aos pais ou cuidadores, a maioria absoluta destes pacientes, responderão de forma adequada ao tratamento.

Quando necessário, a equipe multidisciplinar poderá ser ampliada e os profissionais inerentes à equipe, de áreas afins, poderão ser convidados para avaliar o paciente, emitindo laudos técnicos de seus pareceres, podendo inclusive ser chamado a intervir, dentro do modelo interdiciplinar, como em casos de distúrbios de aprendizagem, como: dislexia, discalculia, disartria, disfonia, dislalia, etc, o fonoaudiólogo deverá ser consultado e o paciente receberá um tratamento interdisciplinar mais amplo. Da mesma forma, caso haja falhas ou lacunas pedagógicas a serem preenchidas, o pedagogo poderá ser incluído na equipe para emissão de pareceres e participação na equipe interdisciplinar.

Freqüentemente, em nosso serviço, atendemos pacientes que estavam em tratamento para T.D.A.H. com profissional não médico, sem a intervensão interdisciplinar, como o modelo proposto nos países desenvolvidos. A maioria das vezes de forma empírica, sem uso adequado de neuroestimulantes, muitas vezes subdosados ou mesmo usando placebo, como os florais, que cientificamente não tem o menor valor no tratamento do T.D.A.H.

Com isto, podemos concluir que nenhum profissional, de forma individual, conseguirá fazer um tratamento adequado do T.D.A.H., por mais competente que seja.

Convidamos aos interessados a manterem contato com o nosso site, para serem informados sobre todas co-morbidades encontradas freqüentemente nos pacientes TDAH, em boletins editados mensalmente pelo serviço do GAETAH (Grupo de Apoio e Estudo do Transtorno de Déficit de Atenção e hiperatividade).

Fiquem atentos a novas informações atualizadas sobre o TDAH e a eventos sobre o assunto.

Irineu Dias
Clínica Médica
Site: www.tdah.com.br

COMO ENTENDER OS 'DIS'

Como entender os DIS?

Dislexia, Disortografia, Disgrafia, Discalculia...Para cada hipótese, temos um entendimento neurológico e evolutivo de cada expressão e seu respectivo significado:

1) Dislexia:


É a incapacidade de processar o conceito de codificar e decodificar a unidade sonora em unidades gráficas, (forma de grafemas) com capacidade cognitiva preservada (nível de inteligência normal). Os disléxicos têm capacidade para aprender todas as funções sociais e até altas habilidades, desde que, bem diagnosticado, seja trabalhado em suas áreas corticais favoráveis e com estratégias e intervenções adequadas. Essa intervenções devem valorizar suas funções viso-motoras, imagens com significado e significante associados a ritmo e memória visual auxiliando sua memória auditiva, para que desenvolva a capacidade por outras rotas (sabido que sua rota fonológica é prejudicada).

2) Disortografia:


Definimos como disortografia, os erros na transformação do som no símbolo gráfico que lhe corresponde. Nem sempre a disortografia faz parte da dislexia e pode surgir nos transtornos ligados á má alfabetização, na dificuldade de atenção sustentada aos sons, na memória auditiva de curto prazo (Déficit de Atenção) e também nas dificuldades visuais que podem interferir na escrita. Quando não estão co-morbidas à Dislexia, o prognóstico é melhor.

3) Disgrafia:


Não se pode confundi-la ou compará-la com disortografia, pois a disgrafia tem características próprias. A criança com disgrafia apresenta uma escrita ilegível decorrente de dificuldades no ato motor de escrever, alterações na coordenação motora fina, ritmo, e velocidade do movimento, sugerindo um transtorno praxico motor (psicomotricidade fina e visual alteradas).

4) Discalculia:


A Discalculia do desenvolvimento é uma dificuldade em aprender matemática, com falhas para adquirir adequada proficiência neste domínio cognitivo, a despeito de inteligência normal, oportunidade escolar, estabilidade emocional e motivação. Não é causada por nenhuma deficiência mental, déficits auditivos e nem pela má escolarização. As crianças que apresentam esse tipo de dificuldade realmente não conseguem entender o que está sendo pedido nos problemas propostos pela professora. Não conseguem descobrir a operação pedida no problema: somar, diminuir, multiplicar ou dividir. Além disso, é muito difícil para elas entenderem as relações de quantidade, ordem, espaço, distância e tamanho.

Aproximadamente de 3 a 6% das crianças em idade escolar tem discalculia do desenvolvimento (dados da Academia Americana de Psiquiatria). De um modo geral, o prognóstico das crianças com discalculia é melhor do que as crianças com dislexia, ou pelo menos, elas tem sucesso em outras atividades que não dependam desta área de calculo numérico.

Conclusão:

Todo trabalho escolar da vida acadêmica de uma criança deve ser investigado precocemente, desde seus primeiros momentos em berçários, creches e escolas infantis, pois a detecção de falhas ou inabilidade no seu D.N.P.M. (desenvolvimento neuropsicomotor) será preciosa para atendê-la melhor até seu inicio ao ensino formal, respeitando seu ritmo, mas oferecendo-lhe oportunidade de uma boa intervenção, caso descubra-se precocemente esta falha ou incapacidade.

O pré-diagnóstico no âmbito escolar é excelente para o aluno, para a escola, para os pais e a sociedade, onde não se atropela o desenvolvimento e nem permite más condutas com gastos desnecessários no futuro.

Todos devem participar desse novo olhar: professores, direção de escola, pais, psicopedagogos, e outros profissionais envolvidos direta ou indiretamente na alfabetização.

Fonte: site www.pedagogia.com.br

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Matemática e Dislexia

Muitas crianças disléxicas têm dificuldade em serem rápidas e fluentes em executar cálculos tão simples como as operações de soma, subtração, multiplicação e divisão, dificuldades essas que também se refletirão na aprendizagem da tabuada.
Não obstante estes entraves, estas crianças poderão adquirir boas competências em Matemática.

Estas dificuldades com a Matemática surgem porque não há áreas do cérebro específicas para a leitura. As áreas usadas para a linguagem escrita são usadas também para outros símbolos, incluindo números, gráficos, etc.
Portanto, se houver um problema nessas áreas do cérebro, será afetado o processamento eficiente de qualquer símbolo, linguagem e Matemática incluídos.

O fato é que tanto a linguagem escrita como a Matemática são representadas por símbolos. Por exemplo: o número três (3), transmite o conceito de três unidades que podem ser representadas por três elementos ou, simplesmente ter a qualidade "três".
Ao considerarmos esses conceitos, não é de surpreender que crianças com dificuldades (dislexia) na linguagem apresentem frequentemente dificuldades em Matemática.

Um indicador muito simples para o diagnóstico destas dificuldades é a incapacidade para contar para trás de dois em dois ou de três em três, começando, por exemplo, no número trinta, ou responder corretamente quando se pergunta que número está quatro "lugares" antes de dezesseis.

A tabuada, cujo principal objetivo é reduzir o tempo de cálculo das operações, funciona frequentemente "ao contrário" para os disléxicos, pois prolonga o tempo que estes levam a fazer os cálculos.

A melhor solução imediata para contornar este problema será oferecer materiais auxiliares como esquadros, linhas numeradas ou calculadoras, em vez de obrigar estas crianças a grandes esforços de cálculo mental.

Há vários outros fatores que dificultam o trabalho matemático para crianças disléxicas, mas os que acima se mencionam são os mais relevantes para um texto que não se quer demasiado exaustivo.

O mais importante é ter consciência de que o problema existe e, assim, tentar ajudar a criança em vez de a recriminar.
Não esquecer, porém, que a dislexia deve ser diagnosticada por profissionais competentes, o que implica a intervenção de uma equipa multidisciplinar.

O cálculo mental sem recurso de calculadoras é muito importante para a aquisição de melhor capacidade de raciocínio, por isso a indicação de uso de tais instrumentos auxiliares fica ao critério de quem lida diretamente com cada situação.

Mesmo que a dislexia não seja curada, conviver com ela é necessário. Os portadores têm, inclusive, direitos assegurados por lei. Crianças com dislexia podem, por exemplo, pedir para fazer provas orais, ter uma hora a mais nas provas escritas e usar livremente uma calculadora.